sexta-feira, 6 de março de 2015

CLUBE DE LEITURA - MARÇO

A sessão do dia 25 de março, anteriormente prevista para 28 de fevereiro, foi dedicada à obra "Nunca me deixes" do escritor nipo-britânico Kazuo Ishiguro, que faz parte de uma lista dos 50 melhores escritores ingleses. 
Trata-se de uma novela de ficção científica com tónica futurista, considerada pelo Times e celebrada com prémios atribuídos tão importantes como o National Book Critics Circle e ALA Alex Award.
A leitura desta obra, apesar de alguns vazios de informação, permitiu abordar o tema da clonagem e interiorizar as consequências a todos os níveis sobre a desumanidade deste tipo de desenvolvimento científico.
Enfim, é uma verdadeira parábola sobre a mortalidade. 
Em 2010 a obra foi adaptada para filme sob a direcção Mark Romanek. 
Let's look at the trailler...  :) 





A sessão do dia 5 de março do Clube de Leitura foi dedicada à Poesia e teve uma animada participação.
Todas as pessoas presentes puderam ler os poemas e dar voz aos seus poetas preferidos, ganhando coragem para mostrar os seus dotes de "diseur". 
Na mesa estiveram presentes também objectos relacionados ou com o tema do poema ou com os objectos de uso pessoal dos poetas. 
Alguma poesia triste, reflexiva, instrospectiva e muitas outras carregadas de humor. 
Não faltaram à sessão um Camões efeminado, um Jorge Sousa Braga atrevido, um Nuno Júdice brincalhão, um Prévert comovente e até um poema inédito do sanjoanense Ângelo Vieira Araújo, que nunca foi publicado. 
Como não podia deixar de ser Cesário Verde, Sophia de Melo Breyner Andresen, Eugénio de Andrade, Ruy Belo, Daniel Faria, Maria do Rosário Pedreira, António Gedeão, Carlos Drumond de Andrade e, claro, Fernando Fessoa, estiveram presentes através das suas palavras. 
Viva a Poesia e quem ainda a desfruta!





segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

CLUBE DE LEITURA - FEVEREIRO

Sinopse:
 
Kazuo Ishiguro foi elogiado no Sunday Times por «ampliar as possibilidades da ficção». Em "Nunca Me Deixes", que se encontra certamente entre as suas melhores obras, conta-nos uma extraordinária história de amor, perda e verdades escondidas.
Kathy, Ruth e Tommy cresceram em Hailsham – um colégio interno idílico situado algures na província inglesa. Foram educados com esmero, cuidadosamente protegidos do mundo exterior e levados a crer que eram especiais. Mas o que os espera para além dos muros de Hailsham? Qual é, de facto, a sua razão de ser?
Só vários anos mais tarde, Kathy, agora uma jovem mulher de 31 anos, se permite ceder aos apelos da memória. O que se segue é a perturbadora história de como Kathy, Ruth e Tommy enfrentam aos poucos a verdade sobre uma infância aparentemente feliz — e sobre o futuro que lhes está destinado.
Nunca Me Deixes é um romance profundamente comovedor, atravessado por uma percepção singular da fragilidade da vida humana. 
 
 
 
Críticas de imprensa

"(...) a verdade é que este livro não é, apesar dos clones, seus protagonistas, nem estapafúrdio, nem reduzível a ficção científica (se é que essa categoria é, como alguns defendem, artisticamente inferior). Em poucas palavras, Ishiguro procura explorar, através das figuras de Kathy, Ruth e Tommy (são eles os referidos clones, concebidos como meros doadores de órgãos), as fronteiras do humano. E fá-lo de uma maneira muito curiosa, usando como lupa coisas das mais humanas que os humanos podem ter: recordações da infância, sentimentos, impulsos artísticos, traumas, segredos. Será que estes clones têm alma?"
Humberto Brito 
 
"Já considerado como a sua melhor obra depois de 'Os Despojos do Dia' o livro 'Nunca me Deixes' foi anunciado como um dos seis finalistas do Prémio Booker deste ano. [...] O registo, em tom de 'thriller' contemporâneo pode estar longe do dos mais conhecidos romances históricos de Ishiguro, mas as questões são as mesmas: a solidão, o desajuste em relação ao mundo e a recusa em encarar uma realidade dura mas por demais evidente."
Vanessa Rato, Público, Mil Folhas



Quem é Kazuo Ishiguro?
Kazuo Ishiguro (カズオ・イシグロKazuo Ishiguro, anteriormente 石黒一雄Ishiguro Kazuo), (Nagasaki, Japão, 8 de novembro de 1954), é um escritor nipo britânico.
 
