terça-feira, 30 de maio de 2023

CLUBE DE LEITURA - MAIO 2023


Na passada 5ª feira, dia 25 de maio, decorreu mais uma sessão do Clube de Leitura para a abordagem e discussão da obra "O monte dos vendavais" de Emily Brontë.

“Wuthering Heights”, publicada em 1874, sob o pseudónimo masculino de Ellis Bell, para assim obter maior aceitação, foi o único romance da autora britânica, que morreu com apenas 30 anos. Na época da sua publicação foi alvo de fortes críticas, contudo veio a tornar-se um dos maiores clássicos de referência da literatura inglesa e ainda hoje é uma obra muito estudada nas universidades de todo o mundo.

A história desenrola-se nas charnecas bucólicas de Yorkshire, em Inglaterra, no período pré-vitoriano, e é narrada (através de analepses) por Mrs. Nelly Dean, a governanta da família Earnshaw, a Lockwood, um cavalheiro que está de passagem por aquela região.

Mr. Earnshaw, após uma viagem a Liverpol, leva para a sua propriedade, o Monte dos Vendavais (assim conhecida devido aos fortes ventos que se faziam sentir naquelas charnecas), um rapaz órfão, Heathcliff, que educa como se fosse seu filho.

No início, os dois filhos biológicos de Mr. Earnshaw, Hindley e Catherine, detestam Heathcliff; todavia, à medida que o tempo passa, este e Catherine tornam-se inseparáveis e apaixonam-se um pelo outro. Mas, Hindley continua a maltratar Heathcliff, e o pai envia o filho para um colégio, mantendo o órfão em casa.
Passados três anos, morre Mr. Earnshaw, e Hindley, herdando a propriedade, regressa a casa, já casado com a jovem Frances. Decide então vingar-se de Heathcliff, tratando-o como um vulgar empregado da casa e obrigando-o a trabalhar nos campos.

Mais tarde, morre Frances ao dar à luz Hareton; Hindley torna-se bêbado e cada vez mais cruel para com Heathcliff.

Num esforço de ascensão social, Catherine, o grande amor da vida de Heathcliff, casa com Edgar Linton da Herdade Trushcross, vizinha do Monte dos Vendavais. E aquele abandona a casa onde fora acolhido.

Regressado rico, Heathcliff decide vingar-se de todos os que com ele foram injustos. Depois da morte de Hindley, herda o Monte dos Vendavais e, com o objetivo de se apoderar também da Herdade Thrushcross, casa-se, por interesse, com Isabella Linton, que passa a tratar cruelmente.

Catherine vem a falecer após o nascimento da filha, a quem pôs o seu nome, facto que desespera Heathcliff que pede à alma da sua amada que o atormente e persiga para não ficar sozinho, longe dela.

Pouco tempo depois, a esposa de Heathcliff, sempre infeliz, abandona-o e refugia-se em Londres, onde dá à luz Linton. Este, mais tarde, após o falecimento da mãe, vai viver com o pai, que o trata agressivamente.

Linton conhece a jovem Catherine e entre eles estabelece-se uma relação amorosa. Mas a jovem apercebe-se rapidamente de que a aproximação do rapaz é forçada por Heathcliff, com a finalidade de se apoderar da Herdade Thrushcross. Com efeito, Heathcliff consegue que Catherine case com o jovem Linton, que, pouco tempo depois, morre.

Falecido também Edgar Linton, pai de Catherine, Heathcliff passa finalmente a deter o controlo das duas propriedades, obriga a nora a trabalhar como criada no Monte dos Vendavais. Aluga a Herdade Thrushcross a Lockwood, o cavalheiro que visitava a região, narratário das histórias daquela grande família.
Mais tarde, Heathcliff, completamente louco e obcecado pela memória de Catherine, persegue o fantasma da sua amada, e, numa noite, ao vaguear pela charneca, morre.

A viúva Catherine, apaixona-se por Harenton, filho de Hidley e France, e casam. Ficam os proprietários do Monte dos Vendavais e da Herdade Thrushcross.

