segunda-feira, 2 de maio de 2016

LEITURA DE MAIO


Sinopse:
O livro começa por narrar o velório. Depois, retorna no tempo para mostrar como Ivan Ilitch, um juiz respeitado, conhece a sua esposa, com quem se casa por dinheiro e pela sua beleza.
Após lhe ser apresentada a proposta de se tornar juiz em outra cidade, Ivan Ilitch compra um apartamento para si, a sua mulher e casal de filhos que têm. Ivan muda-se primeiro e inicia as obras para decorar o apartamento da maneira que lhe agradava, mas cai e fere-se na região do rim.
Neste ponto, Ivan Ilitch acredita ter contraído uma doença - que no entanto em momento nenhum é diagnosticada -, a qual gira sempre em torno de um rim ou apêndice doente. Nesse ponto, a grande alavanca da narrativa é a continuidade da vida ou a morte.
À medida que o tempo passa, o ferimento agrava-se, até que a personagem atinge o ponto de não poder mais sair de casa: quando tenta ir trabalhar, não é mais capaz desempenhar as suas funções adequadamente. Restrito ao ambiente familiar, passa a acreditar que em sua casa vive uma mentira, e que a sua família o esconde dos amigos. O seu único prazer é a companhia do filho, de apenas 14 anos, e de um criado seu, por entender que estes jamais lhe mentiriam.
Ivan Ilitch quer morrer, porque será o término da sua dor e da vida de mentiras em que acredita viver, mas o seu instinto de sobrevivência insiste em fazê-lo lutar pela vida, e ele interroga-se: que tipo vida quer ter? O personagem inicia então um longo processo de busca pelo sentido da vida, durante o qual percebe terem sido poucos os momentos da sua existência que tiveram significado. 
Decisões, buscas, gestos, palavras, tudo respostas a necessidades impostas pelo meio social em que nasceu. Quando está prestes a morrer, ele despede-se da família.


«Este livro tão breve, uma das maiores obras-primas do espírito humano, tem sido, desde a sua publicação, um motivo de controvérsia para a crítica: trata-se de uma obra sobre a morte ou de uma obra que nega a morte?»
António Lobo Antunes



«Reparem no que Tolstoi faz com as palavras e como nos retrata, de corpo inteiro, no mais íntimo de nós mesmos».
In prefácio de António Lobo Antunes

6 livros com menos de 100 páginas:
http://www.vereficar.com/6-livros-com-menos-de-100-paginas-que-o-publico-devia-conhecer/









Lev Nikolayevich Tolstoi, mais conhecido em português como Leon, Leão ou Liev Tolstoi (Yasnaya Polyana, 9 de setembro de 1828 - Astapovo, 20 de novembro de 1910) foi um escritor russo.
Além de sua fama como escritor, Tolstoi ficou famoso por tornar-se, na velhice, um pacifista, cujos textos e ideias contrastavam com as igrejas e governos, pregando uma vida simples e em proximidade à natureza.
Junto a Dostoévski, Turgueniev, Gorki, Tchecov, Tolstoi foi um dos grandes mestres da literatura russa do século XIX. Suas obras mais famosas são "Guerra e Paz", sobre as campanhas de Napoleão na Rússia, e "Anna Karenina", onde denuncia o ambiente hipócrita da época e realiza um dos retratos femininos mais profundos e sugestivos da Literatura.
Morreu aos 82 anos, de pneumonia, durante uma fuga de sua casa, buscando viver uma vida simples.




Let's look at... a trailler

Ainda sobre a biografia de Tolstoi, há um filme (disponível na Biblioteca) que, para além de ser lindo e comovente, fornece-nos muita informação sobre a última fase da sua vida.



Chama-se  “A Última Estação”, é sobre a vida de Lev Nikolaievitch Tolstoi (1824—1910), de Michael Hoffman e reconstitui o último ano da vida do autor de Guerra e Paz e Ana Karenina, baseado no livro de Jay Parini.



Sinopse:


