sexta-feira, 27 de outubro de 2017

CLUBE DE LEITURA - OUTUBRO

Ontem, pelas 20 horas, na Biblioteca Municipal, decorreu a sessão do Clube de Leitura de Outubro, que neste mesmo mês, completa 5 anos de existência.

Em comemoração desta data festiva, houve um encontro, no qual não faltaram as especialidades gastronómicas dos membros do Clube, que estiveram particularmente animados.

A obra abordada este mês foi o "O luto de Elias Gro" de João Tordo.

O narrador transporta-nos para uma pequena e enigmática ilha perdida no Atlântico, que não é facilmente identificável, no entanto, "acessível por ferry" (pág. 16) e "a viagem de ferry até à península demora 30 minutos" (pág. 91).



O narrador diz que foi viver para uma ilha num "continente" que não era o seu (pág. 78)



É uma ilha onde se fala francês. "À porta da loja há um letreiro em francês: 'Épicerie Boulay' " (pág. 30). "Passou por uma taberna também com um letreiro francês, 'Le Calme avant la Tempête' " (pág. 31). Drosler escreve um livro em francês, "La haine et l'Ouest" (pág. 131).



Na ilha há "plantações de girassóis, um cemitério, uma igreja, 25 ou 30 casas..." (pág. 16)



"(Drosler)...um estrangeiro oriundo de um país (a Dinamarca) a milhares de km de distância, situado na outra margem de um oceano frio e revoltado... " (pág. 135).
O narrador refugia-se num velho farol abandonado, para se afundar na solidão e na tentativa de esquecimento dos seus próprios dramas, mas acaba por se cruzar com um conjunto de "criaturas singulares", alguns com destinos ainda mais trágicos, que o vão ajudar a encontrar uma saída para a profunda depressão em que se encontra.

Nesta travessia, ao longo do livro, o autor mergulha na alma humana, no que ela tem de mais obscuro e luminoso. Reflete sobre a fragilidade do ser humano, pois "por mais que as pessoas jurem que são feitas de outro material, acredite em mim quando lhe digo que são feitas de porcelana, da mais frágil e dispendiosa".

O personagem Elias Gro torna-se inspirador para o narrador levando-o a superar os desgostos através da fé, não a fé religiosa, mas a fé nas pessoas, baseada na confiança, que de forma progressiva o leva ao encontro da paz e a uma maior interação com o mundo que o rodeia.

"A vida não foi sempre assim. No princípio dos tempos, os homens procuravam-se. Onde é que tu estás, dizia um. Estou aqui, dizia o outro. Percorriam esse distância infinita que nos separa uns dos outros e encontravam-se algures no meio. Caçavam juntos, faziam as refeições juntos. Protegiam-se, se fosse o caso, se o Homem A construía um abrigo, o Homem B partilhava-o com o Homem A."

Em síntese, esta obra é, segundo Ana Ferreira, um dos membros do Clube "A perda. O luto e o renascimento. A sobre/vida e a sobrevivência. O seguir em frente e o não sair do mesmo lugar. O confinamento. A ilha geográfica e a ilha que cada indivíduo pode ser, mesmo não estando só".

Este livro é o primeiro de três romances que, apesar de constituírem uma trilogia, terem títulos semelhantes e nomes de personagens que transitam, contam histórias "independentes", sem uma cronologia a seguir, podendo ser lidos de forma independente ou sem qualquer ordem específica. 
O segundo é "O paraíso segundo Lars D" e o terceiro "O deslumbre de Cecília Fluss" que já estão disponíveis na Biblioteca Municipal.

Parabéns ao Clube de Leitura!

  
 
  
 
 
 
    



sexta-feira, 29 de setembro de 2017

CLUBE DE LEITURA - OUTUBRO



Sinopse:Numa pequena ilha perdida no Atlântico, um homem procura a solidão e o esquecimento, mas acaba por encontrar muito mais.
A ilha alberga criaturas singulares: um padre sonhador, de nome Elias Gro; uma menina de onze anos perita em anatomia; Alma, uma senhora com um coração maior do que a ilha; Norbert, um velho louco que tem por hábito vaguear na noite; e o fantasma de um escritor, cuja casa foi engolida pelo mar.
O narrador, lacerado pelo passado, luta com os seus demónios no local que escolheu para se isolar: um farol abandonado, à mercê dos caprichos da natureza - e dos outros habitantes da ilha. Com o vagar com que mudam as estações, o homem vai, passo a passo, emergindo do seu esconderijo, fazendo o seu luto, e descobrindo, numa travessia de alegria e dor, a medida certa do amor.
O luto de Elias Gro é o romance mais atmosférico e intimista de João Tordo, um mergulho na alma humana, no que ela tem de mais obscuro e luminoso.