Depois do que ouviu à governanta, o narratário sente vontade de visitar os túmulos de Catherine e Heathcliff.

O romance apresenta não só romantismo poético, como também realismo violento e perturbador. Possui uma estrutura complexa e as suas personagens revelam um carácter profundo e forte.

A obra foi adaptada para cinema, com título homónimo, destacando-se o filme de William Wyler (1939) e o de Peter Kosminsky (1992); este tem as interpretações deJuliette Binoche e Ralph Fiennes.

Para Dante Gabriel Rossetti  é "Um livro diabólico - um monstro incrível... A ação tem lugar no inferno - mas parece que os lugares e as pessoas têm nomes ingleses".

Vale a pena ler, sem perder a introdução de Hélia Correia e o filme "Emily" (2022), que nos dá a conhecer a sua vida e que nos ajuda a compreender melhor esta obra-prima.

Boas leituras.





 


quarta-feira, 3 de maio de 2023

CLUBE DE LEITURA DE MAIO

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. 

As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

O Clube de Leitura reunirá a 25 de maio, pelas 21h00.

O livro selecionado será "O monte dos vendavais",  de Emily Brontë.


Sinopse: O Monte dos Vendavais é uma das grandes obras-primas da literatura inglesa. Único romance escrito por Emily Brontë, é a narrativa poderosa e tragicamente bela da paixão de Heathcliff e Catherine Earnshaw, de um amor tempestuoso e quase demoníaco que acabará por afectar as vidas de todos aqueles que os rodeiam como uma maldição. Adoptado em criança pelo patriarca da família Earnshaw, o senhor do Monte dos Vendavais, Heathcliff é ostracizado por Hindley, o filho legítimo, e levado a acreditar que Catherine, a irmã dele, não corresponde à intensidade dos seus sentimentos. Abandona assim o Monte dos Vendavais para regressar anos mais tarde disposto a levar a cabo a mais tenebrosa vingança. Magistral na construção da trama narrativa, na singularidade e força das personagens, na grandeza poética da sua visão, nodoso e agreste como a raiz da urze que cobre as charnecas de Yorkshire, O Monte dos Vendavais reveste-se da intemporalidade inerente à grande literatura.


Quem é Emily Brontë?

Emily Jane Brontë nasceu a 30 de julho de 1818, em Thornton, no Yorkshire, e faleceu em Haworth, vítima de tuberculose, a 19 de Dezembro de 1848, com apenas 30 anos. Filha de Patrick Brontë, nomeado pároco vitalício em Haworth, foi criada com os seus irmãos Charlotte, Anne e Patrick Branwell pela tia, Elizabeth Branwell. A família constituía uma sociedade fechada e isolada, e os quatro irmãos sentem desde a infância motivação para o estudo e para a composição literária. Escreveram contos, histórias fantásticas, poemas, jornais, folhetins e editaram uma revista mensal. Emily Brontë foi a autora do ciclo de Gondal, cuja pátria imaginária inspirou alguns dos seus poemas mais arrebatados.
Emily tentou ganhar a vida como professora, mas uma saúde precária obrigou-a a desistir. É através de O Monte dos Vendavais, o seu único romance, que permanece na nossa memória: Uma história empolgante que é e uma das obras mais intensas da língua inglesa.




CLUBE DE LEITURA DE ABRIL

No passado dia 27 de abril, pelas 21 horas, decorreu mais uma sessão do Clube de Leitura para a abordagem e discussão da obra "O acontecimento" de Annie Ernaux, vencedora do Prémio Nobel da Literatura em 2022.

A sessão decorreu muito animada, participada e exigiu uma profunda reflexão sobre um tema que nunca perde atualidade.

Trata-se de um pequeno romance autobiográfico e sociológico, no qual são descritas as suas memórias traumáticas sobre o aborto clandestino feito nos anos 60, em França, quando era estudante universitária e tinha apenas 23 anos. 