1910. Yasnaya Polyana é propriedade de Leon Tolstoi (Christopher Plummer), no entanto ele rejeita a propriedade privada e defende a resistência passiva. Por isto, apesar de ser um dos maiores escritores do mundo, alguns o vêem como algo maior, um santo vivo. Já bem idoso vive lá com Sofya Andreyevna (Helen Mirren), sua esposa. Tolstoi centra a atenção em espalhar sua doutrina com o seu melhor amigo, Vladimir Chertkov (Paul Giamatti), que funda o movimento mundial tolstoiano, cujo quartel general fica em Moscou. Lá Chertkov entrevista Valentin Bulgakov (James McAvoy), que, apesar de ter 23 anos, ambiciona ser o secretário particular de Tolstoi e consegue o cargo. Como Chertkov está impedido de ver Tolstoi, cabe a Bulgakov ir até Yasnaya Polyana e servir de ponte entre Leon e Chertkov. No caminho Bulgakov para em Telyatinki, uma comuna tolstoiana criada por Vladimir Grigorevich como centro do movimento. Lá todos são iguais, seguindo os ensinamentos de Tolstoi. No dia seguinte, Bulgakov chega em Yasnaya Polyana e sente logo que Leon e Sofya divergem bastante. Apesar dela não exigir ser chamada de condessa e Tolstoi, obviamente, não querer ser tratado como conde, há um ar aristocrático em Sofya, que há anos não aceita os objetivos do marido, desde que seu trabalho como novelista se tornou secundário. Após algum tempo, Chertkov vai até Yasnaya Polyana e fica claro que ele e Sofia se suportam (na melhor das hipóteses), pois ela acredita que existe um novo testamento, no qual seu marido cederia seus bens (inclusive os direitos autorais de seus livros) para o movimento mundial tolstoiano.


CLUBE DE LEITURA - ABRIL

Ontem, pelas 21h00, decorreu mais uma sessão do Clube de Leitura para a abordagem da obra "A quinta dos animais" ou "O triunfo dos porcos" de Eric Arthur Blair, sob pseudónimo de George Orwell (1901-1650), romancista, ensaísta, político e jornalista.

Foi consensual entre todas, que esta obra publicada em 1945, escrita durante a Segunda Guerra Mundial, continua a ser de uma atualidade impressionante, perante os acontecimentos mundiais que nos surgem diariamente, numa escalada desenfreada pela instalação no poder e a tirania.

Orwell relata-nos a história de uma revolução entre os animais de uma quinta e o modo como o idealismo foi traído pelo poder, pela corrupção em pela mentira.

Os personagens da fábula não ultrapassam os limites da quinta que simboliza o regime soviético, enquanto as demais quintas, que representam as democracias capitalistas, a história é de humanos e não de animais, e escapa ao livro.

Trata-se de uma crítica aos regimes totalitários, neste caso concreto, ao regime soviético, visto que o autor seria trotskista, divergência que iria marcar a sua conduta e de muitos outros.

Para melhor compreender esta fábula é necessário entender o percurso de vida do escritor nascido na Índia e que com apenas um ano veio para Inglaterra. Nutriu simpatia pela causa anarquista, foi combatente voluntário do lado republicano na Guerra Civil Espanhola, de tendência trostskista, contrário ao totalitarismo soviético e apologista do socialismo democrático.

Está entre os 50 maiores escritores britânicos desde 1945, que com a sua inteligência, perspicácia e um grande sentido de humor continua a ser admirado como visionário também.






 



segunda-feira, 4 de abril de 2016

LEITURA DE ABRIL
















Livro indicado: “O triunfo dos porcos” / “A quinta dos animais” de George Orwell

Data: 28 de Abril de 2016

Horário: 21 horas às 22 horas.

Destinatários: público em geral



Sinopse
Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado no programa de português do 9º ano de escolaridade, destinado a leitura orientada na sala de aula - Grau de Dificuldade II. 

Publicado pela primeira vez em 1945, O Triunfo dos Porcos transformou-se na clássica fábula política deste século. Acrescentando-lhe a sua marca pessoal de mordacidade e perspicácia, George Orwell relata a história de uma revolução entre os animais de uma quinta e o modo como o idealismo foi traído pelo poder, pela corrupção e pela mentira.
George Orwell

George Orwell (1903-1950) é autor de importantes obras de ficção e de não ficção. Em 1945, publicou O Triunfo dos Porcos / A Quinta dos Animais, até hoje a sua obra mais popular a par com 1984, uma sátira pessimista sobre a ameaça de uma tirania totalitária no futuro, publicada em 1949.
Serviu na Polícia Imperial na Birmânia (agora Myanmar) e mais tarde lutou do lado dos Republicanos na Guerra Civil Espanhola. Pertenceu à Home Guard, uma importante organização de defesa do exército britânico, e trabalhou como correspondente de guerra para a BBC durante a Segunda Guerra Mundial.
George Orwell morreu em 1950, em Inglaterra, vítima de tuberculose. Escreveu também, entre outras obras, Dias da Birmânia (1934), O Caminho para Wigan Pier (1937) eHomenagem à Catalunha (1938).

sexta-feira, 1 de abril de 2016

CLUBE DE LEITURA DE MARÇO

A sessão de ontem do Clube de Leitura foi especial e com muitas surpresas. 

