sábado, 20 de dezembro de 2025
domingo, 30 de novembro de 2025
CLUBE DE LEITURA - DEZEMBRO 2025
No próximo dia 17 de dezembro, pelas 20 horas, decorrerá a sessão do Clube de Leitura, com o habitual jantar natalício e literário.
Sobre o tema Natal, serão ditos, lidos, contados, cantados poemas, excertos, pequenos textos, contos, anedotas, etc.
Sim, porque o NATAL é também alegria e boa disposição.
CLUBE DE LEITURA - N0VEMBRO 2025
Na passada quinta-feira, dia 27 de novembro, pelas 21h00, decorreu a sessão mensal do Clube para a abordagem e discussão da obra "Caderno proibido" de Alba de Céspedes (1911-1997, poetisa, novelista, jornalista e antifascista, considerada a voz rebelde da literatura italiana.
Era filha de um embaixador cubano que era favorável ao movimento revolucionário de Fidel Castro e Che Guevarra, neta de um revolucionário cubano de lutou pela independência de Cuba do domínio espanhol.
Em 1930 como jornalista colaborou com os jornais Piccolo, Epoca e La stampa. Em 1935 publica o seu primeiro romance "L'Anima degli altri". Em1935 foi presa por atividades antifascistas e alguns dos seus romances foram proibidos.
Em 1943 foi presa por assistir a Rádio Partigiana, em Bari, onde participava com a persongem por si criada conhecida por Clorinda.
Em 1944 fundou a revista Mercurio, uma revista de política, arte, ciência, núcleo intelectual com nomes como Natalia Ginzburg, Elsa Morante ou Alberto Moravia. Em 1995 escreveu o guião para o filme Lhe amiche, do famoso realizador Michelangelo Antonioni.
Em Itália sentia-se uma pouco rejeitada pela crítica, que na época a consideravam uma autora de romances cor de rosa, muda-se para Paris, nos anos 60, para poder acompanhar a evolução cultural da Europa e onde tudo acontecia.
Hoje é considerada uma líder feminista que influenciou através dos seus livros o início do movimentos de emancipação das mulheres. Mas não só. Na sua obra deparamo-nos com um relato social, político, económico e até psicológico das suas personagens e dos problemas existenciais de uma geração que viveu os constrangimentos da Segunda Guerra Mundial e da geração seguinte, mais priviligiada, mas sempre descontente.
Neste Caderno proibido, com espaço temporal de seis meses (26 novembro 1950 a 27 Maio de 1951), a personagem Valeria, através da escrita de um diário, acaba por fazer uma terapia, uma espécie de catarse, de autodescoberta, refletindo profundamente sobre o sentido da sua vida e descobre um grande vazio, a solidão, a opressão das mulheres dos anos 50 e os conflitos geracionais.
A obra está bem escrita, com grande riqueza na construção das personagens e de leitura acessível, estilo belíssimo que veio a influenciar escritoras como Anne Ernaux e Elena Ferrante que a elegem como fonte de inspiração.
Céspedes foi contemporânea de Clarice Lispector e em alguns dos contos de "Laços de família" surgem muito personagens com alguma semelhança com Valeria.
quarta-feira, 5 de novembro de 2025
CLUBE DE LEITURA - NOVEMBRO 2025
Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada.
As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.
O Clube de Leitura reunirá a 27 de novembro, pelas 21h00.
O livro selecionado será "O caderno proibido" de Alba Céspedes.
Quem é Alba de Céspedes?
Nasceu em Roma, em 1911. Trabalhou como jornalista e publicou o seu primeiro livro, L’anima degli altri (contos), em 1935, ano em que foi presa pela primeira vez, devido a atividades antifascistas. Em 1938, saiu o seu romance de estreia, Nessuno torna indietro, o qual teve enorme repercussão, acabando por ser banido. Em 1944, fundou a Mercurio, uma revista de política, arte e ciência que se transformou num fórum de debate intelectual, com colaborações de Natalia Ginzburg, Elsa Morante ou Alberto Moravia. Os romances Dalla parte di lei (1949) e O caderno proibido (1952) haveriam de consagrar o seu enorme prestígio e popularidade, em Itália e internacionalmente. Seguiram-se ainda La bambolona (1967) e Nel buio della notte (1976). No pós-guerra, Alba de Céspedes dedicou-se sobretudo à escrita para cinema, teatro, rádio e televisão – colaborou, por exemplo, no guião do filme Le Amiche, de Michelangelo Antonioni. Estabeleceu-se então em Paris onde morreu, em 1997.
