domingo, 27 de novembro de 2022

CLUBE DE LEITURA DEZEMBRO

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. 

As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

O Clube de Leitura reunirá a 13 de dezembro, pelas 20h00.

Nesta sessão de Natal, heverá o tradicional jantar, seguido de uma sessão em formato livre, de leitura de um poema de natal, resumo de um conto de natal, sobre uma música ou até de um filme alusivo à época. (Máximo de 5 minutos para cada uma intervir).





CLUBE DE LEITURA NOVEMBRO

Na passada quinta-feira, dia 24 de novembro, pelas 21h00, decorreu a sessão do Clube de Leitura para a abordagem e discussão da obra "As maravilhas" de Elena Medel.

Trata-se de uma obra publicada recentemente, à qual desde logo lhe foi atribuído o Prémio Francisco Umbral, como melhor livro do ano de 2020 e foi vendido em mais de doze países. Tem sido também muito elogiado por alguns escritores portugueses como José Luís Peixoto e Valter Hugo Mãe.

Elena Medel normalmente escreve poesia, mas fez uma pausa e estreou-se na prosa com este romance que “olha para as pessoas e para a história com uma nitidez avassaladora. Entre o que há de melhor na literatura contemporânea" segundo José Luís Peixoto. Valter Hugo Mãe refere que é uma das suas escritoras favoritas de toda a Espanha, com uma escrita "inteligentíssima e surpreendente" e de grande "lucidez poética".

Este romance é sobre o dinheiro e a falta dele, a sorte e o azar e também sobre as circunstâncias do nascimento. Constituído por onze fragmentos, a partir da intimidade de duas mulheres, atravessa a história de Espanha desde meados do século XX até 2018. A ditadura, a morte de Franco, a transição para a democracia, a eleição de Filipe González em 1992, a entrada na União Europeia, a crise económica, o extremar de movimentos políticos. A narrativa não segue uma linha cronológica, começa em 2018 e fecha em 2018, manhã e noite do mesmo dia.

O romance intercala capítulos entre o passado e presente de Maria e Alícia, entre suas vidas em Córdoba e em Madrid: de 1969 a 2018, de 1975 a 1984 ou de 1998 a 2015, por exemplo. Enquanto constrói a trajetória de cada mulher, a autora também faz um importante retrato do movimento feminista espanhol ao longo de cinco décadas. Medel expõe as condições de trabalho e as relações de abuso de poder, entre mulheres e homens – de chefes e maridos. Especialmente nos momentos em que acompanhamos Maria, vemos uma sensível construção da consciência política da personagem, a partir de leituras e do convívio com outras mulheres, que se reuniam para tratar de asssuntos que pouco importavam aos seus companheiros, “divórcio, aborto, violência, não física, mas verbal”. Elena Medel diz, também, do silenciamento imposto ao feminino : “Quando Pedro reproduz suas ideias – não as próprias, mas as que ela compartilha com ele – na roda de amigos e nota como são recebidas com respeito. Maria sente orgulho”.

A temática é sobre a precaridade laboral, económica, também emocional, dos cuidados da maternidade, da família, assim como fala do género, da classe social, do momento, da história, da geografia, de traumas familiares, etc.

Este comovente romance torna-se um importante instrumento de reflexão sobre esta realidade que teima em prolongar-se no tempo.













quarta-feira, 2 de novembro de 2022

CLUBE DE LEITURA - NOVEMBRO

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. 

As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

O Clube de Leitura reunirá a 24 de novembro, pelas 21h00.

O livro selecionado será "As maravilhas", de Elena Medel (Prémio Francisco Umbral para Melhor Livro do Ano 2020).



Sinopse: Qual o peso da família nas nossas vidas, e qual o peso do dinheiro?

Que acontece quando uma mãe decide não cuidar da sua filha, e quando uma filha decide não cuidar da sua mãe?

Seríamos diferentes se tivéssemos nascido noutro sítio, noutro tempo, noutro corpo?

Neste romance há duas mulheres: María, a que em finais dos anos sessenta deixa a sua vida numa cidade de província para trabalhar em Madrid; e Alicia, que faz o mesmo caminho trinta anos mais tarde, por razões distintas. E há, claro, a mulher que as une e de quem praticamente não se fala: filha de uma e mãe da outra.


