segunda-feira, 4 de abril de 2022

CLUBE DE LEITURA DE MARÇO

No mês em que a Biblioteca Municipal assinalou o 20º aniversário do Festival da Poesia à Mesa, a sessão do Clube foi inteiramente dedicada à POESIA.

A Poesia fluiu nesta sessão de forma falada, cantada, dita, declamada, saboreada... de forma livre e criativa. 

 


terça-feira, 1 de março de 2022

CLUBE DE LEITURA DE MARÇO

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. 

As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

O Clube de Leitura reunirá a 31 março, pelas 21h00.

No mês em que a Biblioteca Municipal assinala o 20º aniversário do Festival da Poesia à Mesa, a sessão do Clube será inteiramente dedicada à POESIA.

A Poesia será falada, cantada, dita, declamada, saboreada... de forma livre e criativa. 

 

"Falo de poesia

grito poesia

solto poesia ao vento"

José Fanha


 




CLUBE DE LEITURA DE FEVEREIRO

A sessão do Clube de Leitura de fevereiro decorreu na passada 5ª feira, dia 24 de fevereiro, pelas 21h00, na qual foi abordada a obra "Três mulheres poderosas" de Marie Ndiaye, Prémio Goncourt 2009, seleção de Teresa Stanislau.

Em três histórias, “Três mulheres poderosas” resistem a muitas adversidades e humilhações e é nisso que dão provas do seu poder. Norah, Fanta, Khady Demba, pela força do seu caráter e das circunstâncias, arrastam o leitor numa vivência intensa, não o deixando nunca abrandar o ritmo da leitura. Países africanos e França são o cenário geográfico e social dos enredos, permitindo uma ligação com as origens da autora.

Esta obra proporcionou o conhecimento da escrita literária de Marie NDiaye, destacando-se os períodos extensos que abrigam o fluir do pensamento com encaixes e retomas constantes.  Este é mais um exemplo de literatura contemporânea que lança raízes nos clássicos mundiais. 








quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

CLUBE DE LEITURA - FEVEREIRO

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. 

As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.




O Clube de Leitura reunirá a 24 de fevereiro, pelas 21h00.

 

Sinopse: Três histórias, três mulheres que dizem não. Chamam-se elas Norah, Fanta, Khady Demba. Cada uma delas bate-se para preservar a sua dignidade contra as humilhações que a vida lhes inflige. A ligá-las, a África, a França, algumas aves, o drama das migrações e da difícil integração. A arte de Marie NDiaye manifesta-se aqui em toda a sua singularidade e o seu mistério. A força da sua escrita reside na sua aparente doçura, nas lentas circunvoluções que arrastam o leitor pela encosta de uma prosa impecável e refinada, nos meandros de uma consciência entregue à pura violência dos sentimentos.

 

Quem é Marie Ndiaye?

Marie NDiaye (4 de junho de 1967) é uma escritora e dramaturga francesa. Publicou seu primeiro romance, Quant au riche avenir, quando tinha 17 anos. Ganhou o Prémio Goncourt em 2009. Sua peça Papa doit manger é a única peça de uma escritora viva a fazer parte do repertório da Comédie française.

NDiaye nasceu em 1967 em Pithiviers, França, a menos de cem quilômetros ao sul de Paris, de uma mãe francesa e de um pai senegalês. Ela cresceu com a mãe nos subúrbios de Paris. Seus pais se conheceram como estudantes em meados da década de 1960, mas seu pai partiu para a África quando ela tinha apenas um ano de idade.

Começou a escrever aos 12 anos. No último ano do ensino médio, ela foi descoberta por Jerome Lindon, fundador da Editions de Minuit, que publicou seu primeiro romance, Quant au riche avenir, em 1985.  Posteriormente, ela escreveu mais seis romances, todos publicados pela Minuit, e uma coleção de contos. Ela também escreveu sua Comédie classique, um romance de 200 páginas composto por uma única frase, que foi publicado por Éditions P.O.L em 1988, quando ela tinha 21 anos. Além de romances, NDiaye escreveu uma série de peças e um roteiro. Seu drama de 2003 Papa doit manger é apenas a segunda peça de uma escritora a ser levada ao repertório da Comédie française.

