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sábado, 12 de abril de 2025

CLUBE DE LEITURA - MARÇO 2025

Na última sessão do clube, cada participante trouxe consigo um poema ou excerto de um dos escritores celebrados na edição deste ano do Poesia à Mesa, partilhando não apenas a leitura, mas também as razões pelas quais aquele texto ou poeta lhes tocava de forma especial. 

Foi unânime que esta edição trouxe ao conhecimento dos nossos leitores novos poetas, mais ou menos conhecidos, mas é também com esse objetivo que o festival Poesia à Mesa se propõe a divulgar os poetas de língua portuguesa. 
  • Carlos Eurico Costa (1928-1988) Viana do Castelo
  • João Luís Barreto Guimarães (1967-) Porto
  • Francisca Camelo (1990-) Porto
  • Conceição Lima (1961-) S. Tomé e Príncipe
  • João Pedro Mésseder (1957-) Porto
  • Rosa Oliveira (1958-) Viseu
Com uma seleção cuidada de poemas e textos, percorremos estilos e vozes distintas, redescobrindo a força da palavra poética e a sua capacidade de nos emocionar, questionar e inspirar. A diversidade das escolhas revelou a riqueza dos autores homenageados.
Terminámos a sessão com a música "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades", de José Mário Branco, letra inspirada no poema de Luís de Camões. Terminámos com a certeza de que a poesia tem um lugar especial no nosso clube.



segunda-feira, 3 de março de 2025

CLUBE DE LEITURA - MARÇO 2025

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. 

As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

O Clube de Leitura reunirá a 27 de março, pelas 21h00.

No âmbito do XXIII Festival Literário Poesia à Mesa 2025, a sessão será totalmente dedicada à POESIA e aos poetas homenageados este ano, que são os seguintes:

  • Carlos Eurico Costa (1928-1988) Viana do Castelo
  • João Luís Barreto Guimarães (1967-) Porto
  • Francisca Camelo (1990-) Porto
  • Conceição Lima (1961-) S. Tomé e Príncipe
  • João Pedro Mésseder (1957-) Porto
  • Rosa Oliveira (1958-) Viseu


segunda-feira, 4 de abril de 2022

CLUBE DE LEITURA DE MARÇO

No mês em que a Biblioteca Municipal assinalou o 20º aniversário do Festival da Poesia à Mesa, a sessão do Clube foi inteiramente dedicada à POESIA.

A Poesia fluiu nesta sessão de forma falada, cantada, dita, declamada, saboreada... de forma livre e criativa. 

 


terça-feira, 1 de março de 2022

CLUBE DE LEITURA DE MARÇO

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. 

As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

O Clube de Leitura reunirá a 31 março, pelas 21h00.

No mês em que a Biblioteca Municipal assinala o 20º aniversário do Festival da Poesia à Mesa, a sessão do Clube será inteiramente dedicada à POESIA.

A Poesia será falada, cantada, dita, declamada, saboreada... de forma livre e criativa. 

 

"Falo de poesia

grito poesia

solto poesia ao vento"

José Fanha


 




sexta-feira, 1 de abril de 2016

CLUBE DE LEITURA DE MARÇO

A sessão de ontem do Clube de Leitura foi especial e com muitas surpresas. 

Mesmo a fechar o mês de março, o Clube homenageou a Poesia. Foram muitos os poetas que se ouviram pela voz dos membros do clube, como Cochat Osório, Ana Haterly, Florbela Espanca, Ary dos Santos, Miguel Torga, Sophia de Mello 
Breyner, Filipa Leal, Cecília Meireles e Sebastião da Gama. 

Os poemas, lidos com emoção, trouxeram junto memórias de infância, de lugares e paisagens de longe. Falaram de palavras que aproximam, de amor em palavras e imagens, de confissões, de mar, de espelhos e faces. E que belo reflexo o espelho devolveu... Mas também se falou de um manifesto. Pelos leitores de poesia, é claro! E finalizou-se com um hino à vida, ao nascimento, às mães e ouviu-se um poema musicado, acompanhado por chocolates. 

Mas, porque se entranham as leituras feitas neste Clube, vieram de longe outras surpresas doces. Com referências à obra lida no mês anterior "Gaspar, Belchior & Bastasar", em que a existência de uma iguaria transcendente inventada pelo Divino Doceiro, saciaria para sempre aquele que a provasse, um dos membros do clube tendo estado na Turquia, trouxe para a sessão as famosas delícias turcas. E realmente resultou. Ficamos saciadas de doces e palavras. De poesia e de ternura.

