quinta-feira, 30 de julho de 2015

CLUBE DE LEITURA - JULHO

Ontem, pelas 21 horas, na Biblioteca Municipal, decorreu mais uma sessão do Clube de Leitura de Julho, desta vez dedicada às obras de carácter juvenil "O rapaz dos sapatos prateados" de Álvaro Magalhães e  "Do cinzento ao azul celeste" de Ana Oliveira.
Foi consensual que a primeira obra nos remete para outras obras semelhantes como por exemplo "As aventuras de Adrien Mole", que tanto sucesso fez, há trinta anos atrás, entres adolescentes e adultos.
Esta obra cheia de metáforas, descreve a mente de um rapaz, num percurso que vai desde a infância à adolescência.
De um forte sentido crítico, em constante inquietação com os adultos e o mundo que o rodeia, com momento tão belos, reveladores de um grande amor à poesia em que o gato se chama soneto, o jardim de Éden e a maçã oferecida ao jovem casal, por uma empregada, que segundo o rapaz, não tinha cara de empregada e a certa altura confessa "que eu saiba só os políticos têm cara de políticos".

De seguida abordou-se a obra "Do cinzento ao azul celeste" de Ana Oliveira, que nos conta a história do 25 de Abril, na perspetiva de um adolescente desmotivado, que não gosta da escola e quase rejeita a aprendizagem.
Trata-se de um belo e poético livro, magnificamente ilustrado, cheio de imaginação e pedagogia motivacional.

E, nesta história sobre o 25 de Abril, não falta também o velho poema de Manuel Alegre...

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

BOAS LEITURAS! BOAS FÉRIAS!



sexta-feira, 26 de junho de 2015

CLUBE DE LEITURA - JUNHO

Ontem, pelas 21 horas, decorreu mais uma sessão do Clube de Leitura, desta vez para abordar a obra profética "Admirável mundo novo" de Aldous Huxley (1894-1963).

"Admirável Mundo Novo (Brave New World na versão original em língua inglesa) é um romance distópico escrito por Aldous Huxley e publicado em 1932 que narra um hipotético futuro onde as pessoas são pré-condicionada biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas. A sociedade desse "futuro" criado por Huxley não possui a ética religiosa e valores morais que regem a sociedade atual. As pessoas são educadas desde jovens a ignorarem tudo que possa levar a um pensamento crítico, como por exemplo, os bebés são intimidados a sentirem medo de tocar em um livro. Qualquer dúvida e insegurança dos cidadãos era dissipada com o consumo da droga sem efeitos colaterais aparentes chamada "soma". As crianças têm educação sexual desde os mais tenros anos da vida. O conceito de família também não existe."

Trata-se de uma parábola sobre a desumanização dos seres humanos e como refere Nicolas Berdiaeff, as utopias são realizáveis, mas por vezes os resultados dessas utopias são tão ameaçadoras que a humanidade quer regressar a uma sociedade menos utópica, menos perfeita, mas mais livre.

Como esta obra foi publicada em 1932, entre as duas grandes guerras, terá servido de inspiração para muito de desumano que se passou durante a Segunda Guerra Mundial, por isso, o prefácio do autor em 1946, tem como primeiras palavras o "remorso crónico".

O futuro descrito nesta obra, não estaremos a experimentá-lo, de alguma forma, no nosso dia a dia?

Meditemos! É para isso que são feitas as obras primas...