O romancista Kazuo Ishiguro nasceu em Nagasaki, Japão, mas aos seis anos emigrou com a família para a Inglaterra. Os seus pais planeavam voltar ao seu país, mas por diversas circunstâncias foram ficando, e Kazuo cresceu sobre a influência das duas culturas. Na sua adolescência sonhava ser um músico, actuando em vários clubes e enviando gravações a várias editoras. Sendo rejeitado por estas, e não tendo futuro com a música, decide dedicar-se à escrita. Estudou nas universidades de Kent e East Anglia, no curso de "escrita criativa" que o escritor Malcolm Bradbury estabeleceu e no qual era ainda professor. Ishiguro define-se como sendo um escritor que deseja escrever novelas internacionais.
Antes de escrever os seus aclamados romances, Ishiguro publicou vários contos e artigos em revistas, na década de 1980.

Kazuo Ishiguro é autor de cinco outros romances, três dos quais editados pela Gradiva — Os Despojos do Dia (1989, vencedor do Booker Prize), Os Inconsoláveis (1995, vencedor do Cheltenham Prize) e Quando Éramos Órfãos (2000, nomeado para o Booker). Em 1995 foi feito OBE (Oficial da Ordem do Império Britânico) por serviços prestados à literatura e em 1998 recebeu a condecoração de Chevalier de L’Ordre des Arts et des Lettres da República Francesa.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

CLUBE DE LEITURA DE JANEIRO

Ontem, pelas 21h00 decorreu mais uma sessão do Clube de Leitura, desta vez dedicada à obra "Se numa noite de Inverno um viajante" de Italo Calvino.

Foi unânime a opinião de que se trata de uma obra com uma certa complexidade, resultado  de uma experimentação de novas técnicas literárias por parte do autor em 1979 e que tem influenciado um novo tipo literário, que obriga o leitor a um exercício quase matemático.

No entanto, desde a introdução, o romance foca-se essencialmente no prazer da leitura fìsica e psicológica em que "o protagonista é o leitor, que dez vezes começa a ler um livro que, devido a vicissitudes estranhas à sua vontade, não consegue acabar. Tive, pois, que escrever o início de dez romances de autores imaginários, todos eles de alguma forma diferentes de mim e diferentes entre si."

Por isso, muitas vezes "Vivemos num mundo de histórias que começam e não acabam".



terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Ainda a propósito da visita-surpresa de Pedro Guilherme-Moreira


E se …em novembro com Pedro Guilherme-Moreira

E se a sessão de novembro do Clube de Leitura fosse semelhantemente diferente dos encontros anteriores?
E se a estilística, que enforma o texto literário, fizesse questão de se explicar, presentificando-se?
E se a antítese e o paradoxo exigissem que o Livro sem Ninguém trouxesse alguém? 
E se as metonímias fossem capazes de nos fazer visualizar personagens inexistentes?
E se as sinestesias e o cromatismo das casas nos devolvessem o enredo metafórico da cidade e dos seus tipos sociais?
E se a antonomásia nos permitisse viajar à infância que trazemos já-já-aqui no bolso recuperando-a, no logo-logo-ali das angústias do quotidiano?
E se a imagética deste livro fizesse nascer um diálogo com o desenho?
E se o “se” deixasse de ser plural, em anáfora, e desse lugar ao “efetivamente”?

Então… estaríamos a explicar o que aconteceu quando decidimos falar do Livro sem Ninguém… Estaríamos a contar como o seu autor, Pedro Guilherme-Moreira, vindo da chuva, do vento e duma bicicleta que suplantou um automóvel, nos trouxe a simpatia das palavras comunicativas que viajaram por livros e pessoas… e contornaram a Ignorância, revelando o poeta que polariza o dizer poético da atualidade.