Em 1998, NDiaye escreveu uma carta à imprensa na qual argumentava que seu romance La Sorcière, publicado dois anos antes, havia informado fortemente o conteúdo de Naissance des fantômes, o segundo romance da autora de sucesso Marie Darrieussecq.

Seu romance Trois femmes puissantes ganhou o Prémio Goncourt em 2009.  Em seu estudo crítico de 2013 sobre o autor, Marie NDiaye: Vazio e Reconhecimento, o acadêmico britânico Andrew Asibong a descreve como "o epítome de um certo tipo de brilho cultural, argumentando em outro lugar do livro, uma exploração psicanalítica da evocação do escritor de trauma e desaprovação, que "o trabalho de NDiaye explora a violência feita à capacidade do sujeito de sentir e conhecer e saber". 


Entrevista à autora:

Entrevista com Marie NDiaye - The White Review

Artigo sobre a autora:

Marie NDiaye: Uma Escritora Poderosa - Livros Públicos (publicbooks.org)


Citações do livro:

Pág. 61:

"Atravessava a esplanada quando os viu sentados à mesa no mesmo local de há pouco, Jakob, Grete e Lucie, que encomendavam sumos de bissap".


Sumo de bissap, considerada a bebida nacional do Senegal, é uma das bebidas mais populares e mais consumidas em todo o Senegal. Faz-se uma infusão de flor de hibisco seca, mistura-se açúcar, essência de baunilha, sumo de limão e hortelã. Serve-se fresca. 

O hibisco é uma planta que tem centenas de espécies, mas nem todas são indicadas para consumo. A espécie usada para fazer o bissap é "hibiscus sabdariffa". Só se dá em regiões quentes. As suas flores podem atingir um diâmetro de 8 cm. Cada flor tem 5 pétalas.~







Pág. 156


"O pai [de Rudy] tinha deixado a França, atravessou Espanha, o Mediterrâneo, Marrocos, a Mauritânia e parou nas margens do rio Senegal. Aí fundou uma aldeia de férias, Dara Salam".


https://www.google.com/maps/place/Dar+Salam,+Senegal/@16.5833531,-15.2200379,12z/data=!4m13!1m7!3m6!1s0xef6f12effb5f6fd:0x8845abc82f94d7ad!2sRio+Senegal!3b1!8m2!3d15.6126361!4d-13.2300874!3m4!1s0xe9484f52f6143ad:0x3e2b41f9d697e624!8m2!3d16.5833313!4d-15.1500016

CLUBE DE LEITURA - JANEIRO 2022

O conjunto de oito contos reunidos na obra "Primeira pessoa do singular" do japonês Haruki Murakami, foi alvo de análise e debate no Clube de Leitura da Biblioteca.

A coletânea surpreende pela positiva, quer pela forma quer pelo conteúdo, destacando-se uma linguagem depurada e de uma simplicidade admirável.

Cada conto é suscitado por recordações que o narrador vai desfiando, na primeira pessoa, à volta de amores antigos, relações desfeitas, possibilidades, reencontros, …sempre marcados pela melancolia de tempos vividos, solidão, erotismo e nonsense…

Os protagonistas são muito parecidos entre si: homens/mulheres jovens ou de meia idade, solitários, melancólicos, cultos, amantes de música clássica/Pop/Jazz/Bossa Nova, de literatura e de baseball… 
Vivem sós no seu mundo, nas grandes cidades, longe da família… São professores, estudantes, publicitários, escritores…

A narrativa assemelha-se a um livro de memórias, certamente autobiográficas, mas muito ficcionadas, marcadas por vezes, por uma ambiguidade que nos confunde e nos leva a repensar os limites entre a imaginação e o mundo real, que com frequência são trocados arbitrariamente de posição.

No último conto, em que o narrador se afirma, finalmente, “na primeira pessoa do singular”, abrem-se ainda outras possibilidades, a lembrar os “homens duplicados” que já lemos por aqui… mas agora muito mais assustador e futurista…

Haruki Murakami é um escritor japonês contemporâneo de culto, lido por todas as gerações, suscitando curiosidade pelos jovens leitores, sendo também muito aplaudido pela crítica.



