domingo, 2 de agosto de 2026

CLUBE DE LEITURA - JULHO 2026

Na passada quinta-feira, dia 30 de julho, pelas 21 horas, decorrreu a sessão do Clube de Leitura para a abordagem da obra "A visão das plantas" de Djaimilia Pereira de Almeida, escritora de origem angolana com muito sucesso em todo o mundo, em que quase todas as suas obras têm sido premiadas.

Inspirada no livro “Os pescadores” de Raúl Brandão, Djaimilia Pereira de Almeida apresenta-nos o Capitão Celestino de volta à casa materna, após uma longa carreira como negreiro, ao longo da qual cometeu as maiores atrocidades. A casa, há muito abandonada, teima em existir, mas é no quintal que Celestino encontra a razão de ser dos seus dias.

Na ânsia de expiar o passado criminoso que o persegue, incapaz de qualquer emoção,  livra-se do que resta da família…

Qual asceta penitente, Celestino comunga com a natureza para morrer.

Em contraste com a casa, o quintal exuberante torna-se na razão de ser dos seus dias…

Ignorando a vizinhança e evitando o padre, que o quer confessar a todo o custo, Celestino embrenha-se a fundo naquela missão, confundindo-se com os elementos da natureza até “deixar de ser gente”.

Esse seu desapego às coisas do mundo manifesta-se no isolamento, mas também na recusa de qualquer interação, salvo exceções muito pontuais, em que inventa histórias para amedrontar as crianças.

Nos momentos de loucura, febril, o negreiro recorda atrocidades cometidas enquanto pirata e quando “revê” a menina holandesa, ainda tem ganas de dar uso à navalha.

Mais velho, mais fraco e quase cego, Celestino torna-se escravo das plantas. 

Fecha-se, definha, apenas acompanhado pelos fantasmas que teimavam em voltar à noite… Perturbado divaga, sonha, mas sem nunca demonstrar arrependimento ou remorsos pelas atrocidades cometidas enquanto negreiro, inviabilizando assim qualquer redenção.

Perto do fim, o padre visita-o… as crianças deixam de aparecer… A degradação física agudiza-se, os momentos de sonambulismo e as visões fantasmagóricas aumentam…

Por caridade, numa rara visita, o primo Manuel ainda o leva a ver o mar, mas Celestino já não tem noção de onde está …  O fim precipita-se… revê nas águas o reflexo da sua cuidadora holandesa, caminhando para ele de olhos vendados…

À saída da casa de Celestino, a visão das plantas revela-se, pela última vez, em todo o seu esplendor ao padre Alfredo, tal aleluia pela passagem da alma do capitão.

Luísa Correia (membro do Clube de Leitura)










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