quarta-feira, 30 de maio de 2018

CLUBE DE LEITURA - JUNHO




Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

 Livro indicado: "Só resta o amor" de Agustin Fernández Paz

Sinopse: As vidas dos personagens das histórias deste livro estão ligadas por uma teia de fios invisíveis: Diana, Sara, Pablo, Laura, Adrián... Todos se apaixonam e descobrem que o amor é um sentimento de enorme poder, capaz de os transformar por inteiro e de os fazer ver a vida com outros olhos. Mas também experimentam a amargura causada pela falta de amor, ou a ausência, ou o amor fracassado. O amor em todas as suas variantes: do primeiro amor adolescente até àquele que sobrevive à morte. E, sempre, sempre, os livros como companheiros na aventura de amar.
Data: 28 junho 2018

Agustin Fernández Paz, Vilalba, Lugo, 1947.
Licenciado em Ciências da Educação.
Diplomado em Língua Galega.
Adora que lhe contem histórias. De viva voz, através das páginas de um livro, na penumbra das salas de cinema e dos teatros ou no brilho frio de um qualquer ecrã. Afirma que desde a sua infância na Galiza do pós-guerra, os livros tiveram uma presença decisiva no seu percurso. Aplica à sua vida, o que Álvaro Cunqueiro escreveu naquela época: «Como quem bebe água, o homem precisa de beber sonhos.»
Tinha 28 anos quando Franco morreu. Deste modo, grande parte da sua vida foi marcada pela ditadura. Tal como todas as pessoas da sua geração, afirma que chegou sempre tarde a todo o lado: aos livros que deveria ter lido, aos filmes que marcaram muitos daqueles anos... Talvez por isso existam coisas na vida que aprecia de maneira espacial: a liberdade, a memória, os livros, o cinema...
Agustín acredita que as palavras possuem a força necessária para mudar o mundo e pensa que os livros são imprescindíveis para nos ajudar a sonhar e a viver. Prefere ler o que os outros escrevem, mas também gosta de inventar histórias e contá-las através da escrita. Na sua vasta obra, escrita em galego, largamente premiada e em grande parte traduzida para outras línguas, salientam-se títulos como "Corredores de Sombra", "Aire Negro", "Noite de Voraces Sombras", "Cuentos por palavras", "Cartas de Inverno", "O Centro do Labirinto", "O Laboratório do Doutor Nogueira", a novela juvenil "Rapazas", etc. - os quatro últimos já publicados em Portugal.
"Só Resta o Amor" é o seu livro mais recente. Com ele a literatura galega toma lugar nas Edições Nelson de Matos. Uma literatura fascinante numa língua irmã.

Opiniões:
Nos últimos tempos tenho lido vários livros de contos dos quais vos gostaria de falar. Inicialmente, pensei fazer uma espécie de súmula de todos (e foram ainda bastantes) os que li. Uma amiga mais ajuizada aconselhou-me a ir fazendo aos poucos, dando tempo a que haja alguma reacção da parte dos companheiros desta aventura.
Tinha que começar por algum lado e escolhi o Só Resta o Amor do galego Agustín Fernández Paz. Há nestes contos um fio condutor que os une. As vidas dos personagens experimentam as diferentes cambiantes da experiência amorosa. O livro começa muito bem com o conto Um silêncio ardente. Sara, uma executiva de sucesso num grande banco, mas leitora obsessivo-compulsiva como nós, vê abrir defronte ao banco uma livraria que passa a frequentar diariamente fugindo à pausa-café com os colegas. Uma manhã, quando se dirigia á secção de poesia, encontrou encaixado entre dois livros, um pequeno cartão. O cartão conduzia-a a um livro, mas num dos cantos da parte de trás, surgia escrito a lápis o seu nome. Os r vão-se sucedendo. O livro continua formosos e seguro até que me deparo com histórias de fantasmas pueris e perfeitamente previsíveis. Desiludiu-me muito e só me voltou a conseguir reconquistar verdadeiramente ao voltar a um estilo muito a la Paul Auster com o conto Uma fotografia na rua. Daniel encontra uma fotografia de uma mulher em frente do edifício da Reitoria da Universidade em Vigo. O coração acelera-se subitamente e ficou definitivamente atraído. Começa então uma demanda pela mulher da foto, mas nessa demanda infrutífera vai encontrando outras fotos da mesma mulher…Depois deste re-arranque o livro continua seguro e termina com outro muito bom conto, Um rio de palavras. Enfim, eu perdoo-lhe as histórias de palavras.
Uma palavra de apreço para as Edições Nelson de Matos que tem vindo a dar à estampa bons livros.

