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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

CLUBE DE LEITURA - DEZEMBRO

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

Livro indicado: “O principezinho” de Antoine de Saint-Exupéry
Data: 30 novembro, 21h00


Sinopse: Antoine de Saint-Exupéry publicou pela primeira vez «O Principezinho» em 1943, quando recuperava de ferimentos de guerra em Nova Iorque, um ano antes do seu avião Lockheed P-38 ter sido dado como desaparecido sobre o Mar Mediterrâneo, durante uma missão de reconhecimento. Mais de meio século depois, a sua fábula sobre o amor e a solidão não perdeu nenhuma da sua força, muito pelo contrário: este livro que se transformou numa das obras mais amadas e admiradas do nosso tempo, é na verdade de alcance intemporal, podendo ser inspirador para leitores de todas as idades e de todas as culturas.

O narrador da obra é um piloto com um avião avariado no deserto do Sahara, que, tenta desesperadamente, reparar os danos causados no seu aparelho. Um belo dia os seus esforços são interrompidos devido à aparição de um pequeno príncipe, que lhe pede que desenhe uma ovelha. Perante um domínio tão misterioso, o piloto não se atreveu a desobedecer e, por muito absurdo que pareça - a mais de mil milhas das próximas regiões habitadas e correndo perigo de vida - pegou num pedaço de papel e numa caneta e fez o que o principezinho tinha pedido. E assim tem início um diálogo que expande a imaginação do narrador para todo o género de infantis e surpreendentes direcções. «O Principezinho» conta a sua viagem de planeta em planeta, cada um sendo um pequeno mundo povoado com um único adulto. Esta maravilhosa sequência criativa evoca não apenas os grandes contos de fadas de todos os tempos, como também o extravagante «Cidades Invisíveis» de Ítalo Calvino. Uma história terna que apresenta uma exposição sentida sobre a tristeza e a solidão, dotada de uma filosofia ansiosa e poética, que revela algumas reflexões sobre o que de facto são os valores da vida.




Antoine de Saint Exupéry (1900-1944) foi um escritor, ilustrador e piloto francês, é o autor de um clássico da literatura “O Pequeno Príncipe”, escrito em 1943. Entre as suas diversas frases famosas estão: "Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos". "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas".
Antoine de Saint-Exupéry nasceu em Lyon França, no dia 29 de junho de 1900. Era o terceiro filho do conde Saint-Exupéry e da condessa Marie Fascolombe. Estudou no colégio jesuíta Notre Dame de Saint Croix e no colégio dos Maristas, em Friburgo, na Suíça.
Em 1921 ingressou no serviço militar, no Regimento de Aviação de Estrasburgo, após ter sido reprovado para a Escola Naval. Tornou-se piloto civil e subtenente da reserva. Em 1926 foi admitido na Aéropostale, onde começou sua carreira de piloto de linha, voando entre Toulouse, Casablanca e Dacar.
Antoine de Saint-Exupéry escreveu para jornais e revistas francesas. Escreveu diversas obras, sempre caracterizadas por elementos de aviação e de guerra, entre elas: "O Aviador" (1926), "Voo Noturno" (1931), "Terra dos Homens" (1939), "Carta a um Refém" (1944).
Seu livro mais importante foi "O Pequeno Príncipe" (1943), cuja obra é rica em simbolismo, com personagens como a serpente, a rosa, o adulto solitário, a raposa. O personagem principal do livro vivia sozinho num planeta pequeno, onde existiam três vulcões, dois ativos e um já extinto. Outro personagem representativo é a rosa, cujo orgulho, levou o pequeno príncipe a uma viagem pela terra. Na viagem, encontrou outros personagens que o levaram ao desvendamento do sentido da vida.
Antoine de Saint-Exupéry morreu em um acidente de avião, durante uma missão de reconhecimento, no dia 31 de julho de 1944. Seu corpo nunca foi encontrado. Em 2004, foram encontrados os destroços do avião que pilotava, a poucos quilômetros da costa de Marselha, na França.















sexta-feira, 25 de novembro de 2016

CLUBE DE LEITURA - NOVEMBRO

Apesar do frio intenso e da chuva torrencial, a sessão do Clube de Leitura decorreu animada, em boa companhia, com um chá quente, perfumado, bioartesanal, Mistura da Casa (lúcia-lima, erva-príncipe, bétula e pétalas de rosa), produzido por Tiago Oliveira.

O livro abordado "Ficções" de Jorge Luís Borges, considerado um dos "monumentos literários mais deslumbrante do século XX",  embrenha-nos no universo labiríntico borgiano, num "diálogo entre a ficção e a realidade, ciência e fantasia", numa trama de "complexa metafísica inquietante". 

Os temas são o "infinito, os jogos de espelhos, a cabala, os enigmas dos detetives, o destino, o tempo, o fascínio da palavra".
Respira-se o "espírito atemporal", universal, a infinitude do mundo das Bibliotecas, do conhecimento e a sua memória infinita.

