domingo, 30 de novembro de 2025

CLUBE DE LEITURA - N0VEMBRO 2025

Na passada quinta-feira, dia 27 de novembro, pelas 21h00, decorreu a sessão mensal do Clube para a abordagem e discussão da obra "Caderno proibido" de Alba de Céspedes (1911-1997, poetisa, novelista, jornalista e antifascista, considerada a voz rebelde da literatura italiana.

Era filha de um embaixador cubano que era favorável ao movimento revolucionário de Fidel Castro e Che Guevarra, neta de um revolucionário cubano de lutou pela independência de Cuba do domínio espanhol. 

Em 1930 como jornalista colaborou com os jornais Piccolo, Epoca e La stampa. Em 1935 publica o seu primeiro romance "L'Anima degli altri". Em1935 foi presa por atividades antifascistas e alguns dos seus romances foram proibidos.

Em 1943 foi presa por assistir a Rádio Partigiana, em Bari, onde participava com a persongem por si criada conhecida por Clorinda. 

Em 1944 fundou a revista Mercurio, uma revista de política, arte, ciência, núcleo intelectual com nomes como Natalia Ginzburg, Elsa Morante ou Alberto Moravia. Em 1995 escreveu o guião para o filme Lhe amiche, do famoso realizador Michelangelo Antonioni.

Em Itália sentia-se uma pouco rejeitada pela crítica, que na época a consideravam uma autora de romances cor de rosa, muda-se para Paris, nos anos 60, para poder acompanhar a evolução cultural da Europa e onde tudo acontecia.

Hoje é considerada uma líder feminista que influenciou através dos seus livros o início do movimentos de emancipação das mulheres. Mas não só. Na sua obra deparamo-nos com um relato social, político, económico e até psicológico das suas personagens e dos problemas existenciais de uma geração que viveu os constrangimentos da Segunda Guerra Mundial e da geração seguinte, mais priviligiada, mas sempre descontente.

Neste Caderno proibido, com espaço temporal de seis meses (26 novembro 1950 a 27 Maio de 1951), a personagem Valeria, através da escrita de um diário, acaba por fazer uma terapia, uma espécie de catarse, de autodescoberta, refletindo profundamente sobre o sentido da sua vida e descobre um grande vazio, a solidão, a opressão das mulheres dos anos 50 e os conflitos geracionais.

A obra está bem escrita, com grande riqueza na construção das personagens e de leitura acessível, estilo belíssimo que veio a influenciar escritoras como Anne Ernaux e Elena Ferrante que a elegem como fonte de inspiração.

Céspedes foi contemporânea de Clarice Lispector e em alguns dos contos de "Laços de família" surgem muito personagens com alguma semelhança com Valeria.
























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