quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

CLUBE DE LEITURA - FEVEREIRO 2026

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. 

As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

O Clube de Leitura reunirá a 26 de fevereiro, pelas 21h00.

O livro selecionado será "Paraíso" de Abdulrazak Gurnah. 





Sinopse: Nascido numa pequena povoação da África Oriental, Yusuf é vendido aos doze anos pelo seu pai ao rico comerciante Aziz, a quem se habituara a chamar tio. Na sua nova vida como escravo, Yusuf é chamado a participar numa perigosa expedição comercial ao interior do continente.


Uma verdadeira viagem de iniciação pelo coração das trevas ao longo de uma paisagem bela e selvagem, que o levará a descobrir um território povoado por tribos hostis, africanos muçulmanos, comerciantes indianos e agricultores europeus, um paraíso ameaçado, em vésperas da Primeira Guerra Mundial.

Aliando romance de formação, ficção histórica e literatura de viagens num mosaico de mitos, sonhos, tradições bíblicas e corânicas, Gurnah descreve as feridas vivas de um continente ainda virgem em vias de ser colonizado.

Finalista do Booker Prize e do Whitbread Award, Paraíso, originalmente publicado em 1994, foi o romance que projectou Abdulrazak Gurnah para o palco internacional, consagrando-o como um dos grandes escritores da actualidade.

Quem é Abdulrazk Gurnah?




PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 2021

Abdulrazak Gurnah nasceu em 1948 em Zanzibar. Na década de 1960, abandonou o seu país, então a braços com uma revolução, e rumou ao Reino Unido. Foi professor de Literatura Inglesa na Universidade de Kent em Canterbury, onde vive atualmente. A sua obra versa sobre a experiência africana, o colonialismo e o refugiado, e nela se destacam os romances Paraíso (1994), finalista do Booker Prize e do Whitbread AwardJunto ao Mar (2001), nomeado para o Booker Prize e finalista do Los Angeles Times Book AwardO Desertor (2005), finalista do Commonwealth Writers' Prize; e Vidas Seguintes (2020), finalista do Orwell Prize for Political Writing 2021 e nomeado para o Walter Scott Prize 2021, todos eles publicados pela Cavalo de Ferro. Gurnah recebeu o Prémio Nobel de Literatura 2021 «pela forma determinada e humana com que aborda e aprofunda as consequências do colonialismo e o destino do refugiado no fosso entre culturas e continentes». Gente da Casa (2025) é o seu mais recente romance.

CLUBE DE LEITURA - JANEIRO 2026

Na passada quinta-feira, dia 29 de janeiro, pelas 21h00, decorreu a sessão mensal do Clube de Leitura, para a abordagem e discussão da obra "Autobiografia não escrita de Martha Freud" de Teolinda Gersão.

Nesta "Autobiografia", T. Gersão explica numa nota inicial que se baseou, essencialmente em documentos, a fonte consiste nas cartas trocadas entre Sigmund Freud e Martha Bernayss, escritas durante o seu noivado, entre 1882 e 1886 e publicadas pela primeira vez em quatro volumes, entre 2011 e 2019. Até 2011 as cartas não eram conhecidas. Utilizou também cartas trocadas entre Freud e outras pessoas.

Assim, a narradora é Martha, autora de uma autobiografia que nunca escreveu, alegando que a filha mais nova, Anna, nunca o teria permitido, porque controlava ciosamente todas as publicações sobre o pai, sendo a defensora mais feroz e intransigente do seu legado.

A narração começa após a morte de Freud, em Londres, em 1939, não se sabendo exatamente em que ano em que Martha faleceu (1951?).

Nesta troca de correspondência entre estas duas personagens históricas, não se aborda a obra científica, "Não escrevo ao homem da ciência, mas ao homem que me fez sua noiva", mas sim o percurso de vida de duas personalidade fortes, mas muito diferentes, a relação entre ambos e com outras personagens incontornáveis das suas vidas. 

Assim, nesta obra somos confrontados com Freud, na perspectiva da sua esposa ao longo da sua vida em comum. Freud revela-se-nos um ser estranho, egoísta, narcisista, egocêntrico, manipulador, frio, calculista, ciumento, obssessivo, consumidor de cocaína, etc.