Cristina Marques

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

LEITURA DE JANEIRO 2015


"Se numa noite de Inverno um viajante" de Italo Calvino foi a obra selecionada para o Clube de Leitura da Biblioteca para o mês de Janeiro de 2015.
A sessão será no dia 29 de Janeiro, 5ª feira, pelas 21 horas.
Boas Leituras!

Sinopse: É um romance sobre o prazer de ler romances; o protagonista é o leitor, que dez vezes começa a ler um livro que, devido a vicissitudes estranhas à sua vontade, não consegue acabar. Tive, pois, que escrever o início de dez romances de autores imaginários, todos eles de alguma forma diferentes de mim e diferentes entre si. 
 «Vivemos num mundo de histórias que começam e não acabam»
Italo Calvino 


Jornalista, contista e romancista italiano, Italo Calvino nasceu a 15 de Outubro de 1923 em Santiago de Las Vegas, na ilha de Cuba. Ainda criança acompanhou os pais na sua mudança para São Remo, em Itália. Em 1940, e em consequência da deflagração da Segunda Guerra Mundial, Calvino foi recrutado para a Mocidade Fascista, mas desertou pouco tempo depois, refugiando-se nas montanhas da Ligúria, onde se juntou à Resistência Comunista. 

Pôde, no entanto, ingressar no curso de Literatura da Universidade Turim em 1941 mas, e com uma passagem pela Real Universidade de Florença, só conseguiu licenciar-se após a guerra, em 1947. Nesse mesmo ano publicou o seu primeiro romance, com o título Il sentiero dei nidi di ragno (1947). A obra remetia para as suas experiências enquanto activo da resistência italiana e foi bem acolhida pela crítica, sobretudo devido aos trejeitos que Calvino dava à narrativa.
Em 1949 publicou uma colectânea de contos, também dedicados à problemática de guerra, que haviam já aparecido em publicações periódicas. A colaboração de Calvino com a imprensa havia começado em meados de 1945, no jornal comunista L'Unittá , prosseguindo em títulos como Il Garibaldino, voce della Democracia e La Republica .
Após a publicação de Il visconte dimezzato (1954), o autor abandonou o tema da guerra recente, preferindo o absurdo e o fantástico ao neo-realismo com que havia pautado o seu trabalho. A obra, que inaugurava uma trilogia também composta pelos volumes Il barone rampante (1957) e Il cavaliere inesistente (1959), e que causou fortes polémicas no seio do Partido Comunista Italiano, contava a história de um homem mutilado por uma bala de canhão durante a tomada de Constantinopla.
Calvino procurava assim demonstrar o seu desagrado perante o partido, que abandonou após os acontecimentos da Primavera de Praga. Sentiu que o seu esforço literário era mais necessário na imprensa, pelo que se passou a concentrar mais na carreira como jornalista do que como romancista.
Em 1959 viajou pelos Estados Unidos da América, formulando um contraste com a sua visita à União Soviética em 1952. De regresso, começou a editar a revista Il Menabó Di Letteratura , em colaboração com Elio Vittorini. Mantendo sempre um olhar crítico sobre a sociedade, entrelaçada na consciência individual e na inércia dos eventos históricos, publicou Marcovalco (1963), uma colectânea de fábulas em que criticava o modo de vida das cidades, destrutivo e vazio. Marcovalco era apresentado como um homem de família sonhador que, permanecendo na sua cidade durante o mês de Agosto, quando todos os outros habitantes partiram para férias, vê o seu descanso ser interrompido por uma equipa de televisão que o quer entrevistar, precisamente por ter sido o único a renunciar às estâncias balneares.
Em 1972 publicou Le Cittá Invisibli , romance em que o lendário explorador Marco Polo se dedicava a contar histórias de cidades fictícias para o divertimento de Kublai Khan, e que valeu ao autor o conceituado Prémio Felrinelli. A sua obra mais conhecida, Se una notte d'inverno un viaggiatore (Se numa Noite de Inverno um Viajante ) apareceu em 1979. Palomar (1983), descrevia as contemplações filosóficas de um homem aparentemente simples.
Italo Calvino faleceu a 19 de Setembro de 1985, em Siena, vítima de uma hemorragia cerebral.
Italo Calvino. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2008.