quinta-feira, 2 de novembro de 2017

CLUBE DE LEITURA - NOVEMBRO




Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.


Livro indicado: “Um espião perfeito” de John Le Carré


Data: 30 novembro, 21h00


Sinopse: Magnus Pym, explicou um dia John le Carré, «é o arquétipo do agente duplo que existe em cada um de nós». E é bem provável que esta seja, de facto, a chave para a compreensão de Um Espião Perfeito, unanimemente reconhecido pela crítica como a mais importante e a mais autobiográfica das obras do autor.
O livro apresenta como epígrafe o provérbio de origem francesa: «quem tem duas mulheres perde a sua alma, mas quem tem duas casas perde a razão». Fundamentalmente, é a essa quase imperceptível perda que toda a história se refere: ao destino de um homem que, na qualidade de conselheiro da embaixada britânica em Viena para «certos assuntos inconfessáveis», controlou o conjunto das redes inglesas na Europa de Leste, apesar de ter sido durante toda a sua carreira um agente duplo partilhado entre o universo comunista e o establishment ocidental.
Publicado em 1986, Um Espião Perfeito rapidamente foi aclamado como um livro superior e tornou-se um imenso sucesso em todos os países onde foi editado. Na primeira página do The New York Times Book Review, o crítico Frank Conroy descreveu-o como «uma obra notável, que consegue um equilíbrio rigoroso entre o desenvolvimento da narrativa e a riqueza inteligente e hábil do seu estilo». E a Académie Goncourt, de Paris, não hesitou mesmo em declarar: «Um Espião Perfeito integrou le Carré no pequeno grupo dos grandes romancistas ocidentais.»


John le Carré , (Poole, 19 de outubro de 1931) pseudónimo de David John Moore Cornwell, é um  escritor britânico notabilizado pelos seus romances sobre espionagem.
Estudou na universidade de Berna na Suíça, e na Universidade de Oxford em Inglaterra, tornando-se depois professor em Eton College antes de se juntar ao corpo diplomático britânico entre 1960 e 1964.[1]
A sua experiência nos serviços secretos terminou repentinamente, quando o agente duplo britânico Kim Philby denunciou a identidade de dezenas de espiões compatriotas ao KGB. No entanto o seu primeiro livro ainda seria publicado enquanto estava no (MI6).[2]
John le Carré é autor de numerosos livros de espionagem, muitos dos quais apresentam um enredo que se desenvolve no contexto da Guerra Fria. No entanto, o fim da Guerra Fria levou-o a modernizar as temáticas que serviam como pano de fundo aos seus romances, assim, introduziu na sua obra temas como o terrorismo islâmico, a problemática causada pelo desmembramento da União Soviética, a política dos Estados Unidos da América no Panamá e as manobras obscuras da indústria farmacêutica no continente africano.[2]
Em 1998, ele recebeu o título de Doutor em Letras honoris causa da Universidade de Bath. Em 2008, o The Times classificou-o 22º lugar em sua lista de "Os 50 maiores escritores britânicos desde 1945". Em 2011, ele recebeu a Medalha Goethe do Instituto Goethe. Em 2012, ele foi premiado com o grau de Doutor em Letras, honoris causa pela Universidade de Oxford.[3]





Opinião

Berna, Londres, Viena, Berlim… um retrato poderoso da Guerra Fria. Espiões, agentes secretos, profissionais do disfarce e do embuste, homens sem identidade, perdida entre mil e uma imagens construídas para mentir à procura da verdade.
Pym é o agente perfeito – vendido aos dois lados – que procura durante toda a vida encontrar-se consigo mesmo e redimir a traição à amizade por Axel – o amigo/inimigo.
Por outro lado há o pai – memórias de um progenitor criminoso mas herói. Daqui resulta uma narrativa quase psicanalítica, marcada pelas recordações do passado e escrita, disfarçadamente, na primeira pessoa do singular.
O enredo revela toda a arte de Le Carré, capaz de manter aquele tom enigmático que prende o leitor ao longo de 575 enormes e recheadas páginas. Um livro longo, a espaços cansativo mas nunca maçador.
No final, fica a ideia de um homem sem identidade, perdidos nos disfarces e numa eterna procura que, nos últimos tempos, tenta redimir todo o passado que o tortura.
Na vida de Pym, fidelidade e traição são conceitos ambíguos que vivem lado a lado e se misturam permanentemente. De entre todos os sentimentos conflituosos, emerge em Pym um único que conquista a primazia: a amizade, o valor supremo. Uma amizade que nasce da traição – a única realidade capaz de gerar felicidade.
“A traição é uma profissão repetitiva” (Pág. 564)
Manuel Cardoso Gomes



