sexta-feira, 2 de outubro de 2026

CLUBE DE LEITURA - OUTUBRO 2026

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. 

As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

O Clube de Leitura reunirá a 29 de outubro, pelas 21h00.

O livro selecionado será "Para sempre" de Vergílio Ferreira.





Sinopse: Em Para Sempre, «no final de uma vida, entrando no seu epílogo, um homem já sem destino para cumprir medita sobre o seu passado e o seu futuro, no regresso a uma casa vazia onde passou parte da sua infância, povoada de fantasmas que evocam os momentos-chave da sua existência. Recheado de flashbacks para o passado e para o futuro (!), a antevisão, real e com todos os detalhes, da degradação da sua velhice e do seu funeral urge em Paulo a derradeira tentativa de procura da explicação de um sentido para a vida».

«Contínua e cada vez mais solitária viagem em volta do único ponto do seu universo: o da sua infância como monólogo inacabado e inacabável em torno do milagre ardente e pavoroso da sua própria aparição no meio do mundo - montanha, estrelas, água, vento que é uma resposta antes de ser desesperada e inútil interrogação.» (Eduardo Lourenço)

Quem é Vergílio Ferreira?



Nasceu em 1916, em Melo (Gouveia), e morreu em 1996 em Lisboa. Estudou no Seminário do Fundão, licenciou-se em Filologia Clássica na Universidade de Coimbra e foi professor do ensino secundário. É um dos maiores romancistas e ensaístas portugueses do século XX. É o autor de romances tão celebrados como Manhã Submersa (1954) e Aparição (1959), com preocupações de natureza metafísica e existencial. 
A sua prosa, que entronca na tradição queirosiana, é uma das mais inovadoras da literatura portuguesa. Temas como a morte, o mistério, o amor, o sentido do universo, o vazio de valores ou a natureza da arte são recorrentes na sua produção literária, tanto de ficção como de ensaio. 
Das suas últimas obras destacam-se Para Sempre (1983), Até ao Fim (1997) e Na Tua Face (1993). Recebeu o Prémio Camões em 1992.

CLUBE DE LEITURA - SETEMBRO 2026

Na passada quinta-feira, dia 24 de setembro, pelas 21 horas, decorrreu a sessão do Clube de Leitura para a abordagem da obra "Flores" de Afonso Cruz.

"Flores", de Afonso Cruz, é um romance publicado em 2015 que aborda temas como a memória, a velhice, a solidão, a amizade e o amor, convidando o leitor a refletir sobre a fragilidade e a complexidade das relações humanas.

A história desenrola-se sobretudo em torno da relação entre Mr. Ulme, um homem idoso que perde a memória, e o narrador que, ao tomar conhecimento da sua história, se vê levado a questionar também a sua própria vida, marcada por uma crise conjugal que o conduz à separação e pela dificuldade em comunicar com a sua própria filha. Através desta relação, Afonso Cruz constrói uma narrativa profundamente humana, na qual valoriza a amizade, a empatia e a capacidade de cuidar dos outros.

O romance é construído através de episódios, reflexões e histórias que se cruzam, contribuindo para a reconstituição do passado do Sr. Ulme, através de uma narrativa que nem sempre segue um percurso linear.

A escrita de Afonso Cruz constitui igualmente um dos pontos fortes do livro. O autor utiliza uma linguagem simples, mas, simultaneamente, poética e cheia de significado. Poderíamos enumerar diversas passagens do livro. Contudo, destacamos duas particularmente relacionadas com o quotidiano e que apresentam um significado universal.

“Toco levemente os lábios dela e sabe-me à rotina, às finanças, ao barulho da máquina de lavar roupa. Beijamo-nos como quem faz a cama.”  (página 25)

“As mães são fiéis depositárias da nossa infância, dos primeiros anos. As tuas memórias mais importantes, mais formadoras, não são tuas, são dela. E quando a tua mãe morrer, levará consigo a tua infância, perderás os primeiros anos da tua vida. Por isso trata-a bem.” (página 80)

Quanto ao título do livro, “Flores” pode ser entendido de forma simbólica. As flores remetem para a beleza e, simultaneamente, para a passagem do tempo.

Ao longo da obra, o autor, remete-nos algumas vezes para referências musicais, o que resulta numa agradável companhia durante a leitura.

 

Nas páginas 128/129, o narrador encontra-se com Mostovol na Ginjinha sem Rival e Mostovol pede um "alexandrino". Esta bebida não existe, o que existe é o licor Eduardino. É um trocadilho do autor.

 

Quanto à "banda sonora" do livro, referindo o tema "Autumn Leaves".

Na página 149, o autor fala do tema "One More Kiss, dear" numa versão dos nossos Clã.

https://share.google/A6gkizR7visBiZ06f

 

"blind blake diddie wa diddie com legendas em inglês" https://share.google/hb6P3lcoulBippOt8

Diddie wa Diddie", de Blind Blake, gravada em 1929.

Pág 83/84:

-Querem ouvir o quê?-perguntou ele.

A Beatriz respondeu "blues".

-Pode ser Blind Blake, Beatriz?

-Pode-disse ela.

 

"A música, antes dele, era como limpar a casa sem a possibilidade de chegar àquela área debaixo do sofá ou a certos recantos." Pág. 182

https://music.youtube.com/@CharlieParkerOfficial

 

"Estava com a Sara, a enfermeira, a ouvir e a comentar o virtuosismo de Miles Davis ou a criticar o pop." pág 205

https://share.google/EvlIYu0W2EGsDU5zK

 

Segue-se " Ain't no sunshine when she's gone", canção de Bill Withers, de 1971. Cf. pág 216: "Vamos fazer um baile no terraço, pede aos músicos da orquestra Mnor que toquem o fado do cansaço e o Ain't no sunshine when she's gone e mais outras, tenho de fazer uma lista..."

Ain't No Sunshine https://share.google/MSJLkpGMFVOaA0Alk

 

"I put a spell on you". Esta canção é de Screamin ' Jay Hawkins e foi gravada em 1956. Existem muitas versões, mas esta é a original. Cf. pág 265: "Voltemos a Screamin ' Jay Hawkins. Era um homem que gostava de se apresentar vestido de leopardo, com ossos a atravessarem-lhe o nariz. Ficou muito conhecido por I put a spell on you. Põe a tocar, Beatriz - disse o grego."

"i put a spell on you screamin jay hawkins" https://share.google/KXU3i8YNosrYwSYOW

Da pesquisa realizada por alguns dos membros do Clube, resultou um brinde à obra de Afonso Cruz com uma Ginjinha e uma banda sonora.