Borges nasceu Buenos Aires em 1899 e faleceu na Suiça em 1986.
Mas, para melhor compreender a sua obra é importante saber que, após um acidente ficou cego e a partir daí o seu mundo passou a ser diferente. Para alguns estudiosos, a progressiva cegueira de Borges ajudou-o a criar novos símbolos literários através da imaginação, já que "os poetas, como os cegos, podem ver no escuro"
Para algumas, uma leitura difícil, estranha, inquietante e surrealista, com as histórias apresentadas de forma tão invulgar que se sentiram pouco confortáveis.

No entanto, para outras, depararam-se com um conjunto de contos, nos quais lhes surgiu um mundo fantástico, num exercício de criação artística literária de liberdade ilimitada, sem amarras, onde tudo é possível até ao infinito.

A mais curiosa, viajou de pesquisa em pesquisa e para surpresa de todas, José Saramago numa conferência em Bérgamo, faz referência a uma personagem do conto de Borges,  "Análise da obra de Herbert Quain".

Saramago com a sua ironia e humor que lhe são muito comuns, delicia-nos com esta conferência da qual apresentamos este pequeno extracto.

"Ora, não é necessário ter estudado lógica intuicionista para compreender que duas proposições contraditórias não podem ser, ambas, falsas. Como se aplica isto a Ricardo Reis e a Herbert Quain? Aceitando, ainda que com recurso ao paradoxo, que se um deles é autêntico, também o pode ser o outro. Além disso, temos a prova do livro. Ao desembarcar em Lisboa, o poeta Ricardo Reis, por esquecimento, não devolveu The god of the labyrinth à biblioteca. São coisas que estão sempre a suceder, esquecer-nos de devolver um livro….

Creio ter apresentado provas suficientes da existência real de Herbert Quain. Faltou-me, materialmente falando, a prova que nos faria a reconhecer em Quain essa qualidade de autor, isto é, um livro chamado The god of de labyrinth. Lamento a minha insuficiência. E lamento mais ainda que já seja demasiado tarde para chamar a este tribunal as testemunhas mais idóneas: Ricardo Reis e Jorge Luis Borges.
Permita-se-me ainda um último comentário. O facto indesmentível de Ricardo Reis ter tido em seu poder o livro de Quain autorizou-me a vir a Bérgamo participar num colóquio sobre o autor de Ficciones. Suponho ter ficado igualmente demonstrado que Borges não tinha uma informação completa sobre um escritor que ele supôs ter apenas imaginado e sobre o livro que lhe atribuiu. Devemos esperar tudo, principalmente o que nos parecer impossível, quando heterónimos, pseudónimos e similares se põem a viver por sua própria conta. Dividida entre o respeito que deve ao que Borges escreveu sobre Quain e o testemunho definitivo de Ricardo Reis, a cidade de Bérgamo não saberá, neste momento, o que pensar. Dêmos tempo ao tempo, esperemos que as paixões acalmem. A verdade acabará por triunfar."
Leiam na totalidade em:

Resultado do mundo infinito do conhecimento descobrimos também que há um músico português com o nome artístico de Herbert Quain, que podem escutar aqui:

Por hoje, vamos ficar por aqui...😊





sexta-feira, 26 de junho de 2015

CLUBE DE LEITURA - JUNHO

Ontem, pelas 21 horas, decorreu mais uma sessão do Clube de Leitura, desta vez para abordar a obra profética "Admirável mundo novo" de Aldous Huxley (1894-1963).

"Admirável Mundo Novo (Brave New World na versão original em língua inglesa) é um romance distópico escrito por Aldous Huxley e publicado em 1932 que narra um hipotético futuro onde as pessoas são pré-condicionada biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas. A sociedade desse "futuro" criado por Huxley não possui a ética religiosa e valores morais que regem a sociedade atual. As pessoas são educadas desde jovens a ignorarem tudo que possa levar a um pensamento crítico, como por exemplo, os bebés são intimidados a sentirem medo de tocar em um livro. Qualquer dúvida e insegurança dos cidadãos era dissipada com o consumo da droga sem efeitos colaterais aparentes chamada "soma". As crianças têm educação sexual desde os mais tenros anos da vida. O conceito de família também não existe."

Trata-se de uma parábola sobre a desumanização dos seres humanos e como refere Nicolas Berdiaeff, as utopias são realizáveis, mas por vezes os resultados dessas utopias são tão ameaçadoras que a humanidade quer regressar a uma sociedade menos utópica, menos perfeita, mas mais livre.

Como esta obra foi publicada em 1932, entre as duas grandes guerras, terá servido de inspiração para muito de desumano que se passou durante a Segunda Guerra Mundial, por isso, o prefácio do autor em 1946, tem como primeiras palavras o "remorso crónico".

O futuro descrito nesta obra, não estaremos a experimentá-lo, de alguma forma, no nosso dia a dia?

Meditemos! É para isso que são feitas as obras primas...