Mostrar mensagens com a etiqueta Harper Lee. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Harper Lee. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Morreu Harper Lee, a autora de Mataram a Cotovia


  

 A escritora norte-americana Harper Lee, que ainda no ano passado voltou a ser um dos nomes de destaque na literatura com a publicação de Vai e Põe Uma Sentinela, editado pela Presença, sequela da obra-mestra Mataram a Cotovia, morreu nesta sexta-feira. Harper Lee tinha 89 anos. A notícia foi avançada por vários jornais locais e confirmada pela editora da escritora, a HarperCollins, ao The New York Times.

Harper Lee tinha apenas dois livros publicados, focados nas relações raciais no Sul dos Estados Unidos: Mataram a Cotovia (To Kill a Mockingbird no original), publicado há mais de cinco décadas, e Vai e Põe Uma Sentinela (Go Set a Watchman, no original), publicado no ano passado.

Sempre discreta, Lee conseguiu, ao longo dos anos, manter uma vida afastada da atenção mediática que Mataram a Cotovia lhe deu. Em 1961, um ano depois da publicação da obra, a história, contada por Scout, filha de seis anos de Atticus Finch, o advogado viúvo que defende um negro falsamente acusado de ter violado uma mulher branca, valeu-lhe o Pulitzer. Em 1962, foi adaptado ao cinema por Robert Mulligan num filme com o mesmo nome e que valeu o Óscar de melhor actor a Gregory Peck no papel de Finch. Mataram a Cotovia foi traduzido em mais de 40 línguas e vendeu mais de 30 milhões de exemplares em todo o mundo.

“Nunca esperei alcançar nenhum tipo de sucesso com Mataram a Cotovia”, disse em 1964 a uma rádio numa das suas poucas entrevistas. “Estava à espera de uma morte rápida e misericordiosa nas mãos dos críticos, mas ao mesmo tempo tinha alguma esperança de que alguém gostasse de tal forma que me incentivasse”, acrescentou ainda. 
Harper Lee voltou a ser notícia no ano passado, quando a obra que a autora julgava perdida foi publicada. O regresso teve tanto de inesperado, mais de 50 anos depois, que se tornou num dos acontecimentos literários de 2015. Vai e Põe Uma Sentinela foi escrito ainda antes de Mataram a Cotovia, apesar de ser uma sequela desta última – a história acontece cerca de 20 anos depois dos acontecimentos narrados em Mataram a Cotovia.

O manuscrito original de Vai e Põe Uma Sentinela foi escrito por Harper Lee na década de 1950. Foi então deixado de lado pela escritora e depois mal catalogado. Estava guardado num local seguro associado a um dactiloscrito deMataram a Cotovia.
“A meio da década de 1950, escrevi um romance chamado Vai e Põe Uma Sentinela. Baseia-se na personagem conhecida como Scout já adulta e considero-o um esforço muito decente. 

Na época, o meu editor, que gostou muito dos flashbacks que o livro tinha relativamente à infância de Scout, convenceu-me a escrever o romance do ponto de vista de uma jovem Scout. Eu era uma escritora iniciante, por isso fiz o que me disseram”, explicou então a escritora em comunicado, aquando do anúncio da edição do livro.
Lee, também conhecida por Nelle para aqueles que lhe são próximos, nasceu em 1926 em Monroeville, no estado do Alabama. Foi aqui que cresceu, numa época de tensão racial, acontecimentos que marcariam o seu trabalho. Em criança, passava os Verões com Truman Capote, apenas dois anos mais velho. Eram vizinhos e ficaram amigos, com uma relação que perdurou no tempo. Mesmo quando os dois viviam em Nova Iorque.

“O mundo perdeu uma mente brilhante e uma grande escritora”, disse, citada pela BBC, Spencer Madrie, proprietária da Ol' Curiosities and Book Shoppe, uma pequena livraria independente de Monroeville, destacando “as verdades que Harper Lee deu ao mundo, provavelmente antes de o mundo estar preparado para elas”. “Estamos agradecidos por termos tido uma ligação a uma autora que ofereceu tanto. Faltará sempre alguma coisa em Monroeville e no mundo em geral na ausência de Harper Lee.”

Em comunicado, o agente da autora, Andrew Nurnberg, escreveu que o mundo perdeu “um farol de integridade”. “Ter conhecido a Nelle nestes últimos anos não foi só um prazer absoluto mas também um privilégio extraordinário”, acrescentou ainda, contando ter estado com Lee há seis semanas. “Estava cheia de vida”, recordou, destacando a mente e inteligência afiada da escritora. Citava Thomas Moore, lembra ainda.

No Twitter, multiplicam-se as homenagens à escritora. “Descanse em paz, Harper Lee. A única coisa que não se submete à regra da maioria é a consciência de uma pessoa”, escreveu no Twitter o CEO da Apple, Tim Cook, citando uma conhecida frase da obra de Lee.

As causas da morte não foram reveladas. 




segunda-feira, 6 de outubro de 2014

LEITURA DE OUTUBRO

É já na próxima quinta-feira (dia 30), que se irá realizar mais uma sessão do Clube de Leitura e este mês em clima de festa. É que o Clube já faz dois anos de existência!!
Estão de parabéns os nossos leitores, os livros, as leituras, a partilha, enfim, todos nós!