 No conto "Carnaval" o autor refere  "Do meu ponto de vista, agrupo as mulheres bonitas na categoria de "belas". Cada uma delas traz às costas um belo macaco de pêlo dourado", o que estimulou a criatividade de uma divertida leitora


sexta-feira, 26 de novembro de 2021

CLUBE DE LEITURA - DEZEMBRO

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. 

As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.





O Clube de Leitura reunirá a 16 de dezembro, pelas 20h00.

Sinopse: Amores de adolescência evocados com serena nostalgia, jovens vistas apenas pelo canto do olho, críticas sobre discos de jazz desconhecidos, um poeta amante de basebol, um macaco que trabalha como massagista nas termas e que fala como gente grande, um velhote que disserta com ar de entendido sobre um círculo com vários centros.

As personagens e as cenas deste aguardado livro de contos contribuem para levar o leitor a repensar os limites entre a imaginação e o mundo real. E devolvem-nos, intactos, os amores perdidos, as relações desfeitas e a solidão, a adolescência, os reencontros e, sobretudo, a evocação do amor, porque ainda que a «paixão se desvaneça, que não seja correspondida, podemos sempre agarrar-nos às recordações de ter amado alguém, de nos termos apaixonado e sido correspondidos», garante o narrador. Um narrador na primeira pessoa que, por vezes, poderia muito bem ser o próprio Murakami.

Estamos diante de um livro de memórias, de relatos com pinceladas autobiográficas ou de um livro exclusivamente de ficção? Como sempre, o trabalho de Murakami raras vezes encaixa numa categoria única e singular. Terá de ser o leitor a decidir.


Quem é Haruki Murakami?


Haruki Murakami, de quem a Casa das Letras editou Kafka à Beira-Mar (com mais de 15 mil exemplares vendidos) e Sputnik, Meu Amor, é um dos escritores japoneses contemporâneos mais divulgados em todo o mundo sendo, simultaneamente, aplaudido pela crítica, que o considera um dos «grandes romancistas vivos» (The Guardian) e a «mais peculiar e sedutora voz da moderna ficção» (Los Angeles Times).
Nasceu em Quioto, em 1949. Estudou teatro grego antes de gerir um bar de jazz em Tóquio, entre 1974 e 1981. Além de Sputnik, Meu AmorKafka à Beira-MarDance, Dance, Dance e A Wild Sheep Chase, que recebeu o Prémio Noma destinado a novos escritores, Murakami é ainda autor, entre outros, de Hard-boiled Wonderland and the End of the World (distinguido com o prestigiado Prémio Tanizaki) e, mais recentemente, de Blind Willow, Sleeping Woman, a sua terceira coletânea de contos, distinguida com o Frank O'Connor International Short Story Award.


CRÍTICAS DE IMPRENSA
«Um escritor que opta por uma modernidade sustentada ainda na cultura japonesa tradicional, mas submersa pelo pop e por toda a multidão de ícones que glorificam a modernidade.»
João Céu e Silva, Diário de Notícias

Citações:

Conto 8:

O narrador foi a um bar e pediu um "vodka gimlet" ao balcão. Depois tirou um policial do bolso e pôs-se a ler.


O que é um vodka gimlet?

O "gimlet" clássico é um coquetel feito com gim, sumo de limão fresco e calda de açúcar. Ou então com cordial de limão, em vez do limão fresco e da calda de açúcar. Junta-se numa coqueteleira o gelo, o gim, o sumo de limão e a calda de açúcar. Agita-se, coa-se e serve-se sem gelo, com uma rodela de limão. O vodka gimlet é uma variante em que se usa vodka em vez de gim.

O Gimlet nasceu em Inglaterra, no fim do século XIX, quando os médicos da marinha inglesa entenderam que os seus marinheiros estavam carentes de vitamina C. Então, para prevenir o escorbuto, passaram a receitar o consumo diário de sumo de limão, que os marinheiros misturavam com a ração diária de rum, para ajudar "o remédio" a descer. Mas os oficiais bebiam gim em vez de rum. Assim nasceu a receita.

