quarta-feira, 23 de abril de 2014

CLUBE DE LEITURA DE ABRIL

Decorreu ontem, pelas 21h00, mais uma interessante sessão do Clube de Leitura.
O livro em apreciação, "O Fio da Navalha" de Somerset Maugham, permitiu vários comentários e análises, por ser uma obra muito rica na sua história e nos seus personagens. O autor, utilizando a sua própria pessoa, conta-nos a história de um jovem aviador que durante a primeira guerra ao ver um amigo morrer para o salvar, vai procurar resposta para o sentido da vida...
Apesar de ser uma obra do início do séc. XX, foi unânime a opinião de que é uma obra intemporal e que a crítica que faz ao modo de vida na alta sociedade americana da época, poderia ser aplicada à sociedade actual.

A próxima sessão será no dia 29 de maio e a obra escolhida para leitura será "Os transparentes" de Ondjaki.







segunda-feira, 31 de março de 2014

LEITURA DE ABRIL






Livro indicado: “O Fio da Navalha” de William Somerset Maugham
Destinatários: público em geral
Data: 22 de Abril 2014
Horário: 21h00  às 22h00







Sinopse

UM ROMANCE IMORTAL. UM GRANDE CLÁSSICO DO SÉCULO XX!
Quando um amigo e colega de combate morre ao tentar salvá-lo, a vida de Larry Darrell muda para sempre. Para o jovem aviador americano, a morte passa então a ter um rosto. O inexorável mistério da morte leva-o a questionar o significado último da frágil condição humana e a embarcar numa obstinada e redentora odisseia espiritual.
Ao recusar viver segundo as convenções impostas pela sociedade, para buscar o sentido da vida (que encontrará, certa manhã, algures na Índia), Larry torna-se simultaneamente uma frustração para os que o rodeiam – principalmente para Isabel, a namorada, e Elliott, tio desta, que cultivam acima de tudo a aceitação e o prestígio sociais – e a personificação de um ideal de espiritualidade e não-compromisso.
"O Fio da Navalha" foi originalmente publicado em 1944, num mundo muito diferente do actual. Contudo, algumas das suas ansiedades e dúvidas permanecem: continuamos até hoje a buscar um sentido para a nossa existência, mas não queremos apenas deter esse conhecimento, queremos senti-lo no mais fundo de nós. Para encarnar essa luta contra o destino, Somerset Maugham criou uma das mais fascinantes personagens do seu vasto legado literário. Da Primeira à Segunda Guerra Mundial, passando pela Grande Depressão, ele leva-nos, através das sociedades francesa, americana e inglesa, à verdade mais recôndita da alma e do sentimento dos homens.


O autor

William Somerset Maugham, filho de pais ingleses a viverem em França, nasceu em 1874, na embaixada britânica de Paris, de modo a escapar à obrigatoriedade de cumprir serviço militar imposta a todos os cidadãos nascidos em solo francês. Dramaturgo e romancista, antes de deflagrar a Primeira Guerra Mundial, Maugham já havia publicado dez romances e igual número de peças de teatro da sua autoria haviam subido a palco. Rapidamente se tornou um dos mais célebres escritores do seu tempo, e também um dos mais bem pagos. Quando ficou órfão de ambos os pais, antes de completar dez anos, foi enviado para Inglaterra, permanecendo ao cuidado de um tio. Mudou de país e mudou de língua – a adaptação não decorreu pacificamente. Com dezasseis anos, convenceu o tio a deixá-lo estudar na Alemanha, onde se dedicaria à literatura, à filosofia e à língua alemã. Aqui assumiria a sua bissexualidade, tendo a primeira relação homossexual, e aqui escreveria o seu primeiro livro, uma biografia do compositor Giacomo Meyerbeer. Quando regressou a Inglaterra, Somerset Maugham já tinha a certeza de que queria ser escritor. Durante a Primeira Guerra Mundial, o escritor viajou pela Índia e pelo Sudeste Asiático, experiência que lhe serviu de mote para várias obras. Entre os seus livros mais notáveis, encontram-se Servidão HumanaO Fio da Navalha e A Carta. Somerset Maugham morreu na sua casa do Sul de França em 1965, e as suas cinzas foram espalhadas perto da Biblioteca Maugham, em Inglaterra