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto e dezembro), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

Para pertencer ao Clube de Leitura é apenas necessário gostar de ler e descobrir que aventuras, emoções, sensações e mistérios habitam por detrás de um livro.
De que está à espera para se juntar ao Clube??
Para a sessão do dia 30 de Outubro, entre as 21 e 22 horas, foi escolhida a obra "Por favor, não matem a cotovia" de Harper Lee, livro que faz parte da selecção para o Plano Nacional de Leitura, recomendado para o 3º ciclo, destinado a leitura autónoma. Foi também Prémio Pulitzer.

Sinopse: Situado em Maycomb, uma pequena cidade imaginária do Alabama, durante a Grande Depressão, o romance de Harper Lee, vencedor do Prémio Pulitzer, em 1961, fala-nos do crescimento de uma rapariga numa sociedade racista.
Scout, a protagonista rebelde e irónica, é criada com o irmão, Jem, pelo seu pai viúvo, Atticus Finch. Ele é um advogado que lhes fala como se fossem capazes de entender as suas ideias, encorajando-os a refletirem, em vez de se deixarem arrastar pela ignorância e o preconceito.
Atticus vive de acordo com as suas convicções. É então que uma acusação de violação de uma jovem branca é lançada contra Tom Robinson, um dos habitantes negros da cidade.
Atticus concorda em defendê-lo, oferecendo uma interpretação plausível das provas e preparando-se para resistir à intimidação dos que desejam resolver o caso através do linchamento. Quando a histeria aumenta, Tom é condenado e Bob Ewell, o acusador tenta punir o advogado de um modo brutal.
Entretanto, os seus dois filhos e um amigo encenam em miniatura o seu próprio drama de medos, centrado em Boo Radley, uma lenda local que vive em reclusão numa casa vizinha.
Recentemente, alguns dos mais importantes livreiros norte-americanos atribuíram grande destaque ao livro, ao elegerem-no como o melhor romance do século XX.

Críticas de imprensa
«Sem dúvida um verdadeiro fenómeno literário, este romance sulista não apresenta a mais pequena mácula nas suas delicadas folhas de magnólia. Divertido, alegre e escrito com uma precisão cirúrgica.»Vogue
«O estilo de Harper Lee revela-nos uma prosa enérgica e vigorosa capaz de traduzir com minúcia o modo de vida e o falar sulistas, bem como uma imensa panóplia de verdades úteis sobre a infância no sul dos EUA.»Time

Nelle Harper Lee, nasceu a 28 de abril de 1926, em Monroeville, Alabama, nos Estados Unidos da América. Era a mais nova de quatro irmãos.
Em criança, Harper Lee foi uma maria-rapaz e uma leitora precoce, tendo como vizinho e colega de escola Truman Capote.
Depois de ter acabado o liceu em 1944, frequentou o Huntingdon College em Montgomery, e, mais tarde, a Universidade de Alabama. Entre os seus colegas ficou conhecida por gostar da solidão e de livros. Colaborou no jornal escolar, Rammer Jammer.
Depois de regressar de um verão na Universidade de Oxford, em Inglaterra, Lee abandonou os estudos de Direito e partiu para Nova Iorque, decidida a tornar-se escritora. Trabalhou em empresas de aviação e manteve-se em contacto com Truman Capote. São dessa época os seus primeiros contos.
Lee acabou de escrever Mataram a cotovia no verão de 1959. Publicado em julho 1960, o romance recebeu no ano seguinte o Prémio Pulitzer de Ficção.
Mataram a cotovia tem aspectos autobiográficos.
Tal como  Lee, a protagonista do livro, Scout Finch, era filha de um advogado numa pequena cidade (e o apelido de solteira da mãe de Harper Lee era Finch). Dill, o amigo dos dois irmãos do romance, inpira-se em Capote, que, por sua vez, se inspirou em Harper Lee para criar a personagem de Idabel Thompkins em outras vozes, outros quartos.
Depois de ter terminado a escrita do seu romance, Lee acompanhou Truman Capote a Holcomb, Kansas, para o apoiar na investigação do assassínio de um fazendeiro e da sua família.
Foi o material então reunido que deu origem a A sangue frio
Embora tenha iniciado um segundo romance, The Long Goodbye e publicado alguns escritos, Harper Lee não voltaria a editar qualquer livro.
Recusou também proferir conferências ou conceder entrevistas. Aceitou no entanto ser nomeada para o National Council on the Arts e receber o doutoramento Honoris Causa da Universidade de Notrer Dame.
Em Julho de 2006, escreveu uma carta a Oprah Winfrey, em que dizia: "Agora, setenta e cinco anos mais tarde, na sociedade da abundância onde as pessoas têm portáteis, telemóveis, iPods, e mentes que parecem quartos vazios, eu prefiro teimosamente livros. 
Viveu sempre uma vida completamente afastada dos círculos mediáticos e é junto com JD Salinger, uma das mais famosas reclusas literárias, morando ainda hoje na casa onde passou a sua infância, em Monroeville, no estado sulista do Alabama.