terça-feira, 1 de outubro de 2019

CLUBE DE LEITURA - OUTUBRO



Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

Livro indicado: "Lavoura arcaica” de Raduan Nassar

Data: 24 outubro, 21h00 às 22h00

Sinopse: Publicado em 1975, constituiu uma revelação e uma revolução, conquistando o estatuto de clássico da literatura brasileira. História familiar com ressonâncias bíblicas, em que se entrelaçam o novelesco, o lírico e uma alta carga sensual, Lavoura arcaica é uma obra-chave da literatura de língua portuguesa.

Através de um narrador, na primeira pessoa - André, o filho encarregado de revelar o avesso de sua própria imagem e, consequentemente, o avesso da imagem da família. E sobretudo uma aventura com a linguagem: alem de fundar a narrativa, a linguagem e também o instrumento que, com seu rigor, desorganiza um outro rigor, o das verdades pensadas como irremovíveis. Lançado em Dezembro de 1975, Lavoura arcaica foi imediatamente considerado um clássico, uma revelação, dessas que marcam a historia da nossa prosa narrativa, segundo o professor e critico Alfredo Bosi.
 


Quem é Raduan Nassar?

Nasceu em 1935 em Pindorama, onde passou a infância. Adolescente, foi com a família para a cidade de São Paulo, tendo estudado direito e filosofia na USP.
Exerceu diversas atividades e estreou-se na literatura em 1975, com Lavoura Arcaica. Tem livros traduzidos em Espanha, França e Alemanha e é considerado um dos maiores estilistas da língua portuguesa. Venceu em 2016 o Prémio Camões.



Saiba mais em:

Filme:
Sinopse: André (Selton Mello) é um filho desgarrado, que saiu de casa devido à severa lei paterna e o sufocamento da ternura materna. Pedro (Leonardo Medeiros), seu irmão mais velho, recebe de sua mãe a missão de trazê-lo de volta ao lar. Cedendo aos apelos da mãe e de Pedro, André resolve voltar para a casa dos seus pais, mas irá quebrar definitivamente os alicerces da família ao se apaixonar por sua bela irmã Ana (Simone Spoladore).

https://www.youtube.com/watch?v=FnibQvMlq-I

Críticas:

"Todos me garantiam que Raduan Nassar é, mesmo com uma obra tão breve, um dos grandes nomes da literatura de língua portuguesa. É mesmo. A Relógio D’Água publica agora um texto, anuncia outro para breve. Será que a desatenção generalizada vai permitir que os leitores de língua portuguesa continuem a ignorá-lo?" 
Eduardo Prado Coelho, Público, 3/4/99 


"Um dos romances mais importantes da literatura brasileira"
Cult, Brasil

Um dos pontos mais altos da literatura em língua portuguesa dos nossos tempos"
Folha de S. Paulo, Brasil

"O mundo vai cair aos seus pés com este romance"
The Independent, Reino Unido

"Ler Raduan Nassar é uma experiência intensa (...) A forma como combina as palavras resulta num efeito extraordinário"
Times Literary Supplement, Reino Unido

Uma obra-prima, uma rara excepção numa constelação literária cada vez menos interessante"
Die Zeit, Alemanha




sexta-feira, 27 de setembro de 2019

CLUBE DE LEITURA – SETEMBRO

Ontem, pelas 21h00, na Biblioteca Municipal, decorreu a sessão do Clube de Leitura de setembro para a análise e discussão do livro "Carne crua" de Rubem Fonseca.

O autor, neste seu mais recente livro "reuniu vinte e seis contos que, embora mantenham a crueza de assassinatos, traições e injustiças sociais, trazem também a avidez das descobertas, a delicadeza das histórias de amor e umas trocas de olhar com a poesia", que no entanto, não perdem a sua natureza narrativa.

Segundo a apreciação do crítico literário brasileiro Mateus Baldi, Rubem "joga com esse humor despretensioso das pequenas coisas, aliado a uma prosa estranhamente fluída, como se deslizasse por entre os dedos e jamais permitisse ser apanhada", considerando que a estética está consolidada nesta obra. Talvez por isso seja apontado como o Papa da narrativa.

Apesar dos 94 anos de idade de Rubem a escrita é leve, jovem, interessante, "fora da caixa", mas por vezes desconcertante. No conto "Gosto de ver o mar" apresenta-nos um Brasil com uma perversa corrupção, em que vale tudo e onde a personagem nos diz: "Neste país os ladrões se dão bem, muito bem".

É um livro que apetece saborear lentamente, conto a conto, apreciando a beleza de um texto simples, despretensioso, ora inocente, ora sarcástico e cruel.

Há uma predominância de contos marcadamente anti-religiosos, com o adultério, o assédio no trabalho, o canibalismo, os assassinatos, nos quais deambulam sem remorsos personagens normalmente bastante agressivas, marginais, que espelham o mal das sociedades e, em particular, o quotidiano da sociedade brasileira onde prevalece a banalidade da morte e do crime. Muitos dos contos terão sido inspirados em casos que o autor lidou quando exerceu a profissão de Comissário de polícia.

Rubem Fonseca é natural de Minas Gerais, Brasil e é um dos mais prestigiados escritores brasileiros contemporâneos e um dos expoentes máximos da literatura de língua portuguesa. Traduzido em todo o mundo foi galardoado com o Prémio Camões em 2000. É autor de uma vasta narrativa, que tem vindo a ser publicada em Portugal, desde 2010. O seu livro "Feliz Ano Novo", publicado em 1975, que se tornou um best-seller, foi proibido pelo regime ditatorial, por ofensa à moral e bons costumes.

Deliciem-se com "A praça", riam com "Boceta", "Diarreia", "Igreja Nossa Senhora da Penha", "Oropa" ou com a realidade cruel de "Carne Crua" ou "Cornos".

Os contos são divertidos e vale a pena a sua leitura.