Na passada 5ª feira, dia 25 de junho, pelas 21 horas, decorreu a sessão do mês, com a leitura da obra "Crescer à sombra" de Rita Redshoes, dedicado aos avós, que a ajudaram a criar e aos quais tem uma grande ligação afetiva.
“Sinto-me pequenina, tão indefesa sempre que me acontece uma contrariedade ou algo de novo. O mundo parece-me um monstro. O mundo é um monstro, talvez pior que um monstro. Eu, uma migalha, insignificante, macilenta, com olheiras profundas, uma criança perdida num infinito ameaçador”
Rita Redshoes, numa linguagem simples, humana e cativante, descreve-nos, de certa forma, a todos num momento da nossa infância/juventude, ora focando nas relações pessoais, ora trazendo à tona os vários conflitos internos que desafiam cada um de nós na nossa fase de crescimento.
Não me senti apenas leitora passiva. Quando Marta fazia de tudo para não ir à escola, a Juliana também não queria ir à escola; quando a Marta rejubilava com os três meses de férias e de brincadeira, a Juliana sentia-se de férias também; quando a Marta mergulhava num sentimento de tristeza por causa dos pais, dos avós, ou da irmã, a Juliana mergulhava nesse mesmo mar melancólico que afligia a Marta; quando a Marta percebeu que o seu corpo estava a mudar e entrou em negação, a Juliana relembrou que não foi só ela qu, no passado, se sentiu incomodada com as mudanças que a puberdade traz.
Perante o “monstro-mundo” que se coloca à sua frente, a Marta tem dificuldade em sair da zona de conforto e o seu crescimento torna-se lento e doloroso. Mas, como todos sabemos, é inevitável crescer. “Crescer à sombra” é um retrato simples e sensível sobre as dores do crescimento.
Juliana Marques (autora desta seleção literária)

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