Como a sessão do Clube do dia 26 de fevereiro foi suspensa, devido às màs condições da BM, foi adiada para o o mês seguinte.
Assim, na passada quinta-feira, dia 26 de março, pelas 21h00, decorreu a sessão mensal do Clube de Leitura, para a abordagem e discussão da obra "Paraíso" de Addulrazak Gurnah, seguida de uma pequena homenagem à Poesia, com declamação de poemas dos poetas homenageados no Festival da Poesia à Mesa, deste ano.
Gurnah tem vários livros publicados, aos quais têm sido atribuídos diversos prémios entre os quais o Prémio Nobel da Literatura em 2021, justificado "pela forma determinada e humana com que aborda e aprofunda as consequências do colonialismo e o destino dos refugiados no fosso entre culturas e continentes".
Assim, neste obra, com uma escrita clara e fluída, somos transportados pelo continente africano, inicialmente pela sua parte oriental até ao interior, no coração de África, mum contexto de mudança política, em inícios do século XX.
Seguimos o percurso de Ysuf, um menino de 12 anos que é vendido pelo seu pai como escravo a um rico comerciante árabe, Aziz, a troco de dívidas contraídas pelo seu pai.
Começa por trabalhar na mercearia onde conhece Khalil, com um percurso de vida muito semelhante ao seu. A partir daí tem uma relação fraternal com este personagem, aprendendo a ler, a escrever a contar e muitas outras atividadades que se tornam essenciais para conseguir sobreviver naquele mundo.
Mais tarde, vai participar numa perigosa expedição comercial ao interior do continente, uma viagem de iniciação pelo coração das trevas ao longo de uma paisagem bela e selvagem, que o levará a descobrir um território povoado por tribos hostis, africanos muçulmanos, comerciantes indianos e agricultores europeus, um paraíso ameaçado, em vésperas da Primeira Guerra Mundial.
Estamos perante um romance, com ficção história e literatura de viagens num mosaico de mitos, sonhos, tradições bíblicas e corânicas, onde são descritas as feridas vivas de um continente ainda virgem em vias de sofrer uma nova vaga de colonização.
Não temos uma África romantizada, com a sua beleza natural exuberante, com horizontes, sentidos, emoções, mas sim um Áfricaa em que os senhores são donos dos lugares mais encantadores e onde a brutalidade e injustiça são a normalidade, sempre latentes durante toda a obra.
Será uma espécie de Paraíso, mas só para alguns.
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