sexta-feira, 28 de março de 2014

CLUBE DE LEITURA DE MARÇO

Ontem, pelas 21 horas decorreu mais uma participada sessão do Clube de Leitura que abordou a obra mais recente de Ana Luísa Amaral, Ara.
Trata-se de um livro a que a autora chama de romance, mas que logo nas primeiras páginas se acusa  não ser capaz de produzir, sendo sim, um longo poema, ou mais concretamente,  prosa poética, constituída de uma parte autobiográfica e uma outra parte ficcional.
É um livro que fala dos nós da vida, dentro de nós, como foi definido por um conhecido crítico literário.
A obra envolve-nos e remete-nos para a vida que é uma Ara, um altar, que implica sacrifícios num universo muito feminino, que nos transporta para a mitologia grega, à própria história de Safo ao abrir uma escola de meninas, ao sacrifício do amor, concluindo que a verdadeira vergonha  é não amar.
Ana Luísa Amaral coloca-se a si própria na obra e  revela-nos os seus conhecimentos profundos  sobre o ensaio de teorias literárias, indo à essência destes conceitos puros, com imensa simbologia, onde pairam um narrador, personagens secundárias e principais com nomes ou sem nomes.
Este romance poético inicia uma viagem e compara a vida a um rio, que simboliza a passagem do tempo, embora num retorno constante. Há também imensas referências às japoneiras que simbolizam a pureza da infância, ao mundo interior, extremamente intimista, numa dimensão existencialista, situado no contexto da pós-modernidade.
Destaque-se  o capítulo "A odisseia" em que seguimos o percurso de uma carta desde a sua fabricação até ao seu destino.
Uma obra com alguma complexidade, desordenada, fragmentária, cheia de simbologias, mas que também nos dá liberdade de variadas interpretações e nos obriga a um exercício de imaginação, que finalmente  podemos definir como um cântico narrativo.

A próxima sessão será no dia 22 de Abril e a obra abordada será o grande clássico romance do século XX  "O fio da Navalha" de  William Somerset Maugham.




LEITURA DE MARÇO




Livro indicado: “Ara” de Ana Luísa Amaral
Destinatários: público em geral
Data: 27 de Março 2014

Horário: 21h00  às 22h00








«Primeiro: a prosternação diante do altar. A hesitação diante da proliferação dos ritos: sacrifício, louvor, cântico, narrativa. Figuras e vozes, acólitos. Insurgências. Japoneiras e túneis do sentido. Discrepância a todas as vozes acumulando num sentido. Não único, mas unívoco. Desde a infância. Segundo (como se diz de um andamento ou de um painel): o tríptico dentro do tríptico das DUAS IRMÃS: a narrativa oblatória e clara da paixão sáfica. Ardente e casta. Sem falso pudor. Vergonha é não te amar. A oferenda lírica.Terceiro: não é coisa de rasgar como romance este romance. Assente na pedra do lar um prisma multifacetado e translúcido: o amor único, a palavra. A brisa do arado sobre a ara.» 

Maria Velho da Costa

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Clube de Leitura de fevereiro

Ontem, pelas 21 horas decorreu mais um encontro dos membros do Clube de Leitura, que desta vez conversaram sobre a obra mais recente de Valter Hugo Mãe "A desumanização".

Esta obra remete-nos para a distante Islândia, zona geológica das mais recentes do planeta,  terra de Trolls e de Elfos, de cantores e contadores de histórias, com paisagens vulcânicas e glaciares, de noites e dias sem fim, de auroras boreais e de céus dramáticos, de montanhas coloridas e de praias monocromáticas, de fogo e de gelo.

A paisagem inóspita e agressiva é o ponto de partida para justificar o deambular destes seres humanos tão complexos, de vivências plurais mas ao mesmo tempo afogados numa imensa solidão.

