segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

CLUBE DE LEITURA - FEVEREIRO

Sinopse:
 
Kazuo Ishiguro foi elogiado no Sunday Times por «ampliar as possibilidades da ficção». Em "Nunca Me Deixes", que se encontra certamente entre as suas melhores obras, conta-nos uma extraordinária história de amor, perda e verdades escondidas.
Kathy, Ruth e Tommy cresceram em Hailsham – um colégio interno idílico situado algures na província inglesa. Foram educados com esmero, cuidadosamente protegidos do mundo exterior e levados a crer que eram especiais. Mas o que os espera para além dos muros de Hailsham? Qual é, de facto, a sua razão de ser?
Só vários anos mais tarde, Kathy, agora uma jovem mulher de 31 anos, se permite ceder aos apelos da memória. O que se segue é a perturbadora história de como Kathy, Ruth e Tommy enfrentam aos poucos a verdade sobre uma infância aparentemente feliz — e sobre o futuro que lhes está destinado.
Nunca Me Deixes é um romance profundamente comovedor, atravessado por uma percepção singular da fragilidade da vida humana. 
 
 
 
Críticas de imprensa

"(...) a verdade é que este livro não é, apesar dos clones, seus protagonistas, nem estapafúrdio, nem reduzível a ficção científica (se é que essa categoria é, como alguns defendem, artisticamente inferior). Em poucas palavras, Ishiguro procura explorar, através das figuras de Kathy, Ruth e Tommy (são eles os referidos clones, concebidos como meros doadores de órgãos), as fronteiras do humano. E fá-lo de uma maneira muito curiosa, usando como lupa coisas das mais humanas que os humanos podem ter: recordações da infância, sentimentos, impulsos artísticos, traumas, segredos. Será que estes clones têm alma?"
Humberto Brito 
 
"Já considerado como a sua melhor obra depois de 'Os Despojos do Dia' o livro 'Nunca me Deixes' foi anunciado como um dos seis finalistas do Prémio Booker deste ano. [...] O registo, em tom de 'thriller' contemporâneo pode estar longe do dos mais conhecidos romances históricos de Ishiguro, mas as questões são as mesmas: a solidão, o desajuste em relação ao mundo e a recusa em encarar uma realidade dura mas por demais evidente."
Vanessa Rato, Público, Mil Folhas



Quem é Kazuo Ishiguro?
Kazuo Ishiguro (カズオ・イシグロKazuo Ishiguro, anteriormente 石黒一雄Ishiguro Kazuo), (Nagasaki, Japão, 8 de novembro de 1954), é um escritor nipo britânico.
 
O romancista Kazuo Ishiguro nasceu em Nagasaki, Japão, mas aos seis anos emigrou com a família para a Inglaterra. Os seus pais planeavam voltar ao seu país, mas por diversas circunstâncias foram ficando, e Kazuo cresceu sobre a influência das duas culturas. Na sua adolescência sonhava ser um músico, actuando em vários clubes e enviando gravações a várias editoras. Sendo rejeitado por estas, e não tendo futuro com a música, decide dedicar-se à escrita. Estudou nas universidades de Kent e East Anglia, no curso de "escrita criativa" que o escritor Malcolm Bradbury estabeleceu e no qual era ainda professor. Ishiguro define-se como sendo um escritor que deseja escrever novelas internacionais.
Antes de escrever os seus aclamados romances, Ishiguro publicou vários contos e artigos em revistas, na década de 1980.

Kazuo Ishiguro é autor de cinco outros romances, três dos quais editados pela Gradiva — Os Despojos do Dia (1989, vencedor do Booker Prize), Os Inconsoláveis (1995, vencedor do Cheltenham Prize) e Quando Éramos Órfãos (2000, nomeado para o Booker). Em 1995 foi feito OBE (Oficial da Ordem do Império Britânico) por serviços prestados à literatura e em 1998 recebeu a condecoração de Chevalier de L’Ordre des Arts et des Lettres da República Francesa.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

CLUBE DE LEITURA DE JANEIRO

Ontem, pelas 21h00 decorreu mais uma sessão do Clube de Leitura, desta vez dedicada à obra "Se numa noite de Inverno um viajante" de Italo Calvino.

Foi unânime a opinião de que se trata de uma obra com uma certa complexidade, resultado  de uma experimentação de novas técnicas literárias por parte do autor em 1979 e que tem influenciado um novo tipo literário, que obriga o leitor a um exercício quase matemático.

No entanto, desde a introdução, o romance foca-se essencialmente no prazer da leitura fìsica e psicológica em que "o protagonista é o leitor, que dez vezes começa a ler um livro que, devido a vicissitudes estranhas à sua vontade, não consegue acabar. Tive, pois, que escrever o início de dez romances de autores imaginários, todos eles de alguma forma diferentes de mim e diferentes entre si."