Quanto ao nome, "gimlet" (verruma , em português) é um pequeno instrumento em forma de parafuso e de ponta aguda, que serve para abrir furos na madeira e que os marinheiros usavam para perfurar os barris. Por que motivo batizaram a bebida com este nome não está muito bem explicado.

Outra versão diz que o nome vem de um médico da Marinha inglesa que passou a prescrever a mistura. Esse médico chamava-se Thomas Desmond Gim.



Venho partilhar convosco esta notícia. Não sei se já sabiam, mas um dos filmes candidatos aos Óscares deste ano, "Drive my car", foi adaptado de um conto de Haruki Murakami. 

Boas leituras, bons filmes e até breve.

Graça Serra Santos




CLUBE DE LEITURA - NOVEMBRO

Ontem, pelas 21h00 decorreu a sessão do Clube de Leitura para análise e discussão da obra pré-selecionada "A sala magenta" de Mário de Carvalho. 

Este romance possui uma estrutura narrativa muito simples, há um destaque inteiro para a palavra, para a estética da frase, para a riqueza de vocabulário, para a capacidade descritiva das personagens e dos lugares, numa linguagem muito rica, precisa, harmoniosa, quase poética e musical.

Não é uma história empolgante, que nos crie urgência de chegar ao fim. Mas é um texto que nos convoca à reflexão em cada página, construído a partir do quotidiano atual ou passado das suas personagens, daí surgirem recorrentemente analepses, principalmente nos momentos de solidão.

As personagens principais são 3: Gustavo, Marta e Maria Alfreda.

Gustavo é a personagem central e a mais complexa. É à volta dela que toda a narrativa se desenvolve e Marta e Maria Alfreda quase não existem nas suas relações com ele.

Gustavo e a irmã Marta são antagónicos em quase tudo e representam dois estereótipos: Ele o homem egoísta, preguiçoso, boémio, bon vivant, mulherengo e viciado. Ela a mulher organizada, diligente, maternal, compassiva, meiga.

Os encontros e desencontros amorosos de Gustavo e Maria Alfreda atravessam o romance da primeira à última página. Entre muitas amantes de Gustavo, Maria Alfreda pode chamar-se "a amante", com uma personalidade misteriosa e instável, ela era provocadora e sensual num momento, para se tornar altiva, distante, evasiva no momento imediato.

Na relação de ambos ela foi sempre a parte maior, aquela que determinava a extensão da intimidade, limitando-a muitas vezes à sala magenta, antecâmara do seu quarto, onde Gustavo nunca chegou a entrar.

"O fruto proibido é o mais apetecido". E, Gustavo foi acumulando desejo, medo (da pequena pistola), obsessão, ciúme, frustração, numa relação sempre pendente, mas nunca consolidada.

Assume as suas frustrações, como realizador, como irmão, como homem. No extremo de decadência, doente, velho, despojado já de quase todos os seus "modos de vida" e de novo mergulhado no álcool, Gustavo tenta sumir-se na água, mas nesse momento-limite teve coragem para ir até ao fim.

Lê-se na advertência: "A acção e as figuras deste romance reportam-se a um mundo ficcional de entrada franca, sem chaves ou gazuas. Procurar moldes da vida real para acontecimentos e personagens é ter em má conta a imaginação do autor. Pode ser que ele o mereça, mas não os lesados por equívocos de leitura."

“A advertência com que Mário de Carvalho abre o romance sinaliza a condição paradoxal do próprio romance enquanto género. Constituindo-se como representação ficcionada de um mundo que é co-presente ao acto de escrita, o romance tem de reafirmar, a cada instanciação, e a um mesmo tempo, a sua verosimilhança e a sua ficcionalidade”. 

Situado entre o neo-realismo e os pós-modernismo, num contexto pós 25 de abril, são de destacar o sentido de liberdade e emancipação feminina, neste romance muito agradável de ler e que recomendamos vivamente.

Boas leituras!