sábado, 2 de maio de 2026

CLUBE DE LEITURA - MAIO 2026

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. 

As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

O Clube de Leitura reunirá a 28 de maio, pelas 21h00.

O livro selecionado será "Pés de barro" de Nuno Duarte

Sinopse: Estamos em 1962, num país orgulhosamente só, e vem aí a construção da primeira ponte suspensa sobre o Tejo, para a qual vão ser precisos cerca de três mil homens. A obra irá mudar para sempre a paisagem da capital, muito especialmente para quem vive em Alcântara, como é agora o caso de Victor Tirapicos, instalado na casa dos tios depois de ter envergonhado o pai com dois anos de cadeia só por ter roubado pão e batatas para fintar a miséria.


É, de resto, pelos olhos deste serralheiro de vinte e dois anos que veremos a ponte erguer-se um pouco mais todos os dias e, ali mesmo ao lado, partirem os navios cheios de rapazes para a guerra do Ultramar, donde muitos acabarão por voltar estropiados, endoidecidos ou mortos.

Porém, apesar de a modernidade parecer estar a matar a vida e os costumes do pátio operário onde convivem (amigavelmente ou nem tanto) uma série de figuras inesquecíveis - entre elas o mestre sapateiro que faz as chuteiras para o Atlético Clube de Portugal e um velho culto que aprende a desler -, Victor Tirapicos encontra o amor de uma rapariga que é muda mas consegue escutar o planeta, pressentindo a derrocada da estação do Cais do Sodré e outra catástrofe ainda maior, que se calhar tem pés de barro e só acontece neste romance, mas bem podia ter acontecido.

Quem é Nuno Duarte?





Nasceu em Sintra, em 1973. Quando abriu os pulmões, já se respirava em liberdade, mas, para efeitos literários, pode afiançar, sem faltar à verdade, que ainda viveu no tempo da outra senhora. Quando abriu os olhos, já havia livros em casa. Havia os do pai, que eram do Steinbeck, do Dostoiévski, do Hemingway, do Ferreira de Castro e do Saramago; e havia os de banda desenhada, que eram do Goscinny, do Hergé, do Edgar P. Jacobs, do Christin e do Moebius. Estudou design gráfico no Ar.Co e começou uma carreira na publicidade onde foi diretor criativo de algumas das principais agências do mercado e amealhou várias distinções nacionais e internacionais. O gosto pela leitura e pela escrita, mas, sobretudo, a necessidade de perceber como se fazia, afinal, um daqueles livros como os que havia em casa, levaram-no a tentar. E a tentar. E a tentar de novo. Pés de Barro é o seu primeiro romance.



CLUBE DE LEITURA - ABRIL 2026

Na passada quinta-feira, dia 30 de abril, pelas 21h00, decorreu a sessão mensal do Clube de Leitura, para a abordagem e discussão da obra "Misericórdia" de Lídia Jorge.

Esta obra recebeu o Grande Prémio do Romance e Novela, em 2022, da APE e o Prémio Melhor Livro Lusófano, publicado em França, atribuído pela revista Tranfuge e considerado já como uma obra prima de Lídia Jorge.

É considerada uma obra audaciosa, com profunda humanidade num estilo literário refinado, de leitura rica e complexa, mas acessível.

Decorre no lar da Santa Casa da Misericórdia de Boliquieme, apelidado de Hotel Paraíso, no Algarve, durante o período da pandemia do covid-19, um tempo bizarro, num espaço concentracionário e de confinamento. Neste hotel, vão-se perfilando ao longo da obra a Dona Alberti e as mais diversas personagens - idosos e cuidadores - e as vivências num ambiente muito semelhante a um qualquer lar do mundo.

Este livro foi escrito a pedido da mãe da autora, tendo sido interpretado como um grito, um clamor, vindo da solidão e do desenraizamento da espera.

É admirável como a autora consegue que ele seja ao mesmo tempo brutal e esperançoso, irónico e amável, misto de choro e riso.

Para Tolentino de Mendonça, esta obra desperta para a atenção que todos devemos ter para com o envelhecimento, o cuidado e a importância de tentarmos dar sentido à vida dos idosos até ao fim e à "necessidade de compaixão e valorização da experiência humana".

Misericórdia é um convite à reflexão sobre o tratamento de idosos e do valor da humanidade na interação social.