Martha, no capítulo 4º, explica porque se apaixonou por ele: "Creio que foi por ele me atrair fisicamente e o sentir superior a mim que me apaixonei", era "um homem mais alto, mais inteligente, culto e forte do que eu, de aparência sensual e olhar perscrutador e magnético atraía-me irresistivelmente". Também no capítulo 20 confessa que "eu distinguia nele vários aspectos que me seduziram, como a imaginação poderosa, o seu amor pela literatura e a sua criatividade".

Dominador: "Pertences-me e vais mesmo ser como eu quero".(22/1/1882).

Recusou comparecer ao casamento de Eli, o irmão de Martha, com a sua própria irmã Anna com a seguinte frase " o dia chegará em que vingarei os meus que considero superiores aos teus" (22/10/1882)

"Há dois anos que luto com a ralé, que ora é Fritz, Max, Eli ou a mamã e não percebes que eu pertenço a uma espécie melhor e mais nobre de pessoas".  (27/7/1884)

No capítulo 24, Martha confessa: "Éramos apenas 14 pessoas à mesa no almoço da boda", "o dinheiro era escasso e tínhamos de cortar o que não era essencial, mas Sigi ia todos os dias ao barbeiro e o guarda-roupa manteve-se impecável".

Quando nasceu a primeira filha Freud escreveu à sogra: "Estou terrivelmente cansado, como se tivesse sido eu a ter a criança".

Quanto aos doentes, Martha achava que Freud pouco se importava com a cura dos doentes, via-os mais como fonte de rendimento, porque a sua clientela era rica, excêntrica, desorientada. Lutava por duas coisas: nome e fortuna.

Mas Martha por vezes também se diminuiu em carta:  "tens de me aceitar tal como sou, por vezes infeliz, um pouco burra, espirituosa e de natureza um pouco cordeirinha".

Afirma que "várias vezes me apeteceu deixá-lo, só que a alternativa mais provável para uma rapariga pobre e já bastante envelhecida (faria em julho, 26 anos), quando era habitual casar aos 20, o destino possível seria cuidar da minha mãe e apoiar na sua morte, entrar ao serviço de outra idosa (na melhor das hipóteses) como dama de companhia. E essa ainda era pior do que correr o risco e casar com Sigi".

Por outro lado Freud não rompeu o noivado porque precisava de resolver o "problema do casamento. Um homem notável e respeitado devia casar e ter filhos".

No capítulo 24, quando se refere à sua vida sexual, "Senti uma grande falta de ternura e carinho, como era expectável num homem selvagem, com o corpo cheio de cocaína". Freud tinha-lhe anunciado antes do casamento: "Ai de ti, minha princesa, quando eu chegar vais ver quem é mais forte, se uma jovem que não come o suficiente ou um homem selvagem, com o corpo cheio de cocaína." 

Mais tarde leria, casualmente, uma afirmação sua: "As mulheres deviam considerar os seus órgãos genitais como apenas invólucros aconchegantes, para gozo do homem, tornando a vida dele mais agradável".

A relação de Freud com Minna, irmã de Martha, era muito estranha. Era normal viajarem juntos só os dois, o que era muito humilhante para a esposa. Minna foi viver com eles um mês depois do nascimento de Anna (1885), teoricamente para ajudar a cuidar dela e da Martha.

A certa altura confessa que apesar de Freud viajar com a  irmã de Marta sozinhos, esta mantém o estereotipo de ter sido a esposa do génio e a sua viúva, magnífica dona de casa e mãe exemplar dos filhos.

A autora refere que, com a leitura desta obra as figuras de ambos se revelam muito diferentes do que esperaríamos, mas que não deve ser considerado como uma perda, mas sim "uma revelação surpreendente".













terça-feira, 6 de janeiro de 2026

CLUBE DE LEITURA -JANEIRO 2026

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. 

As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

O Clube de Leitura reunirá a 29 de janeiro, pelas 21h00.

O livro selecionado será "Autobiografia não escrita de Martha Freud" de Teolinda Gersão.