Críticas de imprensa
«Uma das melhores vozes da ficção portuguesa»
Francisco José Viegas, Correio da Manhã
 
 
 
 
  • A não perder!
    Ana Silva | 26-04-2017
    Na estrada da vida, muitas são as curvas imprevistas, que podem conduzir ao desejo de solidão extrema e ao aniquilamento do ser. O exílio voluntário, numa ilha fustigada por ventos hostis, parece ser a solução apaziguadora para o protagonista incapaz de prosseguir caminho. Porém, nem na clausura de um farol estamos sozinhos: há quem nos surja na encruzilhada do trilho que falta percorrer e caminhe connosco. O universo literário de João Tordo, urdido de redenção e humanismo, é pura poesia! Após a leitura de O Luto de Elias Gro e de O paraíso segundo Lars. D., aguardo com impaciência a chegada de O deslumbre de Cecília Fluss.
  • Aceitar o mundo tal como ele é
    JT | 25-09-2016
    «O luto de Elias Gro» é um livro que prende desde a primeira palavra; é de uma grande beleza. Surpreende pela enorme lição de vida: aceitar o mundo tal como ele é. O melhor elogio que se pode fazer ao livro é que depois de lido o seu eco permanece.

CLUBE DE LEITURA - SETEMBRO

Ontem, pelas 21h00, na Biblioteca Municipal, decorreu a sessão do Clube de Leitura de Setembro, para partilhar ideias sobre a obra "Os cus de judas" de António Lobo Antunes.
O livro foi publicado em 1979  e é o segundo volume de uma trilogia. Sendo o primeiro "Memória de elefante",  "Os cus de judas" e "O conhecimento do inferno", nos quais o autor pretende fazer uma espécie de catarse para tentar superar os traumas psicológicos causados pela sua participação como médico-soldado na Guerra Colonial em Angola.
Trata-se de um relato brutal, uma escrita densa, chocante, na qual também não faltam, por vezes,   algumas passagens hilariantes e com aquele humor de caserna, sarcástico e mordaz.
A obra contém metáforas, imagens e citações que nos fazem entender o grau de cultura do seu autor, com referência às artes como o  cinema, a literatura, a pintura, com El Greco, Giotto, Vermeer e muitos mais.
A saga começa em Lisboa, a bordo do Vera Cruz, faz a sua passagem pela Madeira, depois Luanda, Nova Lisboa, Luso e por fim a viagem "apocaplítica", em campos minados até Gago Coutinho, a que A.L.A. apelida de "inferno, ou inferno maior, o sétimo inferno", com a  "Zâmbia quase à vista", por onde entravam os turras (soldados do MPLA).
Ainda em Lisboa, no momento do embarque no Vera Cruz, A.L.A. faz-nos uma contextualização histórica de Portugal bastante realista, "O espectro de Salazar pairava sobre as calvas pias labaredazinhas de Espírito Santo corporativo, salvando-nos da ideia tenebrosa e deletéria do socialismo. A Pide prosseguia corajosamente a sua valorosa cruzada contra a noção sinistra de democracia, primeiro passo para o desaparecimento, nos bolsos ávidos de ardinas e maçanos, do faqueiro de cristofle. O cardeal Cerejeira, emoldurado, garantia de um canto a perpetuidade da Conferência de São Vicente de Paula, e por inerência, dos pobres domesticados. O desenho que  representava o povo em uivos de júbilo ateu em torno de uma guilhotina libertária fora definitivamente exilado para o sótão, entre bidés velhos e cadeiras coxas, que em fresta poeirenta de sol aureolava do mistério que acentua as inutilidades abandonadas".
Em toda a narrativa há um lamento indignado e desesperado contra a guerra, o colonialismo, a escravidão, um regime decadente e alheado da realidade, à mistura com relatos de sentimentos do mais íntimo que um ser humano pode confessar, umas "saudades indescritíveis", uma "melancolia sem remédio" e uma "solidão enorme".







sexta-feira, 28 de julho de 2017

CLUBE DE LEITURA - SETEMBRO



Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante.
Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

A próxima sessão do Clube de Leitura será em 28 de Setembro, pelas 21h00, e a obra será "Os cus de Judas" de António Lobo Antunes



Sinopse: A memória das experiências vividas durante a guerra em Angola. A partir de um encontro nocturno, num bar, do narrador com uma mulher, sem nome e sem voz, surge num longo monólogo o percurso de um médico militar que, depois de passar vinte e sete meses em Angola a servir o exército colonial, a reconstituir os corpos explodidos na guerra ou a assistir à sua agonia, regressa à metrópole, perdido numa angústia sem saída.