quinta-feira, 2 de maio de 2019

CLUBE DE LEITURA - MAIO

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.



Livro indicado: "O pianista de hotel" de Rodrigo Guedes de Carvalho

Data: 30 maio, 21h00 às 22h00 

Sinopse:O Pianista de Hotel transporta-nos numa melodia.

É uma entrada para um mundo regido pela linguagem da música, pela sua força e beleza, presentes no ritmo de cada frase, de cada parágrafo rigorosamente medido.
Livro em camadas, nele se cruzam diversos planos, diversas histórias perpassadas pelo poder redentor da música que entra e rasga, a solidão, a dor e o vazio das pessoas que habitam nestas páginas. Com um vasto subtexto, a densidade das personagens está carregada de mistérios que nos prendem a sucessivas interrogações.

Há um pouco de nós em todas elas.
Há muito de nós neste mergulho ao mais fundo da alma humana.
É um romance que se lê e ouve, que mantém todos os sentidos alerta. Uma pauta musical, com andamentos diversos, que acabam por se cruzar numa vertigem imprevisível de autêntico thriller psicológico.

E, depois, há o pianista… 
 
 

Rodrigo Guedes de Carvalho nasceu em 1963, no Porto.
Recebeu o Prémio Especial do Júri do Festival Internacional FIGRA, em França, com uma Grande Reportagem sobre urgências hospitalares (1997).

Estreou-se na ficção com o romance Daqui a nada (1992) vencedor do Prémio Jovens Talentos da ONU.
Seguiram-se-lhe A Casa Quieta (2005), Mulher em Branco (2006) e Canário (2007).

Elogiado pela crítica, foi considerado uma das vozes mais importantes da nova literatura portuguesa.

É ainda autor dos argumentos cinematográficos de Coisa Ruim (2006) e Entre os Dedos (2009), e da peça de teatro Os pés no arame (estreada em 2002, com nova encenação em 2016).

Regressa ao romance com O Pianista de Hotel (2017).

Críticas:
 
Um livro diferente, como todos o que já li deste autor. As suas personagens transportam-nos para outras "paragens" da mente humana. Muito bom!!! 
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CLUBE DE LEITURA - ABRIL


No passado dia 30 de abril, teve lugar a sessão do Clube de Leitura, para análise e discussão do livro "Esse cabelo", primeira obra publicada pela angolana Djaimilia Pereira de Almeida (1982- ).

Este livro tem sido recomendado por grandes vultos da literatura nacional e lusófona como Bruno Vieira Amaral, João Pinto Coelho, José Eduardo Agualusa, etc.. A sua segunda obra "Luanda Lisboa Paraíso" recebeu  o Prémio Literário Fundação Inês de Castro 2018.

A jovem autora  escreve bem, numa linguagem heterogénea, umas vezes simples, outras vezes pretensiosa, um pouco desarticulada, numa sintaxe fechada, o que escurece o sentido do texto, obrigando o leitor, muitas vezes, a retroceder na leitura para um melhor entendimento.

Trata-se de um conjunto de memórias,  nitidamente autobiográficas, numa busca constante pela sua identidade, que retrata especialmente uma geração e uma época, não faltando referências musicais e culturais contemporâneas. 
O racismo, os preconceitos,  estão presentes em toda a obra e muito embora falar de cabelos seja sempre encarada como uma futilidade, “Esse cabelo” é uma metáfora, cheia de simbolismos, que marcam os ciclos da sua vida.

O 9º capítulo é o mais belo e vem condensar toda a história “de uma menina que aterrou despenteada aos três anos em Lisboa, vinda de Luanda, e das suas memórias privadas ao longo do tempo, porque não somos sempre iguais aos nossos retratos de infância; mas é também a história das origens do seu cabelo crespo, cruzamento das vidas de um comerciante português no Congo, de um pescador albino de M’banza Kongo, de católicas anciãs de Seia, de cristãos-novos maçons de Castelo Branco - uma família que descreveu o caminho entre Portugal e Angola ao longo de quatro gerações com um à-vontade de passageiro frequente. E, assim, ao acompanharmos as aventuras deste cabelo crespo - curto, comprido, amado, odiado, tantas vezes esquecido ou confundido com o abismo mental -, é também à história indirecta da relação entre vários continentes - a uma geopolítica - que inequivocamente assistimos”.