Sinopse: 
Este é um romance sobre personagens históricas, mas não um "romance histórico", na medida em que pretende seguir/reconstituir/aproximar-se o mais possível da realidade, obrigando-se a usar sobretudo a interpretação (que as torna visíveis), reduzindo ao mínimo a fantasia (que iria "atraiçoá-las"). Apesar da subjectividade inevitável de tudo o que é escrito, procura ser "objectivo", porque alicerçado em documentos.

Uma vez que Freud sempre teve voz e Martha foi até 2011 silenciada e reduzida ao estereótipo de esposa, mãe e dona de casa, descobrir a sua personalidade "real" não me interessou menos do que a do homem célebre, complexo e multifacetado da sua vida. Aliás, neste caso a celebridade não importa, a matéria do livro é o diálogo de duas pessoas em igual medida importantes, que mutuamente se procuram, encontram e desencontram.

É possível que para o leitor (como no início para mim) as figuras de ambos se revelem muito diferentes do que esperaria. O que não considero uma perda, mas uma revelação surpreendente.»

Teolinda Gersão


Quem é Teolinda Gersão?

Teolinda Gersão estudou nas Universidades de Coimbra, Tübingen e Berlim, foi leitora de português na Universidade Técnica de Berlim e professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa, onde leccionou Literatura Alemã e Literatura Comparada. Viveu três anos na Alemanha, dois anos em São Paulo, Brasil, e conheceu Moçambique e a cidade de Lourenço Marques, onde decorre o romance A árvore das palavras. É autora de 20 livros e a sua obra encontra-se traduzida em 20 países. Considerada uma das maiores escritoras portuguesas da atualidade, foi galardoada com os mais prestigiados prémios literários nacionais, nomeadamente o Grande Prémio de Romance e Novela da APE, o Prémio do PEN Clube (1981 e 1989), o Grande Prémio do Conto Camilo Castelo Branco, o Prémio Fernando Namora (1999 e 2015) e o Prémio Literário Vergílio Ferreira 2017 pelo conjunto da sua obra.
Foi escritora residente da Universidade de Berkeley em 2004.
Alguns dos seus contos e livros têm sido adaptados ao cinema e ao teatro e encenados em Portugal, na Alemanha e na Roménia.
Em 2018, foi-lhe atribuído o Marquis Lifetime Achievement Award e, em 2023, venceu a 28.ª edição do Grande Prémio de Literatura dst com o livro O regresso de Júlia Mann a Paraty.

sábado, 20 de dezembro de 2025

O Clube de Leitura realizou-se no passado dia 17 de dezembro, tendo como foco o espírito de Natal.
O habitual jantar literário aconteceu num ambiente de convívio e de partilhas não só literárias, mas também gastronómicas, dando lugar à declamação de poemas, leitura de contos, textos, anedotas e cantigas.
A sessão destacou-se pelo espírito festivo, reforçando os laços entre os participantes e celebrando a literatura como lugar de encontro e união de leitores.


















domingo, 30 de novembro de 2025

CLUBE DE LEITURA - DEZEMBRO 2025

No próximo dia 17 de dezembro, pelas 20 horas, decorrerá a sessão do Clube de Leitura, com o habitual jantar natalício e literário.

Sobre o tema Natal, serão ditos, lidos, contados, cantados poemas, excertos, pequenos textos, contos, anedotas, etc.

Sim, porque o NATAL é também alegria e boa disposição.






CLUBE DE LEITURA - N0VEMBRO 2025

Na passada quinta-feira, dia 27 de novembro, pelas 21h00, decorreu a sessão mensal do Clube para a abordagem e discussão da obra "Caderno proibido" de Alba de Céspedes (1911-1997, poetisa, novelista, jornalista e antifascista, considerada a voz rebelde da literatura italiana.

Era filha de um embaixador cubano que era favorável ao movimento revolucionário de Fidel Castro e Che Guevarra, neta de um revolucionário cubano de lutou pela independência de Cuba do domínio espanhol. 

Em 1930 como jornalista colaborou com os jornais Piccolo, Epoca e La stampa. Em 1935 publica o seu primeiro romance "L'Anima degli altri". Em1935 foi presa por atividades antifascistas e alguns dos seus romances foram proibidos.

Em 1943 foi presa por assistir a Rádio Partigiana, em Bari, onde participava com a persongem por si criada conhecida por Clorinda. 