"Se os poetas fossem controladores aéreos, haveria tráfego de andorinhas"
(Filipa Leal,  Pelos leitores de poesia)














terça-feira, 22 de março de 2016

LEITURA DE MARÇO







Leitura indicada: Poesia (escolha livre)

Destinatários: público em geral

Data: 31 de Março de 2016

Horário: 21h00 às 22h00

segunda-feira, 1 de abril de 2013

ALDA LARA NO CLUBE DE LEITURA

Na passada 5ª feira, pelas 21 horas decorreu mais uma animada sessão do Clube de Leitura. 
Apesar da noite estar muito chuvosa e com outras alternativas bem tentadoras, compareceram à volta de onze participantes. 
A Dra. Teresa Stanislau orientou a sessão com algumas informações complementares sobre a biografia de Alda Lara, o que se tornou fundamental para uma melhor compreensão da sua obra poética. 

A próxima sessão está marcada para o dia 24 de Abril com a obra de Philip Roth "A humilhação".


sábado, 9 de março de 2013

LEITURA DE MARÇO



Tema indicado: Poesia
Autores indicados: Alda Lara e Eugénio de Andrade
Animadora convidada: Dra. Teresa Stanislau
Destinatários: público em geral
Data: 27 de março de 2013
Horário: 21h00  às 22h00
  


 ALDA LARA









Nota Biobibliográfica

 Alda Ferreira Pires Barreto de Lara Albuquerque nasceu em Benguela, Angola, a 9 de Junho de 1930, e faleceu em Cambambe, Angola, a 30 de Janeiro de 1962. Era casada com o escritor Orlando Albuquerque. Muito nova foi para Lisboa onde concluiu o 7º ano dos liceus. Frequentou as Faculdades de Medicina de Lisboa e Coimbra, formando-se por esta última com a apresentação da tese de licenciatura sobre psiquiatria infantil. Em Lisboa esteve ligada a algumas das actividades da Casa dos Estudantes do Império. Declamadora, chamou a atenção para os poetas africanos, que então quase ninguém conhecia. Depois da sua morte, a Câmara Municipal de Sá da Bandeira instituiu o Prémio Alda Lara para poesia. Orlando Albuquerque propôs-se editar-lhe postumamente toda a obra e nesse caminho reuniu e publicou já um volume de poesias e um caderno de contos. Colaborou em alguns jornais ou revistas, incluindo a Mensagem (CEI). Figura em: Antologia de poesias angolanas, Nova Lisboa, 1958; amostra de poesia in Estudos Ultramarinos, nº 3, Lisboa1959; Antologia da terra portuguesa - Angola, Lisboa, s/d (1961?); Poetas angolanos, Lisboa, 1962; Poetas e contistas africanos, S.Paulo, 1963; Mákua 2 - antologia poética, Sá da Bandeira, 1963; Mákua 3, idem; Antologia poética angolana, Sá da Bandeira, 1963; Contos portugueses do ultramar - Angola, 2º vol, Porto, 1969. Livros póstumos: Poemas, Sá da Bandeira, 1966; Tempo de chuva, 1973.
Segundo Orlando de Albuquerque, no prefácio ao livro de Poemas de Alda Lara (Porto, Vertente, 1984, 4ª ed.), “a sua poesia caracteriza-se por uma intensa angolanidade implícita e, sobretudo, por um extremo amor e carinho, quase ternura, pelos outros. Ternura de menina-mulher, que sofria com os sofrimentos alheios, que vibrava com as desgraças da sua terra […]”.
As seguintes estrofes do poema «Prelúdio», de Alda Lara, ilustram a busca da identificação imagética da situação a que foram expostas as comunidades africanas de língua portuguesa, em especial as mulheres, durante a colonização:  

Pela estrada desce a noite…
Mãe-Negra, desce com ela...
Nem buganvílias vermelhas,
nem vestidinhos de folhos,
nem brincadeiras de guisos,
nas suas mãos apertadas.
Só duas lágrimas grossas,
em duas faces cansadas.
Mãe-Negra tem voz de vento,
voz de silêncio batendo
nas folhas do cajueiro...
Tem voz de noite, descendo,
de mansinho, pela estrada...
Que é feito desses meninos
que gostava de embalar?...
Que é feito desses meninos 
que ela ajudou a criar?...
Quem ouve agora as histórias
que costumava contar?...
Mãe-Negra não sabe nada...
Mas ai de quem sabe tudo,
como eu sei tudo
Mãe-Negra!...
Os teus meninos cresceram,
e esqueceram as histórias
que costumavas contar...
Muitos partiram p'ra longe,
quem sabe se hão-de voltar!...
Só tu ficaste esperando,
mãos cruzadas no regaço,
bem quieta bem calada.
É a tua a voz deste vento,
desta saudade descendo,
de mansinho pela estrada…

Lisboa, 1951

  