CLUBE DE LEITURA - OUTUBRO 2025
Na passada quinta-feira, dia 30 de outubro, pelas 21h00, decorreu a sessão mensal do Clube para a abordagem e discussão da obra "Siddhartha" do romancista e poeta alemão Herman Hesse (1877-1961), Prémio Nobel da Literatura em 1946.
A obra escolhida para a comemoração dos 13º aniversário do Clube de Leitura, não poderia ter sido a mais apropriada, porque se trata da história de uma demanda de um jovem, em busca do seu caminho em que o mais importante não é o ponto de chegada, mas o percurso realizado para o alcançar.
Assim, segundo o próprio Herman Hesse, este poema indiano, resultou de uma sua estadia em 1911, durante quatro meses, na Índia, que, se por um lado o teria desiludido, em contrapartida, constituiu uma motivação para o estudo das religiões orientais. É, na verdade, um romance largamente influenciado pelas culturas hindu e chinesa. Na Antiguidade a contribuição científica indiana foi muito importante para a cultura universal, a par com a criação de algumas das maiores religiões do mundo, em especial o budismo, a partir do século V a. C. e o hinduísmo, já no primeiro milénio.
O autor começa por recriar a fase inicial da vida de Buda (563 a.C.), contando-nos a vida de um filho de um Bramane, (sacerdote da mais alta casta da sociedade hindu) que se revolta contra os ensinamentos e tradições do seu pai, até encontrar a iluminação espiritual. A tradução para inglês desta obra nos anos 50 marcou definitivamente a Geração Beat norte americana e influenciou movimentos posteriores, como o movimento hippie e a contracultura dos anos 1960. Os seus ideiais de liberdade, igualdade e busca espiritual ainda inspiram a arte e literatura contemporâneas.
O romance é rico em metáforas e imagens e na sua peregrinação, Siddhartha depara-se com variadas personagens, conhece diversos aspetos da vida, desde o ascetismo, à paixão, ao jogo, ao comércio, num crescimento interior, até à iluminação final e união com o Absoluto.
Todas as dúvidas existenciais expressas na obra são as mesmas do homem da atualidade, por isso, esta continua a fascinar e inspirar os jovens, que se deparam com temas próximos dos seus interesses, como a busca uma postura na vida de equilíbrio, serenidade, harmonia interior neste mundo, demasiado focado no materialismo e consumismo e nas inovações tecnológicas que, se por um lado nos vêm ajudar em muitas tarefas, nos obrigam cada vez mais a uma reflexão e uma procura do que realmente é importante.
Siddhartha é para ler, reler e refletir. "É talvez a obra mais importante e convincente alegoria moral que o nosso conturbado século passado produziu. Integrando tradições espirituais orientais e ocidentais com psicanálise e filosofia, este simples conto, escrito com uma profunda e comovente empatia pela humanidade, tocou a vida de milhões desde a sua publicação original em 1922." Ralph Freedman
Obrigada pelo 13º aniversário do CL, pelas rosas amarelas, o delicioso bolo e o champanhe.
sábado, 27 de setembro de 2025
CLUBE DE LEITURA - OUTUBRO 2025
Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada.
As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.
O Clube de Leitura reunirá a 30 de outubro, pelas 21h00.
O livro selecionado será "Siddhartha" de Herman Hesse.
Quem é Herman Hesse?
PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 1946
Romancista e poeta alemão, Hermann Hesse nasceu em 1877 na pequena cidade de Calw, na orla da Floresta Negra e no estado de Wüttenberg. Como os pais depositavam esperanças no facto de Hermann Hesse poder vir a seguir a tradição familiar em teologia, enviaram-no para o seminário protestante de Maulbronn, em 1891, mas acabou por ser expulso. Passando a uma escola secular, o jovem Hermann tornou a revelar inadaptação, pelo que abandonou os seus estudos.
Hermann Hesse começou depois a trabalhar, primeiro como aprendiz de relojoeiro, como empregado de balcão numa livraria, como mecânico, e depois como livreiro em Tübingen, onde se teria juntado a uma tertúlia literária, "Le Petit Cénacle", que teria, não só grandemente fomentado a voracidade de leitura em Hesse, como também determinado a sua vocação para a escrita. Assim, em 1899, Hermann Hesse publicou os seus primeiros trabalhos, Romantischer Lieder e Eine Stunde Hinter Mitternacht , volumes de poesia de juventude.
Depois da aparição de Peter Camenzind, em 1904, Hesse tornou-se escritor a tempo inteiro. Na obra, refletindo o ideal de Jean-Jacques Rousseau do regresso à Natureza, o protagonista resolve abandonar a grande cidade para viver como São Francisco de Assis. O livro obteve grande aceitação por parte do público.
Em 1911, e durante quatro meses, Hermann Hesse visitou a Índia, que o teria desiludido mas, em contrapartida, constituído uma motivação no estudo das religiões orientais. No ano seguinte, o escritor e a sua família assentaram arraiais na Suíça. Nesse período, não só a sua esposa começou a dar sinais de instabilidade mental, como um dos seus filhos adoeceu gravemente. No romance Rosshalde (1914), o autor explora a questão do casamento ser ou não conveniente para os artistas, fazendo, no fundo, uma introspeção dos seus problemas pessoais.
Durante a Primeira Guerra Mundial, Hesse demonstrou ser desfavorável ao militarismo e ao nacionalismo que se faziam sentir na altura e, da sua residência na Suíça, procurou defender os interesses e a melhoria das condições dos prisioneiros de guerra, o que lhe valeu ser considerado pelos seus compatriotas como traidor.
Finda a guerra, Hesse publicou o seu primeiro grande romance de sucesso, Demian (1919). A obra, de caráter faustiano, refletia o crescente interesse do escritor pela psicanálise de Carl Jung, e foi louvada por Thomas Mann. Assinada nas primeiras edições com o nome do seu narrador, Emil Sinclair, Hesse acabaria por confessar a sua autoria. Deixando a sua família em 1919, Hermann Hesse mudou-se para o Sul da Suíça, para Montagnola, onde se dedicou à escrita de Siddharta (1922), romance largamente influenciado pelas culturas hindu e chinesa e que, recriando a fase inicial da vida de Buda, nos conta a vida de um filho de um Bramane que se revolta contra os ensinamentos e tradições do seu pai, até poder eventualmente encontrar a iluminação espiritual. A obra, traduzida para a língua inglesa nos anos 50, marcou definitivamente a geração Beat norte-americana.
1919 foi também o ano em que Hesse travou conhecimento com Ruth Wenger, filha da escritora suíça Lisa Wenger e bastante mais nova que o autor. O escritor renunciou à cidadania alemã, em 1923, optando pela suíça. Divorciando-se da sua primeira esposa, Maria Bernoulli, casou com Ruth Wenger em 1924, tendo o casamento durado apenas alguns meses. Dessa experiência teria resultado uma das suas obras mais importantes, Der Steppenwolf (1927). No romance, o protagonista Harry Haller confronta a sua crise de meia-idade com a escolha entre a vida da ação ou da contemplação, numa dualidade que acaba por caracterizar toda a estrutura da obra.
Em 1931 voltou a casar, desta feita com Ninon Doldin, de origem judaica. Com apenas quatorze anos, havia enviado, em 1909, uma carta a Hermann Hesse, e desde então a correspondência entre ambos não mais cessou. Conhecendo-se acidentalmente em 1926, foram viver juntos para a Casa Bodmer, estando Ninon separada do pintor B. F. Doldin, e a existência de Hesse ter-se-à tornado mais serena.