Em 1944 fundou a revista Mercurio, uma revista de política, arte, ciência, núcleo intelectual com nomes como Natalia Ginzburg, Elsa Morante ou Alberto Moravia. Em 1995 escreveu o guião para o filme Lhe amiche, do famoso realizador Michelangelo Antonioni.

Em Itália sentia-se uma pouco rejeitada pela crítica, que na época a consideravam uma autora de romances cor de rosa, muda-se para Paris, nos anos 60, para poder acompanhar a evolução cultural da Europa e onde tudo acontecia.

Hoje é considerada uma líder feminista que influenciou através dos seus livros o início do movimentos de emancipação das mulheres. Mas não só. Na sua obra deparamo-nos com um relato social, político, económico e até psicológico das suas personagens e dos problemas existenciais de uma geração que viveu os constrangimentos da Segunda Guerra Mundial e da geração seguinte, mais priviligiada, mas sempre descontente.

Neste Caderno proibido, com espaço temporal de seis meses (26 novembro 1950 a 27 Maio de 1951), a personagem Valeria, através da escrita de um diário, acaba por fazer uma terapia, uma espécie de catarse, de autodescoberta, refletindo profundamente sobre o sentido da sua vida e descobre um grande vazio, a solidão, a opressão das mulheres dos anos 50 e os conflitos geracionais.

A obra está bem escrita, com grande riqueza na construção das personagens e de leitura acessível, estilo belíssimo que veio a influenciar escritoras como Anne Ernaux e Elena Ferrante que a elegem como fonte de inspiração.

Céspedes foi contemporânea de Clarice Lispector e em alguns dos contos de "Laços de família" surgem muito personagens com alguma semelhança com Valeria.
























quarta-feira, 5 de novembro de 2025

CLUBE DE LEITURA - NOVEMBRO 2025

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. 

As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

O Clube de Leitura reunirá a 27 de novembro, pelas 21h00.

O livro selecionado será "O caderno proibido" de Alba Céspedes.





Sinopse:

Roma, década de 1950: Valeria Cossati vai comprar cigarros para o marido, ignorando que sairá da tabacaria com um caderno que há de mudar a sua vida. Ao transformar esse caderno num diário secreto onde regista pensamentos e desejos do dia-a-dia, Valeria transforma-o num instrumento de emancipação: liberta-se das convenções sociais, do sentido de dever para com o marido e os filhos, dos limites autoimpostos que regem o seu pequeno mundo. A partir daqui, tudo é questionado. Valeria compreende que está em translação e decide conquistar o lugar que escolheu para si.

Clássico redescoberto, testemunho histórico de uma época, retrato primoroso da turbulência doméstica, O Caderno Proibido condensa a sede de liberdade de toda uma geração e das outras que se lhe seguiriam. Precursora da linhagem literária mais disruptiva da modernidade - de Virginia Woolf a Natalia Ginzburg, de Marguerite Duras a Vivian Gornick -, Alba de Céspedes celebra aqui o poder da escrita e a audácia indómita de uma mulher numa sociedade em ebulição.


Quem é Alba de Céspedes?

Nasceu em Roma, em 1911. Trabalhou como jornalista e publicou o seu primeiro livro, L’anima degli altri (contos), em 1935, ano em que foi presa pela primeira vez, devido a atividades antifascistas. Em 1938, saiu o seu romance de estreia, Nessuno torna indietro, o qual teve enorme repercussão, acabando por ser banido. Em 1944, fundou a Mercurio, uma revista de política, arte e ciência que se transformou num fórum de debate intelectual, com colaborações de Natalia Ginzburg, Elsa Morante ou Alberto Moravia. Os romances Dalla parte di lei (1949) e O caderno proibido (1952) haveriam de consagrar o seu enorme prestígio e popularidade, em Itália e internacionalmente. Seguiram-se ainda La bambolona (1967) e Nel buio della notte (1976). No pós-guerra, Alba de Céspedes dedicou-se sobretudo à escrita para cinema, teatro, rádio e televisão – colaborou, por exemplo, no guião do filme Le Amiche, de Michelangelo Antonioni. Estabeleceu-se então em Paris onde morreu, em 1997.