 EUGÉNIO DE ANDRADE



A cidade deve ter sido sensível a tal escolha, pois fê-lo cidadão honorário, concedendo-lhe por duas vezes a sua medalha de ouro. Eugénio de Andrade nasceu em Povoa de Atalaia (Fundão), a 19 de Janeiro de 1923. A família que lhe coube em sorte vai de camponeses abastados a mestres de obras, que, nos primeiros anos do século, nada tinham de parecido com os actuais - portanto gente que trabalhava a terra e a pedra. Mas será a mãe, com quem emigra aos sete anos, primeiro para Castelo Branco e um ano depois para Lisboa, a figura tutelar e poética da sua vida, como todo o leitor da sua poesia sabe. (A mãe, o falar materno, "o quente de uma vida infantil muito perto da natureza mais elementar", virão a desempenhar um papel central na sua poesia). Em Lisboa vai viver e estudar, com um interregno de 43 a 46 em Coimbra, até finais dos anos 50. Em 1947, ingressa nos quadros dos Serviços Médico-Sociais, do Ministério da Saúde, onde desempenhará durante 35 anos a mesma função - a de inspector administrativo - por sempre se ter recusado a fazer concursos de promoção. A sua transferência para o Porto, por razões de serviço, deu-se em Dezembro de 1950.
Apesar do seu prestígio (Eugénio de Andrade é dos nossos raros escritores com repercussão internacional, com os seus 55 títulos traduzidos, e cuja obra, entre nós, tem conhecido sucessivas reedições), viveu sempre extremamente distanciado do que se chama vida social, literária  ou mundana, avesso à comunicação social, arredado de encontros, colóquios, congressos, etc., e as suas raras aparições em público devem-se a «essa debilidade  do coração, que é a amizade», devendo encarar do mesmo modo o facto de ser membro da Academia Mallarmé, de Paris. Cabe aqui referir que nunca concorreu aos prémios que lhe foram atribuídos, quer em Portugal ou na França, quer no Brasil ou na Jugoslávia, como nunca ninguém o viu usar qualquer insígnia das condecorações com que foi agraciado.
A obra de Eugénio de Andrade, escrita ao longo dos últimos 50 anos, tem início em 1942 com Adolescente, livro hoje renegado, tal como  Pureza, de 45, dos quais fez mais tarde uma breve selecção que designou por Primeiros Poemas (77), é constituída, principalmente pelos seguintes títulos de poesia: As Mãos e os Frutos (48), Os Amantes sem Dinheiro (50), As Palavras Interditas (51), Ate Amanhã (56), Coração do Dia (58), Mar de Setembro (61), Ostinato  Rigore (64), Obscuro Domínio (72), Véspera de Água (73), Escrita da terra (74), Limiar doa Pássaros (76), Memória Doutro Rio (78), Matéria Solar (80), O Outro Nome da Terra (88), Rente ao Dizer (92), Oficio da Paciência (94), O Sal da Língua (95), Pequeno Formato (97), Os Lugares do Lume (98), Os Sulcos da Sede (2001); de prosa: Os Afluentes do Silêncio (68), Rosto Precário (79), À Sombra da Memória (93); para crianças: História da Égua Branca (77), Aquela Nuvem e Outras (86). Traduziu principalmente Safo, Garcia Lorca e Cartas Portuguesas, tendo ainda organizado algumas antologias, quase todas sobre a terra Portuguesa, caracterizadas pela ausência de preconceitos e sectarismos literários, das quais se destacam: Daqui Houve Nome Portugal, Memórias de Alegria, Canção do Mais Alto Rio, Poesia  - Terra da Minha Mãe, os últimos com  a colaboração do fotógrafo Dario Gonçalves, A Cidade de  Garrett, com desenhos de Fernando Lanhas, e Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa. Traduzido em cerca de 20 línguas, a poesia de Eugénio de Andrade tem sido estudada e comentada por, entre outros, Vitorino Nemésio, João Gaspar Simões, Óscar Lopes, António José Saraiva, Eduardo Lourenço, Jorge de Sena, Eduardo  Prado Coelho, Arnaldo Saraiva,  Joaquim Manuel Magalhães, Fernando Pinto do Amaral, Luís Miguel Nava, Angel Crespo, Carlos V. Cattaneo, e suscitado o interesse de vários músicos, entre os quais Fernando Lopes-Graça, Jorge Peixinho, Filipe Pires, Clotilde Rosa, Mário Laginhas e Paulo Maria Rodrigues.
Viveu no Porto - de que foi cidadão honorário e onde foi criada uma Fundação com o seu nome - até a sua morte a 13 de Junho de 2005.

AS PALAVRAS
São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam;
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
(CORAÇÃO DO DIA)


FRÉSIAS
Uma pátria tem algum sentido
quando é a boca
que nos beija a falar dela,
a trazer nas suas sílabas
o trigo, as cigarras,
a vibração
da alma ou do corpo ou do ar,
ou a luz que irrompe pela casa
com as frésias
e torna, amigo, o coração tão leve.
(RENTE AO DIZER)

ESPERA
Horas, horas sem fim,
pesadas, fundas,
esperarei por ti
até que todas as coisas sejam mudas.
Até que uma pedra irrompa
e floresça.
Até que um pássaro me saia da garganta
e no silêncio desapareça.
(AS MÃOS E OS FRUTOS)