Mesmo a fechar o mês de março, o Clube homenageou a Poesia. Foram muitos os poetas que se ouviram pela voz dos membros do clube, como Cochat Osório, Ana Haterly, Florbela Espanca, Ary dos Santos, Miguel Torga, Sophia de Mello 
Breyner, Filipa Leal, Cecília Meireles e Sebastião da Gama. 

Os poemas, lidos com emoção, trouxeram junto memórias de infância, de lugares e paisagens de longe. Falaram de palavras que aproximam, de amor em palavras e imagens, de confissões, de mar, de espelhos e faces. E que belo reflexo o espelho devolveu... Mas também se falou de um manifesto. Pelos leitores de poesia, é claro! E finalizou-se com um hino à vida, ao nascimento, às mães e ouviu-se um poema musicado, acompanhado por chocolates. 

Mas, porque se entranham as leituras feitas neste Clube, vieram de longe outras surpresas doces. Com referências à obra lida no mês anterior "Gaspar, Belchior & Bastasar", em que a existência de uma iguaria transcendente inventada pelo Divino Doceiro, saciaria para sempre aquele que a provasse, um dos membros do clube tendo estado na Turquia, trouxe para a sessão as famosas delícias turcas. E realmente resultou. Ficamos saciadas de doces e palavras. De poesia e de ternura.

"Se os poetas fossem controladores aéreos, haveria tráfego de andorinhas"
(Filipa Leal,  Pelos leitores de poesia)














terça-feira, 22 de março de 2016

LEITURA DE MARÇO







Leitura indicada: Poesia (escolha livre)

Destinatários: público em geral

Data: 31 de Março de 2016

Horário: 21h00 às 22h00

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

CLUBE DE LEITURA - FEVEREIRO

Ontem, pelas 21 horas, decorreu mais uma sessão do clube de leitura, para partilhar impressões do livro Gaspar, Belchior & Baltasar de Michel Tournier, autor que faleceu em janeiro passado. Se a melhor homenagem que se pode fazer a um escritor é ler a sua obra, foi então isso que fizemos. 

Nada melhor do que pegar nas últimas linhas do «POST -SCRIPTUM», para apontar as razões que levaram o autor a efabular uma reinvenção dos Reis Magos: 
"(...) Estas linhas do Evangelho segundo S. Mateus constituem a única menção feita aos reis magos nos textos sagrados. Os evangelhos segundo S. Marcos, Lucas e João não falam neles. Mateus não lhes dá nomes. O número três é geralmente deduzido dos três presentes mencionados: o ouro, o incenso e a mirra. Tudo o resto releva de textos apócrifos e da lenda, incluindo os nomes de Gaspar, Belchior e Baltasar.
O autor tinha portanto a liberdade de inventar, conforme a sua educação cristã e a magnífica iconografia inspirada na adoração dos magos, o destino e a personalidade dos seus heróis.
(...) A lenda do quarto rei mago, vindo de mais longe que os outros, faltando ao encontro a Belém e errando até Sexta-feira Santa, foi várias vezes contada, nomeadamente pelo pastor americano Henry L. Van Dyke (1852-1933) e pelo alemão Edzard Schaper (nascido em 1908), que se inspirou numa lenda ortodoxa russa."

E foi com muito interesse que conhecemos a vida e acompanhamos a viagem de quatro reis, oriundos do Sudão, Iraque, Síria e Índia, que, com as suas motivações (arte, política, amor  e... culinária!) deixaram os seus reinos, para se aventurarem até Jerusalém. 

Só para aguçar a curiosidade, deixamos algumas pistas que os poderão caracterizar:
 - Gaspar, rei de Méroe: "Sou negro, mas sou rei". "A minha curiosidade entra em constante conflito com a reserva e a distância que a realeza impõe".  
 - Baltasar, rei de Nippur: "Quem sabe - disse ele- se o sentido da nossa viagem não se resume a uma exaltação da negritude?" "(...) pretendo-o ainda - o sentido da justiça e o instinto político necessários e suficientes para governar um povo". 
 - Belchior, principado de Palmira: "Sou rei, mas sou pobre". "Compreendi  pouco a pouco que, no seu espírito, o culto da bela linguagem e das belas coisas praticado ao alto nível devia repercutir-se em todos os escalões certamente em virtudes menos nobres mas essenciais para a conservação do reino, tais como a coragem, o desinteresse, a lealdade, a probidade." 
 - Taor, principado de Mangalore: "Somos sempre mais ou menos o reflexo dos nossos empreendimentos e dos nossos obstáculos". "Dia a dia, exercitara uma operação que nunca lhe viria ao espírito em Mangalore e que era, de resto, completamente estranha aos grandes deste mundo: pôr-se no lugar dos outros e adivinhar assim o que sentem, pensam e projectam".

Boa leitura!