Por isso, muitas vezes "Vivemos num mundo de histórias que começam e não acabam".



terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Ainda a propósito da visita-surpresa de Pedro Guilherme-Moreira


E se …em novembro com Pedro Guilherme-Moreira

E se a sessão de novembro do Clube de Leitura fosse semelhantemente diferente dos encontros anteriores?
E se a estilística, que enforma o texto literário, fizesse questão de se explicar, presentificando-se?
E se a antítese e o paradoxo exigissem que o Livro sem Ninguém trouxesse alguém? 
E se as metonímias fossem capazes de nos fazer visualizar personagens inexistentes?
E se as sinestesias e o cromatismo das casas nos devolvessem o enredo metafórico da cidade e dos seus tipos sociais?
E se a antonomásia nos permitisse viajar à infância que trazemos já-já-aqui no bolso recuperando-a, no logo-logo-ali das angústias do quotidiano?
E se a imagética deste livro fizesse nascer um diálogo com o desenho?
E se o “se” deixasse de ser plural, em anáfora, e desse lugar ao “efetivamente”?

Então… estaríamos a explicar o que aconteceu quando decidimos falar do Livro sem Ninguém… Estaríamos a contar como o seu autor, Pedro Guilherme-Moreira, vindo da chuva, do vento e duma bicicleta que suplantou um automóvel, nos trouxe a simpatia das palavras comunicativas que viajaram por livros e pessoas… e contornaram a Ignorância, revelando o poeta que polariza o dizer poético da atualidade.

Cristina Marques

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

LEITURA DE JANEIRO 2015


"Se numa noite de Inverno um viajante" de Italo Calvino foi a obra selecionada para o Clube de Leitura da Biblioteca para o mês de Janeiro de 2015.
A sessão será no dia 29 de Janeiro, 5ª feira, pelas 21 horas.
Boas Leituras!

Sinopse: É um romance sobre o prazer de ler romances; o protagonista é o leitor, que dez vezes começa a ler um livro que, devido a vicissitudes estranhas à sua vontade, não consegue acabar. Tive, pois, que escrever o início de dez romances de autores imaginários, todos eles de alguma forma diferentes de mim e diferentes entre si. 
 «Vivemos num mundo de histórias que começam e não acabam»
Italo Calvino 


Jornalista, contista e romancista italiano, Italo Calvino nasceu a 15 de Outubro de 1923 em Santiago de Las Vegas, na ilha de Cuba. Ainda criança acompanhou os pais na sua mudança para São Remo, em Itália. Em 1940, e em consequência da deflagração da Segunda Guerra Mundial, Calvino foi recrutado para a Mocidade Fascista, mas desertou pouco tempo depois, refugiando-se nas montanhas da Ligúria, onde se juntou à Resistência Comunista. 

Pôde, no entanto, ingressar no curso de Literatura da Universidade Turim em 1941 mas, e com uma passagem pela Real Universidade de Florença, só conseguiu licenciar-se após a guerra, em 1947. Nesse mesmo ano publicou o seu primeiro romance, com o título Il sentiero dei nidi di ragno (1947). A obra remetia para as suas experiências enquanto activo da resistência italiana e foi bem acolhida pela crítica, sobretudo devido aos trejeitos que Calvino dava à narrativa.
Em 1949 publicou uma colectânea de contos, também dedicados à problemática de guerra, que haviam já aparecido em publicações periódicas. A colaboração de Calvino com a imprensa havia começado em meados de 1945, no jornal comunista L'Unittá , prosseguindo em títulos como Il Garibaldino, voce della Democracia e La Republica .
Após a publicação de Il visconte dimezzato (1954), o autor abandonou o tema da guerra recente, preferindo o absurdo e o fantástico ao neo-realismo com que havia pautado o seu trabalho. A obra, que inaugurava uma trilogia também composta pelos volumes Il barone rampante (1957) e Il cavaliere inesistente (1959), e que causou fortes polémicas no seio do Partido Comunista Italiano, contava a história de um homem mutilado por uma bala de canhão durante a tomada de Constantinopla.
Calvino procurava assim demonstrar o seu desagrado perante o partido, que abandonou após os acontecimentos da Primavera de Praga. Sentiu que o seu esforço literário era mais necessário na imprensa, pelo que se passou a concentrar mais na carreira como jornalista do que como romancista.
Em 1959 viajou pelos Estados Unidos da América, formulando um contraste com a sua visita à União Soviética em 1952. De regresso, começou a editar a revista Il Menabó Di Letteratura , em colaboração com Elio Vittorini. Mantendo sempre um olhar crítico sobre a sociedade, entrelaçada na consciência individual e na inércia dos eventos históricos, publicou Marcovalco (1963), uma colectânea de fábulas em que criticava o modo de vida das cidades, destrutivo e vazio. Marcovalco era apresentado como um homem de família sonhador que, permanecendo na sua cidade durante o mês de Agosto, quando todos os outros habitantes partiram para férias, vê o seu descanso ser interrompido por uma equipa de televisão que o quer entrevistar, precisamente por ter sido o único a renunciar às estâncias balneares.
Em 1972 publicou Le Cittá Invisibli , romance em que o lendário explorador Marco Polo se dedicava a contar histórias de cidades fictícias para o divertimento de Kublai Khan, e que valeu ao autor o conceituado Prémio Felrinelli. A sua obra mais conhecida, Se una notte d'inverno un viaggiatore (Se numa Noite de Inverno um Viajante ) apareceu em 1979. Palomar (1983), descrevia as contemplações filosóficas de um homem aparentemente simples.
Italo Calvino faleceu a 19 de Setembro de 1985, em Siena, vítima de uma hemorragia cerebral.
Italo Calvino. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