Ao longo das oitenta e tal paginas assistimos a uma espécie de catarse da autora, numa descrição rigorosa, fluída, com uma clareza acutilante, sem artifícios, cruel, sobre o sofrimento, justiça e a condição feminina. Foi escrito em 1999, passados 40 anos desse acontecimento,  já adaptado ao cinema por Audrey Diwan, num filme vencedor do Leão de Ouro de Veneza.

"Como é possível que uma escrita simples, faça arrepiar, horrorizar, sensibilizar, pensar e abanar consciências e mentalidade? Um tema polémico, um livro ideal para se discutir num Clube de Leitura", maioritariamente, frequentado por mulheres.
















sábado, 1 de abril de 2023

CLUBE DE LEITURA DE ABRIL

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. 

As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

O Clube de Leitura reunirá a 27 abril,  pelas 21h00 e o livro selecionado será "O acontecimento" de Annie Ernaux.



Sinopse: Uma jovem de 23 anos, estudante universitária brilhante, descobre que está grávida. Tomada pela vergonha, consciente de que aquela gravidez representará um falhanço social para si e para a sua família, sabe que não poderá ter aquela criança. Mas, na França de 1963, o aborto é ilegal e não existe ninguém a quem possa acorrer. Quarenta anos mais tarde, as memórias daquele acontecimento continuam presentes, num trauma impossível de ultrapassar e cujas sombras se estendem para além da história individual. Escrito com uma clareza acutilante, sem artifícios, este é um romance poderoso sobre sofrimento, justiça e a condição feminina. Escrito por Annie Ernaux em 1999, foi adaptado ao cinema em 2021 por Audrey Diwan, num filme vencedor do Leão de Ouro em Veneza.


Quem é Annie Ernaux?


PRÉMIO NOBEL DA LITERATURA 2022

Annie Ernaux nasceu em Lillebonne, na Normandia, em 1940, e estudou nas universidades de Rouen e de Bordéus, sendo formada em Letras Modernas. É atualmente uma das vozes mais importantes da literatura francesa, destacando-se por uma escrita onde se fundem a autobiografia e a sociologia, a memória e a história dos eventos recentes. Galardoada com o Prémio de Língua Francesa (2008), o Prémio Marguerite Yourcenar (2017), o Prémio Formentor de las Letras (2019) e o Prémio Prince Pierre do Mónaco (2021) pelo conjunto da sua obra, destacam-se os seus livros Um Lugar ao Sol (1984), vencedor do Prémio Renaudot, e Os Anos (2008), vencedor do Prémio Marguerite Duras e finalista do Prémio Man Booker Internacional. Em 2022, Annie Ernaux foi distinguida com o Prémio Nobel de Literatura.


Opiniões:

Poucas obras literárias, por muito meritórias que possam ser, ascendem à categoria de documento. Esse predicado está reservado aos livros que, para lá dos méritos intrínsecos apresentados, conseguem também trazer-nos um testemunho que, nascendo de uma visão individual, contém no seu âmago algo capaz de interessar a uma mole muito superior de pessoas.

Sérgio Almeida, Jornal de Notícias

O Acontecimento é, talvez, o melhor livro já escrito sobre a complexa temática do aborto, mais concretamente do aborto ilegal (como era na Paris de 1963). O tomo é uma reflexão à posteriori, décadas depois, menos de 100 páginas que deixam um impacto profundo em quem as lê.

Susana Romana, Observador

O acontecimento é muito mas do que a narração de um aborto: é uma autoestrada para o impacto, é emoção pura na reconstituição por escrito da experiência humana em carne e osso.

Ana Bárbara Pedrosa, Observador

Para lá da denúncia, o livro de Annie Ernaux é uma corajosa reflexão sobre o trauma, a violência exercida pelo Estado sobre as mulheres, o peso das convenções sociais na formação de uma existência humana.

Sara Figueiredo Costa, Blimunda

Num livro de espantosa lucidez, Annie Ernaux transforma a memória de um aborto clandestino numa experiência literária dura, intransigente e inesperadamente bela.