sexta-feira, 27 de outubro de 2017

CLUBE DE LEITURA - OUTUBRO

Ontem, pelas 20 horas, na Biblioteca Municipal, decorreu a sessão do Clube de Leitura de Outubro, que neste mesmo mês, completa 5 anos de existência.

Em comemoração desta data festiva, houve um encontro, no qual não faltaram as especialidades gastronómicas dos membros do Clube, que estiveram particularmente animados.

A obra abordada este mês foi o "O luto de Elias Gro" de João Tordo.

O narrador transporta-nos para uma pequena e enigmática ilha perdida no Atlântico, que não é facilmente identificável, no entanto, "acessível por ferry" (pág. 16) e "a viagem de ferry até à península demora 30 minutos" (pág. 91).



O narrador diz que foi viver para uma ilha num "continente" que não era o seu (pág. 78)



É uma ilha onde se fala francês. "À porta da loja há um letreiro em francês: 'Épicerie Boulay' " (pág. 30). "Passou por uma taberna também com um letreiro francês, 'Le Calme avant la Tempête' " (pág. 31). Drosler escreve um livro em francês, "La haine et l'Ouest" (pág. 131).



Na ilha há "plantações de girassóis, um cemitério, uma igreja, 25 ou 30 casas..." (pág. 16)



"(Drosler)...um estrangeiro oriundo de um país (a Dinamarca) a milhares de km de distância, situado na outra margem de um oceano frio e revoltado... " (pág. 135).
O narrador refugia-se num velho farol abandonado, para se afundar na solidão e na tentativa de esquecimento dos seus próprios dramas, mas acaba por se cruzar com um conjunto de "criaturas singulares", alguns com destinos ainda mais trágicos, que o vão ajudar a encontrar uma saída para a profunda depressão em que se encontra.

Nesta travessia, ao longo do livro, o autor mergulha na alma humana, no que ela tem de mais obscuro e luminoso. Reflete sobre a fragilidade do ser humano, pois "por mais que as pessoas jurem que são feitas de outro material, acredite em mim quando lhe digo que são feitas de porcelana, da mais frágil e dispendiosa".

O personagem Elias Gro torna-se inspirador para o narrador levando-o a superar os desgostos através da fé, não a fé religiosa, mas a fé nas pessoas, baseada na confiança, que de forma progressiva o leva ao encontro da paz e a uma maior interação com o mundo que o rodeia.

"A vida não foi sempre assim. No princípio dos tempos, os homens procuravam-se. Onde é que tu estás, dizia um. Estou aqui, dizia o outro. Percorriam esse distância infinita que nos separa uns dos outros e encontravam-se algures no meio. Caçavam juntos, faziam as refeições juntos. Protegiam-se, se fosse o caso, se o Homem A construía um abrigo, o Homem B partilhava-o com o Homem A."

Em síntese, esta obra é, segundo Ana Ferreira, um dos membros do Clube "A perda. O luto e o renascimento. A sobre/vida e a sobrevivência. O seguir em frente e o não sair do mesmo lugar. O confinamento. A ilha geográfica e a ilha que cada indivíduo pode ser, mesmo não estando só".

Este livro é o primeiro de três romances que, apesar de constituírem uma trilogia, terem títulos semelhantes e nomes de personagens que transitam, contam histórias "independentes", sem uma cronologia a seguir, podendo ser lidos de forma independente ou sem qualquer ordem específica. 
O segundo é "O paraíso segundo Lars D" e o terceiro "O deslumbre de Cecília Fluss" que já estão disponíveis na Biblioteca Municipal.

Parabéns ao Clube de Leitura!