segunda-feira, 22 de junho de 2015

LEITURA DE JUNHO


Livro indicado: “Admirável mundo novo” de Aldous Huxley

Destinatários:  público em geral

Data:  25 junho 2015


Horário:  21h00  às 22h00







Sinopse
Publicado em 1932, Admirável Mundo Novo tornar-se-ia um dos mais extraordinários sucessos literários europeus das décadas seguintes. O livro descreve uma sociedade futura em que as pessoas seriam condicionadas em termos genéticos e psicológicos, a fim de se conformarem com as regras sociais dominantes. Tal sociedade dividir-se-ia em castas e desconheceria os conceitos de família e de moral. Contudo, esse mundo quase irrespirável não deixa de gerar os seus anticorpos. Bernard Marx, o protagonista, sente-se descontente com ele, em parte por ser fisicamente diferente dos restantes membros da sua casta. Então, numa espécie de reserva histórica em que algumas pessoas continuam a viver de acordo com valores e regras do passado, Bernard encontra um jovem que irá apresentar à sociedade asséptica do seu tempo, como um exemplo de outra forma de ser e de viver. Sem imaginar sequer os problemas e os conflitos que essa sua decisão provocará. Admirável Mundo Novo é um aviso, um apelo à consciência dos homens. É uma denúncia do perigo que ameaça a humanidade, se a tempo não fechar os ouvidos ao canto da sereia de uma falsa noção de progresso.
Aldous Huxley

Escritor inglês nascido a 26 de Julho de 1864, no Surrey (Inglaterra), e falecido a 22 de Novembro de 1963, em Los Angeles (EUA). Neto do biólogo Thomas Henry Huxley e filho do escritor Leonard Huxley, estudou em Eton e formou-se no Balliol College de Oxford em 1916. 
As personagens principais dos seus primeiros livros, como Crome Yellow (1921),Antic Hay (1923), Those Barren Leaves (1925) e Point Counter Point (1928), são geralmente intelectuais e escritores, traçando-se o retrato por vezes irónico e satírico das suas pretensões e desilusões. A partir deste tema, Huxley alarga-se para o tema maior do vazio da sociedade do século XX em livros como Brave New World (Admirável Mundo Novo, 1932). Posteriormente, interessou-se pelo misticismo e pela filosofia hindu: Eyeless In Gaza (1936) e The Perennial Philosophy (1946).
Em 1954 publicou The Doors of Perception, onde relata as suas experiências com a mescalina.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

CLUBE DE LEITURA - MAIO

Sessão animada, bem humorada e com muitas participantes a comentarem, criticarem, analisarem uma obra que expõe a sexualidade nua e crua, sem preconceitos, onde impera o puro prazer carnal.
Mas a obra vai muito para além disso, ficou a ideia consensual do tom inteligente da escrita,  de coloridas descrições de sexo em grupo, lesbianismo, incesto, com referências da cultura europeia e até algumas provocações políticas. 

Envolvido em polémica assim que foi lançado no mercado português, este livro do escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro subiu rapidamente para os tops de vendas, tal como acontecera no Brasil, onde já ultrapassou os cem mil exemplares. Escrito em 1998, por encomenda da Editora Objectiva para uma série de livros sobre os sete pecados capitais, "A Casa dos Budas Ditosos" trata do pecado da luxúria.
É o relato escaldante das memórias de uma velha baiana libertina que reside no Rio de Janeiro. Desde a sua adolescência na Baía, passando pelos Estados Unidos, até ao Rio onde vive, esta mulher seduziu ao longo da vida amigos e familiares, casados ou solteiros, rapazes e garotas, a sós ou em grupo, para participarem nas suas imaginativas actividades sexuais. 
A linguagem do livro é despudoradamente crua, mordaz, corrosiva, mas pontuada por apurado sentido de humor. Alguns chegaram a classificar o livro de pornográfico. Mas o escritor, de 58 anos, descendente de portugueses ,membro da Academia Brasileira de Letras, não se intimida. E afirmou ao jornal "Público": « Eu não me importo que digam que (o meu livro) é pornográfico. Posso não gostar. Mas quem tem boca diz o que quer. Eu escrevi o que quis. Os leitores que decidam. Houve algumas críticas extremamente desfavoráveis mas houve também uma grande repercussão positiva. Aqui no Brasil, o livro está sendo levado a sério. Ainda agora estive na Sociedade de Psicanálise, num debate. E comecei a receber um tal volume de correspondência de mulheres que gostaram da protagonista...»
Críticas de imprensa