As Maravilhas é um romance sobre o dinheiro, ou melhor, sobre como a falta de dinheiro pode determinar uma vida inteira de precariedade e matar todos os sonhos. Mas é também uma história sobre cuidados, responsabilidades e expetativas e sobre o passado recente desta nossa Península Ibérica, desde finais da ditadura até à explosão do feminismo, contada por duas mulheres que tão-pouco podem ir às manifestações lutar pelos seus direitos porque têm, claro, de trabalhar.

Quem é Elena Medel?

Nasceu em Córdoba, na Andaluzia, em 1985 e vive atualmente em Madrid. É autora de vários livros de poesia, alguns dos quais traduzidos, género sobre o qual escreveu também ensaios. Fundou e dirige a editora de poesia La Bella Varsovia. Entre outros prémios, recebeu o XXVI Prémio Lowe para Jovens Criadores e o Prémio da Fundação Princesa de Girona 2016 na categoria Artes e Letras. 

O que se fala:

DICA: As maravilhas, Elena Medel - YouTube

Elena Medel: poético, feminista, humano, o seu primeiro romance é um caso | Livros | PÚBLICO (publico.pt)

 

«As Maravilhas é um romance que olha para as pessoas e para a história com uma nitidez avassaladora. Entre o que há de melhor na literatura contemporânea.»
José Luís Peixoto



«Elena Medel é uma das minhas favoritas de toda a Espanha. Brava e terna, inteligentíssima e surpreendente, a sua escrita é a mais pura lucidez poética. Aleluia que chegou a Portugal.»


Valter Hugo Mãe



 


terça-feira, 1 de novembro de 2022

CLUBE DE LEITURA - OUTUBRO

O Clube de Leitura da Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo celebrou 10 anos de encontros mensais, à volta do livros.

A primeira sessão teve lugar a 25 de outubro de 2012, contabilizando-se a leitura de mais de uma centena de livros, desde então.

Com encontros agendados na última quinta-feira de cada mês, exceto agosto, todos os interessados podem participar nas sessões. Basta ler o livro do mês e juntar-se à conversa, partilhando a sua experiência de leitura.

 

No âmbito das comemorações do 100º aniversário de José Saramago a obra adotada para outubro foi "A Jangada de Pedra", cuja sessão decorreu no dia 27 de outubro.

 

“Depois do prazer de possuir livros, não há outro que seja mais doce do que falar sobre eles”

Charles Nodier (1780-1844)




















quarta-feira, 12 de outubro de 2022

CLUBE DE LEITURA DE OUTUBRO (10º ANIVERSÁRIO)

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. 

As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

O Clube de Leitura reunirá a 27 de outubro, pelas 21h00.

No âmbito das comemorações do 100º aniversário de José Saramago a obra adoptada para outubro é "Jangada de pedra".

 

Sinopse: Em A Jangada de Pedra (…) o escritor recorre a um estratagema típico. Uma série de acontecimentos sobrenaturais culmina na separação da Península Ibérica que começa a vogar no Atlântico, inicialmente em direção aos Açores. A situação criada por Saramago dá-lhe um sem-número de oportunidades para, no seu estilo muito pessoal, tecer comentários sobre as grandezas e pequenezas da vida, ironizar sobre as autoridades e os políticos e, talvez muito especialmente, com os atores dos jogos de poder na alta política. O engenho de Saramago está ao serviço da sabedoria.


Real Academia Sueca, 8 de outubro de 1998

Caligrafia da capa por MÁRIO CLÁUDIO



Quem é José Saramago?