Foi consensual que o livro é um lamento de uma infinita tristeza sobre as angústias da vida e da morte, descritas de uma forma grotesca e ao mesmo tempo sublime, rico em metáforas e de característica poética, em que a certa altura a poesia é definida como "a linguagem segundo a qual deus escreveu o mundo" ou ainda na comparação do mar a um "diamante líquido".

Não faltam ainda várias referência a livros e à leitura em que "Os livros eram ladrões. Roubavam-nos do que nos acontecia. Mas também eram generosos. Ofereciam-nos o que não nos acontecia".

No final o autor confessa "que este livro é uma declaração de amor esquisita, mas é a mais sincera declaração de amor aos fiordes do oeste islandês".

Obrigada VHM por nos teres proporcionado não só uma viagem à Islândia mas também à misteriosa aventura aos mais recônditos recantos dos seres humanos.


"A Islândia pensa"
"A Islândia é temperamental"
"imatura como as crianças, mimada"
"Tem uma idade geológica pueril"
"É, no cômputo do mundo, infante."
"Por viver a infância, decide com muito erro, agressiva e exuberantemente"
"A Islândia era uma caldeira, uma panela de pedra sobre uma caldeira"
..."os vulcões em erupção eram montanhas voadoras que alavam"...




segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

LEITURA DE FEVEREIRO







Livro indicado: “Desumanização” de Valter Hugo Mãe
Destinatários: público em geral
Data:27 Fevereiro 2014
Horário: 21h00 às 22h00










Sinopse
«Mais tarde, também eu arrancarei o coração do peito para o secar como um trapo e usar limpando apenas as coisas mais estúpidas.»

Passado nos recônditos fiordes islandeses, este romance é a voz de uma menina diferente que nos conta o que sobra depois de perder a irmã gémea. Um livro de profunda delicadeza em que a disciplina da tristeza não impede uma certa redenção e o permanente assombro da beleza.
O livro mais plástico de Valter Hugo Mãe. Um livro de ver. Uma utopia de purificar a experiência difícil e maravilhosa de se estar vivo.


Valter Hugo Mãe nasceu em Saurimo, Angola, no ano de 1971. Licenciado em Direito, pós-graduado em Literatura Portuguesa Moderna e Contemporânea. Vive em Vila do Conde. Publicou cinco romances: O filho de mil homens (2011), A máquina de fazer espanhóis (2010) O apocalipse dos trabalhadores (2008), O remorso de baltazar Serapião, vencedor do Prémio José Saramago (2006) e O nosso reino (2004). A sua obra poética está revista e reunida no volume Contabilidade (Objectiva/Alfaguara, 2010). É autor dos livros para os mais novos: O rosto (Agosto 2010), As mais belas coisas do mundo (Agosto 2010), A verdadeira história dos pássaros (2009) e A história do homem calado (2009). Escreve a crónica Autobiografia imaginária no Jornal de Letras. Valter Hugo Mãe é vocalista do grupo musical Governo e esporadicamente dedica-se às artes plásticas. Letrista dos músicos/projectos Mundo (...)


Clube de Leitura de janeiro


Ontem, pelas 21 horas decorreu mais uma sessão do Clube de Leitura, onde "A Infância de Jesus" de J. M. Coetzee, prémio Nobel 2003, foi a obra abordada.

Uma história dos nossos dias na qual estão presentes todos os ingredientes da atualidade.
Um homem bom, um menino hiperativo e muito inteligente que consegue colocar todos os adultos à sua volta, em intensa atividade física e intelectual, que tem como livro de referência uma versão infantil de "D. Quixote".

A obra aborda todos os problemas da actualidade como a emigração e as dificuldade de adaptação, o valor de trabalho como forma de subsistência, a importância da família, do ensino e dos seus métodos, a ágora como ponto de encontro e de debate, a filosofia, a amizade, os afetos e o amor.

Durante toda a obra deslizámos numa tentativa de estabelecer paralelismos entre as personagens do livro e as personagens biblicas como a mãe de Jesus, o arcanjo S. Gabriel que anuncia à virgem os seus cuidados com o novo ser, S. José, e até um Mefistófeles mau, perverso e tentador.