segunda-feira, 4 de maio de 2015

LEITURA DE MAIO



Livro indicado: “A casa dos budas ditosos” de João Ubaldo Ribeiro

Destinatários:  público em geral

Data:  28 maio 2015

Horário:  21h00  às 22h00






Sinopse
Envolvido em polémica assim que foi lançado no mercado português, este livro do escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro subiu rapidamente para os tops de vendas, tal como acontecera no Brasil, onde já ultrapassou os cem mil exemplares. Escrito em 1998, por encomenda da Editora Objectiva para uma série de livros sobre os sete pecados capitais, "A Casa dos Budas Ditosos" trata do pecado da luxúria.  É o relato escaldante das memórias de uma velha baiana libertina que reside no Rio de Janeiro. Desde a sua adolescência na Baía, passando pelos Estados Unidos, até ao Rio onde vive, esta mulher seduziu ao longo da vida amigos e familiares, casados ou solteiros, rapazes e garotas, a sós ou em grupo, para participarem nas suas imaginativas actividades sexuais. A linguagem do livro é despudoradamente crua, mordaz, corrosiva, mas pontuada por apurado sentido de humor. Alguns chegaram a classificar o livro de pornográfico. Mas o escritor, de 58 anos, descendente de portugueses ,membro da Academia Brasileira de Letras, não se intimida. E afirmou ao jornal "Público": « Eu não me importo que digam que (o meu livro) é pornográfico. Posso não gostar. Mas quem tem boca diz o que quer. Eu escrevi o que quis. Os leitores que decidam. Houve algumas críticas extremamente desfavoráveis mas houve também uma grande repercussão positiva. Aqui no Brasil, o livro está sendo levado a sério. Ainda agora estive na Sociedade de Psicanálise, num debate. E comecei a receber um tal volume de correspondência de mulheres que gostaram da protagonista...»
João Ubaldo Ribeiro

Jornalista, escritor e argumentista brasileiro nascido a 23 de Janeiro de 1941, na Ilha de Itaparica, Baía. Estreou-se como jornalista em 1957 no Jornal da Bahia. Estudou Direito na Universidade Federal da Baía e, enquanto estudava, participou na edição de jornais e revistas e numa colectânea de contos editada pela universidade em 1961. Em 1963 escreveu o seu primeiro romance, Setembro não faz sentido, que só foi publicado cinco anos mais tarde. Fez o mestrado em Administração Pública e Ciência Política, em 1964, na Universidade da Califórnia do Sul, nos Estados Unidos da América, e, de 1965 a 1971, ingressa na Universidade Federal da Baía como professor de Ciências Políticas. Insatisfeito com a experiência, retoma a sua actividade como jornalista. Em 1971 publica o seu romance Sargento Getúlio, que foi alvo de produção cinematográfica em 1983. Viajou e viveu em vários lugares, entre eles em Portugal, em 1981, em consequência de uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian. Participou em vários eventos culturais no estrangeiro, como o Festival Internacional de Escritores (1982), no Canadá, e a Feira do Livro de Frankfurt (1994), na Alemanha. Professor catedrático na Universidade de Tubigem, na Alemanha, passou a fazer parte da Academia Brasileira de Letras em 1994. Entre as várias obras do autor encontram-se os romances O sorriso do lagarto (1989), alvo da elaboração de uma série televisiva, A casa dos Budas Ditosos (1999) e Diário do Farol (2002), as crónicas Um brasileiro em Berlim (1995) e O Conselheiro Come (2000), e na literatura infanto-juvenil Vida e paixão de Pandomar, o cruel (1983). 
Venceu o prestigiado Prémio Camões em 2008.
Morreu a 18 de julho de 2014, no Rio de Janeiro.

sábado, 2 de maio de 2015

CLUBE DE LEITURA - ABRIL

A sessão de abril do Clube de Leitura da Biblioteca Municipal, decorreu de uma forma muito divertida e participada na abordagem à obra  "Crónica do rei pasmado" de Gonzalo Torrente Ballester. Apesar de estar classificado como romance, esta obra poderia ser designada de novela, usando o autor ingredientes para construir toda a trama, com um grande sentido de humor.