Parafraseando Elena Ferrante, numa entrevista recente  “Nunca abandono um livro, mesmo que ele não me agrade, leio-o até à última linha. Encontro sempre qualquer coisa para aprender. E entusiamo-me, talvez até de um modo excessivo, quando um livro me surpreende favoravelmente."

No caso de “Esse cabelo” viajou-se no tempo e no espaço, desta vez entre Luanda e Lisboa e por várias gerações. Regressamos também a 1957, aos Arkansas, ao tempo racismo, da luta pelos Direitos Civis nos EUA e de Elizabeth Eckford, vítima do ódio racial da multidão branca.

Este episódio simboliza uma "radiografia da sua alma", pois dentro dela, nos seus genes, encontram-se, simultaneamente, em conflito as vítimas do racismo e os supremacistas.
Embora relacione a sua "caminhada pacífica com a de Elizabeth, esse supremacista não cabe em nenhuma das definições conhecidas, embora subsista mesmo quando nada brame. Estava bem vivo no meu avô Castro, através do qual vociferava contra a "petralhada" do autocarro".

E a verdade é que nos dias de hoje ainda subsiste mesmo.
Quem nunca teve um pensamento ou exclamação supremacista? 





 
 



   

terça-feira, 2 de abril de 2019

CLUBE DE LEITURA - ABRIL


Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.



Livro indicado: "Esse cabelo" de Jaimilia Pereira de Almeida (1982- )

Data: 24 abril, 21h00 às 22h00 

Sinopse:O que se passa por dentro das cabeças é mais importante do que o que se passa por fora? Falar de cabelos é sempre uma futilidade? Não necessariamente, até porque, segundo a narradora deste texto belo e contundente, «escrever parece-se com pentear uma cabeleira em descanso num busto de esferovite» e visitar salões é uma boa forma de conhecer países, de aprender a distinguir modos e feições e até de detectar preconceitos.
Esta é a história de uma menina que aterrou despenteada aos três anos em Lisboa, vinda de Luanda, e das suas memórias privadas ao longo do tempo, porque não somos sempre iguais aos nossos retratos de infância; mas é também a história das origens do seu cabelo crespo, cruzamento das vidas de um comerciante português no Congo, de um pescador albino de M’banza Kongo, de católicas anciãs de Seia, de cristãos-novos maçons de Castelo Branco - uma família que descreveu o caminho entre Portugal e Angola ao longo de quatro gerações com um à-vontade de passageiro frequente. E, assim, ao acompanharmos as aventuras deste cabelo crespo - curto, comprido, amado, odiado, tantas vezes esquecido ou confundido com o abismo mental -, é também à história indirecta da relação entre vários continentes - a uma geopolítica - que inequivocamente assistimos.

Jaimilia Pereira de Almeida nasceu em Luanda, em 1982. Vencedora do Prémio Novos 2016 - categoria Literatura, estreou-se no romance em 2015 com Esse Cabelo (Teorema). Ajudar a Cair, um retrato ensaístico do Centro Nuno Belmar da Costa, foi publicado, em 2017, pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. Em 2018, publicou Luanda, Lisboa, Paraíso (Companhia das Letras Portugal). Licenciada em Estudos Portugueses na Universidade Nova de Lisboa, doutorou-se em Teoria da Literatura, na Universidade de Lisboa, em 2012. Em 2013, foi uma das vencedoras do Prêmio de Ensaísmo serrote, atribuído pela Revista serrote (Instituto Moreira Salles, Brasil); em 2016, esteve entre os finalistas do 8º ciclo da Rolex Mentor and Protégé Arts Initiative. Publicou em Common Knowledge, Granta.com, Granta Portugal, Ler, Revista Pessoa, Quatro Cinco Um, Revista serrote, Words Without Borders, Revista Zum, entre outras. 

Críticas:

Pensei que ia gostar mais
Inês Costa | 14-07-2016
A autora escreve muitíssimo bem, um português sem mácula, mas para mim não chegou. Ao longo destas 150 páginas (ui, e tão esticadinhas que foram pela edição) não consegui emocionar-me, ligar-me às personagens ou sequer acompanhar com prazer as peripécias relatadas ou as reflexões filosóficas. E foi isso que foi faltando: paixão e vontade de querer continuar a ler. Ainda assim, 3 estrelas, pelo 9.º capítulo (do qual gostei muito) e porque, apesar de não me ter entrosado, sinto-me na obrigação de reconhecer a qualidade literária.