José Mário Silva, Expresso


Excertos (Graça Serra):


Página 31

Estava um sol pálido de novembro. Eu ia avançando, com um refrão na cabeça, uma canção que se estava sempre a ouvir - Dominique nique nique -cantada, e acompanhada à guitarra por uma freira dominicana, a Soeur Sourire. A letra era edificante e ingénua - Soeur Sourire não conhecia o significado de niquer - , mas a música era  alegre e dançante. Isso dava-me ânimo na minha busca.

Esta canção foi gravada em 1962 e foi um enorme sucesso no mundo inteiro. Em dezembro de 1963 esteve todo o mês em primeiro lugar nos Estados Unidos. Em Portugal também se ouvia muito na rádio na década de sessenta. Era cantada por uma freira dominicana belga de nome Jeanine Deckers, que adotou o nome artístico de "Soeur Sourire" (Irmã Sorriso). Foi também ela a autora da letra e da música. A canção é sobre S. Domingos de Gusmão (Dominique, em francês), fundador da Ordem a que pertencia. Jeanine Deckers, nascida em 1933, foi freira dominicana entre 1959 e 1966.

Em 1966 deixou o Convento e foi viver com uma companheira, Annie Pécher. Continuou a cantar mas não voltou a ter o mesmo sucesso e teve muitos problemas financeiros (o dinheiro ganho com a venda dos discos foi todo para o convento). A depressão levou-a ao suicídio por ingestão de álcool e remédios, juntamente com a companheira, em 1985, quando tinha 51 anos.  



E aqui em baixo a letra completa


Página 49

Na minha agenda, "vamos dançar ao Casino", "vamos ao parque La Tannerie", "ontem de tarde fomos a La Grange". Mas não consigo ver nada, a não ser a neve e o café a abarrotar, onde abancávamos ao final da tarde, com a jukebox a deixar ouvir "Si j'avais un marteau, ce serait le bonheur".

Esta canção de Claude François saiu em outubro de 1963 e foi um enorme sucesso.

É uma versão de uma canção americana de 1949, "If I had a hammer", gravada por um grupo chamado "The Weavers", que não teve grande sucesso na altura.

Saiu-se melhor comercialmente quando em 1962, o grupo "Peter, Paul and Mary" fez uma versão.

Mas foi a versão de Trini Lopez, em 1963, que a celebrizou e que influenciou Claude François. 

Há imensas versões desta canção, em diferentes línguas. Uma das mais conhecidas é talvez a versão italiana, cantada por Rita Pavone, em 1964.





CLUBE DE LEITURA DE MARÇO

Na passada 5ª feira, dia 27 de Março decorreu a sessão do Clube de Leitura, dedicada à poesia de Eugénio de Andrade, poeta homenageado do Festival da Poesia à Mesa 2023.

A poesia e alguma prosa poética de Eugénio marcou presença no Clube.





CLUBE DE LEITURA DE MARÇO

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. 

As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

O Clube de Leitura reunirá a 27 março pelas 21h00.

No âmbito do Festival Poético da Poesia à Mesa a sessão será dedicada à poesia de Eugénio de Andrade, poeta homenageado em 2023.



 

CLUBE DE LEITURA DE FEVEREIRO

No passado dia 23 de fevereiro, pelas 21 horas, decorreu mais uma sessão do Clube de Leitura para a abordagem e discussão da obra "Colibri" de Sandro Veronesi,  recentemente foi adaptada para cinema.

A sessão foi muitíssimo interessante, sendo de destacar que houve uma grande unanimidade de opiniões entre todos os elementos do Clube.

Neste romance, fomos transportados a Florença, Milão, até à praia de Bolgheri, na costa marítima ocidental, com o  Mediterrâneo como fundo e em que a música está sempre presente. Jantamos no Gambero Rosso, e acompanhamos a história de um personagem e da sua família, numa saga que nos supreende e comove pela sua atualidade.