CLUBE DE LEITURA DE DEZEMBRO

Ontem, decorreu mais uma animada sessão do Clube de Leitura desta vez dedicada à obra "Um Natal e outras histórias" do escritor e jornalista norte-americano Truman Capote. 

Neste curto e comovente conto é uma criança que fala. Um rapazinho, filho de pais separados e educado por uma velha prima, vê-se obrigado a passar o Natal com o pai, em Nova Orleães, onde espera ver finalmente a neve. Mas não há neve nem milagres junto de um homem rodeado de mulheres que procura exprimir uma ternura que o rapazinho compreende mal.

Trata-se de uma narrativa autobiográfica da sua infância, cheia de emoções,  com momentos de entusiamo, seguida da decepção e por fim a aceitação da realidade e uma fuga para a frente, fases que todos sentem na pele ao longo da vida.

Nesta sessão, mais parecendo um encontro de velhas amigas, com chá, bolos natalícios e até troca de receitas culinárias pelo meio, ficou a vontade de mergulhar em mais alguns livros deste autor e uma irresistível curiosidade por rever o filme biográfico "Capote", dirigida por Bennett Miller e interpretada pelo já falecido ator Philip Seymor Hoffman, no qual surge também a personagem Harper Lee, que era sua amiga inseparável.

A próxima sessão do Clube de Leitura será no dia 29 de Janeiro, pelas 21 horas, com a obra  "Se numa noite de Inverno um viajante" de Italo Calvino.

Até lá, ÓPTIMO NATAL E MUITAS PRENDAS LITERÁRIAS!







 

LEITURA DE DEZEMBRO


Na próxima 4ª feira, dia 10 de Dezembro, decorrerá uma sessão extraordinária do Clube de Leitura, na qual será abordada a obra "Um Natal e outras histórias" de Truman Capote.


Sinopse:
Este curto texto lembra-nos que Truman Capote também em alguns dos seus livros (A Harpa de Ervas, por exemplo) foi um poeta da prosa que punha em cena jovens inquietos e difíceis com pouca vontade de crescer.
Aqui, é uma criança que fala. Um rapazinho, filho de pais separados e educado por uma velha prima, vê-se obrigado a passar o Natal com o pai, em Nova Orleães, onde espera ver finalmente a neve. Mas não há neve nem milagres junto de um homem rodeado de mulheres que procura exprimir uma ternura que o rapazinho compreende mal.
Encontro falhado e tanto mais doloroso quanto foi vivido com uma espécie de doçura tão implacável como a violência. Truman Capote nunca levanta a voz para nos falar dessa perturbação íntima. Para descrever algo tão secreto como um desgosto infantil, a densidade e a emoção contida destas páginas são a mais perfeita das realizações. 


Críticas de imprensa
«Quando Truman Capote mete ombros à tarefa de, em jeito de ficção, relatar um episódio ligado à sua própria infância, o resultado é este pequeno conto, historieta de nada e de tudo, onde se contêm emoções autênticas na malha apertada de uma técnica narrativa excepcional. Magnífica colecção da Difel, exemplo máximo da máxima small is beautiful.»

Expresso


Truman Capote, escritor norte-americano nascido em 1924, em Nova Orleães, e falecido em 1984. Oriundo de uma família de origem espanhola, viveu no Alabama e concluiu os seus estudos médios em Nova Iorque. Após ter iniciado colaboração em revistas, publicou o seu primeiro romance, Other Voices, Other Rooms, em 1948. Membro do Instituto Nacional das Artes e Letras, recebeu diversas distinções, entre as quais o Prémio Memorial O. Henry de 1946, 1948 e 1951, e o Prémio de Escrita Criativa do Instituto Nacional de Artes e Letras, em 1959.
Publicou uma vasta obra, destacando-se Local Color (ensaio, 1950), The Grass Harp (romance, 1951), Breakfast at Tiffany's (contos, 1958) e Then It All Came Down (romance, 1976). Sobre o seu romance publicado em 1964, In Cold Blood (A Sangue Frio), Bennett Miller realizou Capote, um filme que valeu a Philip Seymour Hoffman, ator que vestiu a pele do escritor, vários prémios, nomeadamente o Óscar de Melhor Ator Principal.