Durante o regime Nacional-Socialista, os livros de Hermann Hesse continuaram a ser publicados, tendo sido protegidos por uma circular secreta de Joseph Goebbels em 1937. Quando escreveu para o jornal pró-regime Frankfürter Zeitung, os refugiados judeus em França acusaram-no de apoiar os Nazis. Embora Hesse nunca se tivesse abertamente oposto ao regime Nacional-Socialista, procurou auxiliar os refugiados políticos. Em 1943 foi finalmente publicada a obra Das Glasperlernspiel, na qual Hesse tinha começado a trabalhar em 1931. Tendo enviado o manuscrito, em 1942, para Berlim, foi-lhe recusada a edição e o autor foi colocado na Lista Negra Nacional-Socialista. Não obstante, a obra valer-lhe-ia o prémio Nobel em 1946.
Após a atribuição do famoso galardão, Hesse não publicou mais nenhuma obra de calibre. Entre 1945 e 1962 escreveria cerca de meia centena de poemas e trinta e dois artigos para os jornais suíços.
A nove de agosto de 1962, Hermann Hesse veio a falecer, aos oitenta e cinco anos, durante o sono, vítima de uma hemorragia cerebral.
CLUBE DE LEITURA - SETEMBRO 2025
Na passada quinta-feira, dia 25 de setembro, pelas 21h00, decorreu a sessão mensal do Clube para a abordagem e discussão da obra "Inquieta", de Susana Amaro Velho, terceiro romance da escritora depois de "As últimas linhas destas mãos" e "Bairro das Cruzes".
Trata-se de um romance psicológico muito intenso. A narrativa não é linear, pormenorizada, com avanços e recuos no tempo. A autora escolhe intervalos de dez anos para podermos acompanhar o percurso psicológico de Julieta, a personagem principal.
A escrita é fácil, corrida, cativante, talvez nas passagens de introspecção se torne mais lenta, revelando muita intimidade emocional, um livro que nos deixa a pensar, a refletir, a respirar mais rápido.
Há de tudo: abandono, paternidade incógnita, paixão doentia, insegurança, violência psicológica, obsessão pela maternidade, perdas, infidelidades, manipulação, fragilidade, mas também amizades puras.
Durante a leitura ficamos divididos entre o que parece ser uma realidade perfeita e um interior perturbado da Julieta (e com razão, já que ela era um "cemitério de memórias"), memórias de eventos passados traumáticos que a moldaram para sempre e dos quais não se consegue libertar nem com ajuda clínica. Essas memórias que a destroem e condicionam o presente e que estão sempre a ressuscitar.
Julieta é uma personagem marcada pela mãe e pelo Gustavo, que a destruiram, deixando-a com feridas abertas.
Podemos questionar se houve mesmo um aborto, um Jaime que seria a razão última para o fim do relacionamento.
Quando parecia que com o Zé, o seu novo amor, tudo se resolveria afinal, as memórias não lhe davam tréguas.
E como de facto o tratamento com as consultas não resultou, temos até ao fim um crescendo de um processo de autodestruição.
A autora usou uma mestria incrível para deixar o leitor completamente supreendido e "agarrado" até ao final, que se pensava horrível mas foi de superação. Fica a sensação de inquietude durante a narrativa e também no Gran Final, no qual nos é desvendado o mistério da doença mental da personagem e nos obriga a criar empatia com todas as Julietas que carregam tantos traumas que por vezes levam à loucura.
domingo, 7 de setembro de 2025
CLUBE DE LEITURA - SETEMBRO 2025
Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada.
As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.
O Clube de Leitura reunirá a 25 de setembro, pelas 21h00.
O livro selecionado será "Inquieta" de Susana Amaro Velho.
Sinopse: Poderá um amor de juventude inquietar uma vida inteira?
Quem é Susana Amaro Velho?
sexta-feira, 8 de agosto de 2025
CLUBE DE LEITURA - JULHO
terça-feira, 8 de julho de 2025
CLUBE DE LEITURA - JULHO 2025
Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada.