Abraços,
Publicada por Paulo Ventura


A primeira impressão que tive deste livro foi de que iria ser aborrecido, mesmo tendo o primeiro conto uma boa intriga. À medida que fui lendo o livro verifiquei que tinha vários contos, o que permitia uma rápida e fácil leitura, li as 218 paginas em apenas dois dias, ficando mais intrigada em cada história que ia lendo e curiosa com o que iria acontecer e do que iria tratar a seguinte história.Fiquei assim encatada com este livro, adorei lê-lo.
Fiquei com uma boa impressão de quase todos os contos mas o conto que me fascinou mais foi o "Estranha lucidez". Este conto fascinou-me pela sua maravilhosa intriga e encantou-me pela sua história e personagem.
No inicio deste conto o narrador pareceu-me ser um humano mas há medida que fui lendo, e nas coisas que o narrador ia contando e relembrando fiquei na duvida e depois quando ele disse as palavras " (...) farejo (...) " e " (...) meu Dono (...) " é que conclui que era um canídeo que estava a falar. Não vos quero falar mais desta história porque quero que vocês a leiam, é encantadora esta história, magnifica. Todos os onze contos falam sobre o amor em todas as suas facetas, e histórias. Fala de um amor que sobreviveu á morte, paixonetas de infância, de amor não correspondido etc.
Aconselho a leitura deste livro.
Postado por Soraia Ferreira

sexta-feira, 25 de maio de 2018

CLUBE DE LEITURA - MAIO


Teve ontem lugar, na Biblioteca Municipal, a sessão mensal do “Clube de Leitura” que se dedicou à análise e discussão da obra "Aurora adormecida" de Eva Cruz.

As participantes tiveram a honra e o prazer de contar com a presença da escritora, que forneceu muita informação complementar acerca da obra e revelou muito sobre a investigação histórica que teve de realizar para a sua criação, apresentando documentos e algumas preciosidades fotográficas da época. 

Aurora, a mãe da autora e personagem principal da obra, dizia muitas vezes que a sua "vida dava um romance". E deu mesmo!

"Aurora adormecida" é uma biografia da mãe da autora e uma verdadeira homenagem ao amor entre mães, filhos e netos.

Uma das prefaciadoras, Carmina Figueiredo, refere que "a autora abriu o baú, relicários de histórias e de vida e, com os mesmos fios com que tece um poema, urdiu uma bela história tão simples e tão comovente. É filha, também é mãe, sabe o que é o amor, a entrega e a dádiva, é escritora e tem um grande orgulho naquela sua mãe Aurora"

A esta obra, com apenas 128 páginas, "terrivelmente" bem escrita e aparentemente, simples, não faltam os artifícios  técnicos e literários tais como diageses, metadiegeses, descrições e analepses, que nos revelam a mestria da autora.

A escrita é "simples, fluida, intensa", por vezes ousada, assertiva, emotiva, terna, tão bela, interessante e envolvente que mais parece colocar-nos perante prosa poética.  

Mas, para apresentar uma apreciação da obra, nada melhor do que transcrever um artigo do Dr. Renato Figueiredo publicado no jornal labor nº 702, de 27.07.2006, com o título “Um livro, um poeta”.

É rio de águas claras e tranquilas a passar mansamente, levando na corrente a nostalgia da nascente. É cântico de admiração, respeito e amor, tecido em estrofes de ternura, a carpir saudades que sente cedo virá a ter, o céu já toldado por nuvens de ausência real que a presença física não esconde. É esforço desesperado e inglório de fazer imortal alguém que se ama, mas que sabe ir em breve morar em outras madrugadas, só permanecendo na sua memória e no seu coração.
Postos de lado preconceitos e frívolas conveniências sociais, decide, com ânimo e não menor coragem, contar uma história. Vai escolher palavras singelas e promete nada esconder ou amenizar, só a verdade ficará nas linhas que escrever.

A história é real, é uma biografia. Tão fácil e tão difícil! Tão fácil pela transparência da vida a descrever e pelos sorrisos que muitas passagens lhe trazem aos lábios, tão difícil pela exigência de ser imparcial e neutra na descrição, quando o sentir lhe pede deixar na sombra certos passos. Mas difícil, sobretudo, pelas lágrimas que terá de reprimir tantas vezes, para que a escrita não fique manchada de sofrimento.

Venturas e desventuras, dores e alegrias vão surgindo. Afinal, uma biografia que pareceria banal é crónica inteligente e lúcida de toda uma época, em que a pessoa biografa enfrenta problemas de vária índole, humanos, sociais, políticos e económicos, problemas que encara de frente, que questiona e resolve apenas com a seriedade inata, o bom senso e a justeza de quem se posiciona na vida tendo como lema obedecer somente à voz da sua consciência. 

A biografia é um terreno ingrato, dado que o biografo tem de ser totalmente isento e desapaixonado, para não atraiçoar, ainda que involuntariamente, a personalidade do biografado. 

Em Aurora Adormecida, pois é deste livro que falo, a sua autora, a Dr.ª Eva Cruz, conseguiu, com excepcional mestria, ser biógrafa exemplar que nos revela, com rigor e sem subterfúgios ou meias verdades, o retrato de corpo inteiro da personalidade de sua mãe. Mas soube aliar, com raro engenho, a verdade ao amor filial, de que resultou magnífico e exaltante poema de homenagem, tecido de ternura, que é, por assim dizer, antecipado e comovido adeus a sua mãe. Ela, se tal fosse possível, exigiria, na hora da partida, juntar esse poema às recordações do mítico baú que a acompanhou em vida.”