Mostrar mensagens com a etiqueta Não há pássaros aqui. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Não há pássaros aqui. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 3 de junho de 2025

CLUBE DE LEITURA - MAIO 2025

Na passada quinta-feira, dia 29 de maio, pelas 21h00 decorreu mais uma sessão do Clube de Leitura, para análise e discussão da obra "Não há pássaros aqui" do jovem escritor brasileiro, Victor Vidal e Prémio Leya 2023.

Esta obra teve como fonte de inspiração uma visita à casa de Anne Frank e da sua família durante a Segunda Guerra Mundial, em Amsterdão, levando o autor a refletir sobre os traumas de infância e a necessidade de esconderijos físicos e emocionais.

Trata-se de uma história de violência, com uma análise psicológica precisa, onde não faltam relações familiares complexas, alcoolismo associado que levam à solidão e deixam cicatrizes visíveis.

Há também algum suspense criado à volta do trauma de Ana, pelo que se passou certa noite: “Eu sou uma criança maligna”.

Exagero? A realidade não é assim?

É realidade pura.

A personagem principal Ana, em crescimento, é filha de um silêncio, mas um silêncio que grita. Cresceu sem conhecer o pai, entre garrafas vazias, maus tratos e abandono. Aprendeu a andar sem fazer barulho, tendo também sido vítima de abuso sexual.

A sua vida são escombros, um deserto de amor. Acaba por matar o homem para defender a mãe. Na sua casa de infância não há pássaros, não há felicidade, nem esperança, nem forma de fugir à desgraça.

Ana enquanto adulta acaba por conseguir afastar-se fisicamente da mãe a quem até trata pelo seu nome próprio.

Assim, apresenta alguns comportamentos degradantes de caráter patológico, de autodestruição (automutilação), inclusive, encontros ocasionais de índole sexual com desconhecidos, destruição de uma obra de arte de valor estimativo para o seu melhor amigo, etc.

Predominam sentimentos de raiva, medo, e simultaneamente de brutalidade para com as pessoas e um crescente desejo de suicídio no final, apesar de esta ação ficar um pouco em aberto para os leitores. Mas, não poderia ser diferente, porque a sua vida continuou e sem pássaros era terrível.

Em resumo, todas as personagens além de Ana, a mãe – Andrea, Tomás, Benjamim, revelam os seus traumas de infância e o quanto isso lhes causou desequilíbrios que permanecem ainda durante a vida adulta.

O autor, nesta obra propõe uma “reflexão madura sobre o modo como aquilo que vivemos na infância determina a nossa vida adulta, e como tendemos a reproduzir comportamentos a que assistimos, mesmo quando friamente os condenamos”.

As metáforas implícitas na obra, como por exemplo, a do fogo, simboliza o rompimento com o passado aterrador e a metáfora dos pássaros representa uma esperança de dias bons.

Segundo a farmácia literária da Bertrand, esta obra está indicada para encarar o lado mais sombrio do comportamento humano; purgar traumas de infância relativos a famílias disfuncionais, tóxicas, negligentes, violentas e abusivas; sentir-se amparado, no reviver de memórias dolorosas e subsequentes, quadros de ressentimento e amargura, vergonha e solidão; treino de empatia e de compaixão.

Efeitos secundários:

Possíveis sentimentos de desconforto, angústia, aversão, tristeza e desesperança; maior sensibilidade à vulnerabilidade dos outros; refrear a tentação de julgar/condenar liminarmente os outros,  necessidade de focar-se na beleza das pequenas coisas, na redenção pela amizade e pelo amor, busca de alegria e leveza.

Posologia: ler ao ritmo.

Ana Paula Oliveira

 









 

quinta-feira, 1 de maio de 2025

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. 

As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

O Clube de Leitura reunirá a 29 de maio, pelas 21h00.

O livro selecionado será "Não há pássaros aqui" de Victor Vidal.

Sinopse: Ana recebe um telefonema de uma vizinha da mãe informando que Andrea desapareceu na sequência de uma série de escândalos no bairro, entre os quais o suposto sequestro de uma criança. Apesar de ter jurado a si mesma que não voltaria à casa da mulher que lhe infligiu todo o tipo de violência, Ana não consegue ficar indiferente à situação; e o que encontra no apartamento é bastante intrigante: lixo por toda a parte, pegadas de lama, móveis destruídos, garrafas vazias amontoadas no caixote.

Enquanto se interroga sobre o que terá sido a vida de Andrea desde o dramático acontecimento que marcou as duas para sempre, Ana empreende uma dolorosa viagem às memórias da infância, que incluem não só uma mãe desequilibrada e alcoólica que tem um relacionamento conturbado com um homem perigoso, mas também um rapaz frágil que a faz cúmplice dos seus traumas e, por via das afinidades, se torna o seu único amigo. E, apesar de não se verem há muitos anos e de Ana o ter desiludido, é justamente a este amigo que resolve agora pedir ajuda.

Com personagens inesquecíveis e desconcertantes, Não Há Pássaros Aqui é uma reflexão madura sobre o modo como aquilo que vivemos na infância determina a nossa vida adulta e como tendemos a reproduzir comportamentos a que assistimos, mesmo quando friamente os condenamos.

Num tempo em que a saúde mental é um problema à escala global, este é um romance de estreia profundamente atual que venceu o Prémio LeYa em 2023

Quem é Victor Vidal?


Nasceu no Rio de Janeiro, Brasil. É historiador da arte e doutor em Estudos Críticos das Artes. Publicou diversos textos sobre arte japonesa e trabalhou no setor educativo de museus e centros culturais. A atividade literária sempre esteve presente na sua trajetória, mas levou algum tempo até desenvolver algo que considerasse importante ou maduro o suficiente para mostrar a outras pessoas. Começou a trabalhar em Não Há Pássaros Aqui enquanto ainda estava na carreira docente, a partir de uma ideia que teve após conhecer a casa em que Anne Frank se escondeu com a família durante a Segunda Guerra Mundial. O local instigou-o a pensar sobre traumas de infância e esconderijos. Relações entre pais e filhos, solidão e trauma são temas que o interessam e fazem parte da sua produção literária.