As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.
O Clube de Leitura reunirá a 31 de julho, pelas 21h00.
O livro selecionado será "Os meus homens" de Victoria Kielland (1985).
Sinopse: Nascida Brynhild Størset, em 1859, numa família modesta na Noruega, Belle Gunness, como ficou conhecida, partiu em busca do sonho americano no final do século XIX. Com o tempo, Belle tornou-se cada vez mais alienada, implacável e perversamente atraente, e terá assassinado mais de quarenta pessoas, a maioria homens.
segunda-feira, 30 de junho de 2025
CLUBE DE LEITURA - JUNHO 2025
Na passada quinta-feira, dia 26 de
junho, pelas 21h00 decorreu mais uma sessão do Clube de Leitura, para análise e
discussão da obra "Cabeça, coração e estômago" de Camilo Castelo
Branco, obra publicada postumamente em 1962.
Em
1859, o romance entre Camilo Castelo Branco e Ana Plácido torna-se do
conhecimento público no Porto, levando ambos à prisão. Camilo tinha então 34
anos. Este episódio marca o início de um período particularmente fértil na sua
produção literária, durante o qual escreve várias obras, entre elas Coração,
Cabeça e Estômago.
O
romance tem como protagonista Silvestre da Silva, que, após a sua morte, deixa
uma autobiografia ao seu editor (Camilo Castelo Branco) na esperança de que
este a publique para saldar as dívidas que deixou por pagar.
A
obra está dividida em três partes, cada uma representando uma fase distinta da
vida do protagonista:
Coração
Passada
em Lisboa, esta parte acompanha a juventude de Silvestre da Silva, marcada por
pelas emoções, pelo coração, tendo vários amores fugazes e superficiais, que
acabam invariavelmente em desilusão. Entre as suas paixões contam-se: uma
vizinha órfã, uma vizinha de nome desconhecido, uma quarentona que gere uma
hospedaria, Clotilde (uma mulher casada), uma viúva proprietária de um hotel,
uma mulata e Elisa de La Salete.
Cabeça
Decorrida
na cidade do Porto, esta fase corresponde à idade adulta de Silvestre e a uma
tentativa de vida mais racional e responsável. Valoriza a carreira, colabora
com o Periódico dos Pobres e procura casar com uma mulher rica e séria. Uma
tentativa que acaba por falhar. Acaba acusado e condenado por calúnia,
agravando a sua frágil situação financeira. Apesar disso, começa aqui a
alimentar ambições políticas.
Estômago
A
terceira e última parte decorre na província, entre Soutelo e Carrazedo de
Montenegro. Marca o início de uma vida mais tranquila e serena, centrada no
prazer da boa mesa. Já mais velho, Silvestre casa-se com Tomásia, que o trata
bem, e instala-se na casa do sogro. A sua principal preocupação passa a ser o
bem-estar físico e o prazer gastronómico.
Convida
o editor a passar uma temporada em sua casa. Este, crítico do desprendimento
intelectual do protagonista, acusa-o de se ter “entorpecido”. Silvestre
responde com a frase: “Brutaliza-te, faz-te estômago”, numa tentativa de
convencer o amigo a render-se aos prazeres da gula.
É
nomeado regedor, o seu primeiro sucesso político, mas acaba acusado de abuso de
poder em benefício próprio, numa crítica evidente à classe política.
Morre
provavelmente em consequência dos excessos alimentares e da negligência com a
própria saúde. Deixa os seus escritos ao editor, que os publica, que não parece
muito convencido do talento do amigo e autor.
A
obra é uma crítica à sociedade da época, destacando a devassidão, a hipocrisia,
a duplicidade e decadência moral, visando várias classes, como os ricos,
políticos e o clero.
A linguagem utilizada na obra é algo complexa, com
muitas expressões e frases da época em que o texto foi escrito, bem como várias
palavras desconhecidas para os leitores atuais, o que dificulta uma leitura
fluída e clara.




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