Prémio Nobel de Literatura, 1998


Autor de mais de 40 títulos, José Saramago nasceu em 1922, na aldeia de Azinhaga.
As noites passadas na biblioteca pública do Palácio Galveias, em Lisboa, foram fundamentais para a sua formação. «E foi aí, sem ajudas nem conselhos, apenas guiado pela curiosidade e pela vontade de aprender, que o meu gosto pela leitura se desenvolveu e apurou.»
Em 1947 publicou o seu primeiro livro que intitulou A Viúva, mas que, por razões editoriais, viria a sair com o título de Terra do Pecado. Seis anos depois, em 1953, terminaria o romance Claraboia, publicado apenas após a sua morte.
No final dos anos 50 tornou-se responsável pela produção na Editorial Estúdios Cor, função que conjugaria com a de tradutor, a partir de 1955, e de crítico literário.
Regressa à escrita em 1966 com Os Poemas Possíveis.
Em 1971 assumiu funções de editorialista no Diário de Lisboa e em abril de 1975 é nomeado diretor-adjunto do Diário de Notícias.
No princípio de 1976 instala-se no Lavre para documentar o seu projeto de escrever sobre os camponeses sem terra. Assim nasceu o romance Levantado do Chão e o modo de narrar que caracteriza a sua ficção novelesca. Até 2010, ano da sua morte, a 18 de junho, em Lanzarote, José Saramago construiu uma obra incontornável na literatura portuguesa e universal, com títulos que vão de Memorial do Convento a Caim, passando por O Ano da Morte de Ricardo ReisO Evangelho segundo Jesus CristoEnsaio sobre a CegueiraTodos os Nomes ou A Viagem do Elefante, obras traduzidas em todo o mundo.
No ano de 2007 foi criada em Lisboa uma Fundação com o seu nome, que trabalha pela difusão da literatura, pela defesa dos direitos humanos e do meio ambiente, tomando como documento orientador a Declaração Universal dos Direitos Humanos. Desde 2012 a Fundação José Saramago tem a sua sede na Casa dos Bicos, em Lisboa.
José Saramago recebeu o Prémio Camões em 1995 e o Prémio Nobel de Literatura em 1998.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, condecorou postumamente, a 16 de novembro de 2021, José Saramago com o grande-colar da Ordem de Camões, pelos "serviços únicos prestados à cultura e à língua portuguesas", no arranque das comemorações do centenário do nascimento do escritor.

 


sexta-feira, 30 de setembro de 2022

CLUBE DE LEITURA DE SETEMBRO

Na passada 5ª feira, dia 28 de setembro, pelas 21 horas decorreu a sessão do Clube de Leitura de setembro, com a animada presença de grande parte dos seus elementos.

A sessão, adiada desde julho, foi dedicada à análise e discussão da obra "Rapariga, mulher, outra", de Bernardine Evaristo. A escritora anglo-nigeriana é autora de uma obra que inclui romance, poesia, contos, teatro, crítica literária e que, em 2019 foi vencedora  do Booker Prize ex-aequo com Marguaret Atwood.

 

Rapariga Mulher outra, de Bernardine  Evaristo,  é um marco importante na literatura atual e um filão, que será fértil, no neorrealismo contemporâneo já que, sendo um espelho da nossa sociedade multicultural, se assume como um manifesto contra o preconceito, o racismo e as discriminações de género. Por outro lado, a linguagem, próxima da fluidez da oralidade, e a polifonia narrativa são traços distintivos que a elegem como obra de referência.  

Cristina Marques







terça-feira, 26 de julho de 2022

CLUBE DE LEITURA JULHO

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. 

As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

O Clube de Leitura reunirá a 28 de julho pelas 21h00.

"Rapariga mulher outra" é da autoria de Bernardine Evaristo.



Sinopse: As doze personagens centrais deste romance a várias vozes levam vidas muito diferentes: desde Amma, uma dramaturga cujo trabalho artístico frequentemente explora a sua identidade lésbica negra, à sua amiga de infância, Shirley, professora, exausta de décadas de trabalho nas escolas subfinanciadas de Londres; a Carole, uma das ex-alunas de Shirley, agora uma bem-sucedida gestora de fundos de investimento, ou a mãe desta, Bummi, uma empregada doméstica que se preocupa com o renegar das raízes africanas por parte da filha.


Quase todas elas mulheres, negras e, de uma maneira ou de outra, resultado do legado do império colonial britânico. As suas histórias, a das suas famílias, amigos e amantes, compõem um retrato multifacetado e realista dos nossos dias, de uma sociedade multicultural que se confronta com a herança do seu passado e luta contra as contradições do presente.

Um romance atual, brilhantemente escrito, que repensa as questões de identidade, género e classe com o pano de fundo do colonialismo, da emigração e da diáspora.

Força narrativa e escrita cativante num empolgante mosaico de histórias de vida que farão o leitor repensar a sua maneira de ver o mundo.

Quem é Bernardine Evaristo?

asceu no sudeste de Londres, em 1959, filha de mãe britânica e pai nigeriano. Autora de uma obra que inclui romance, poesia, contos, teatro e crítica literária, a sua escrita é caracterizada pela experimentação, ousadia e subversão na forma e escolha de temas, onde desafia os mitos e preconceitos das várias diásporas africanas e das suas identidades.
O seu último romance, Rapariga, Mulher, Outra foi, ex-aequo com Os Testamentos (Ed. Bertrand, 2020), de Margaret Atwood, o vencedor do Booker Prize 2019, e Livro do Ano do British Book Awards 2020.