A história parte do facto de facto do Rei, ao  ver pela primeira vez uma mulher nua, ficar tão pasmado que deseja contemplar também a Rainha, sua esposa, nua. Este seria um desejo absolutamente normal e legítimo, não fosse à época, pleno século XVII, um pedido insólito, onde a corte e o clero tinham protocolos que regulamentavam todos actos do rei, sendo mesmo necessário um requerimento formal de cada vez que o Rei quisesse passar a noite no quarto da Rainha tendo, para tal, de apresentar justificação.

As intrigas ganham vida com um conjunto de personagens como Marfisa,  o Conde Peña Andrada, o Primeiro-Ministro, o Valido, os Padres Villaescusa, Luís e Almeida, a Camareira Real e a Madre Superiora, numa Espanha dominada pela Inquisição onde não falta a presença de um jesuíta português...








segunda-feira, 30 de março de 2015

LEITURA DE ABRIL



Crónica D'El rey pasmado" de Gonzalo Torrente Balester será o livro a ser debatido a 30 de Abril, no Clube de Leitura da Biblioteca.

Trata-se de um livro recomendado para o Ensino Secundário como sugestão de leitura, no Plano Nacional de Leitura.




"Tal como acontecera já em Espanha, a Crónica do Rei Pasmado foi um grande êxito em Portugal. Nada mais natural. É que este «scherzo em re(i) maior alegre, mas não demasiado», como o próprio autor lhe chama, é um livro particularmente saboroso, hábil e irónico, narrado com a mestria e a sabedoria de um escritor como Ballester. A partir do pasmo extasiado do rei ao ver pela primeira vez uma mulher nua, e ao querer ver nua também a rainha, toda uma intriga se tece na corte, metendo nobres, inquisidores, uma afamada meretriz, um jesuíta português, a superiora do convento; toda uma tela de uma obra que bem justifica o qualificativo de pitoresca, num divertimento de primeira água."





Gonzalo Torrente Ballester


Escritor espanhol, Gonzalo Torrente Ballester nasceu a 13 de Junho de 1910, numa pequena aldeia da Galiza (Los Corrales de Serantes, em El Ferrol), mas sempre sentiu que tinha nascido na Idade Média de tal modo foi a sua imaginação influenciada pelas lendas rurais. Licenciou-se em Filosofia e Letras na Universidade de Santiago de Compostela e, posteriormente, em Direito e Ciências. Deu aulas em institutos de diversas cidades espanholas, sempre contagiando os alunos com o seu amor pela literatura, nomeadamente por Cervantes e pela figura de D. Quixote. Casou duas vezes. Teve onze filhos, escreveu mais de vinte livros e tinha uma biblioteca com cerca de 12 000 volumes.


Em 1977 ingressou na Real Academia mas foi quando a sua trilogia Los gozos y las sombras (Os Prazeres e as Sombras, publicada entre 1957 e 1962) foi transformada numa série de televisão que ele se tornou reconhecido em toda a Espanha. Em 1991, também Crónica del rey pasmado (Crónica do Rei Pasmado, 1989) viria a ser adaptado ao cinema para o filme realizado por Imanol Uribe.


Numa entrevista cerca de um ano antes de morrer afirmou: "Tive a sorte de ser dos poucos que conseguiram ver as duas faces da lua". Com efeito, a sua obra, irónica e original, sempre soube combinar, por um lado, a luz e a sombra, e, por outro, a racionalidade e a imaginação que o fazia encarar a realidade e o quotidiano como muito mais fantásticos que qualquer ficção.


Veio a falecer no dia 27 de Janeiro de 1999.


Prémios Literários:


Fundação March 1959


Cidade de Barcelona 1973


Príncipe das Astúrias das Letras 1982


Cervantes 1985


Planeta 1988


Azorín 1994


Castilla Y León das Letras 1996