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sexta-feira, 1 de março de 2024

CLUBE DE LEITURA - FEVEREIRO

Na passada quinta-feira, dia 29 de fevereiro, pelas 21h00, decorreu a sessão mensal do Clube de Leitura para a análise e discussão da obra "Manhã e noite" de Jon Fosse, Prémio Nobel da Literatura 2023.

Foi consensual que a obra selecionada se trata de uma obra de arte literária, um diamante precioso, que merece uma leitura atenta e apaixonada.

O romance que divide-se em apenas dois capítulos. Manhã e noite, que simbolicamente representa o nascimento e a morte, o autor, através de uma linguagem poética, inovadora, de uma desconcertante simplicidade, leva-nos a revisitar a vida de Johannes, num confronto com a morte, mas também com a aceitação do ciclo natural da vida e a inevitabilidade da morte.

Num ambiente tipicamente nórdico, mágico das autoras boreais, nebuloso, agreste, ventoso, gelado, marítimo, onde não falta um cais de pesca e o isolamento associado a estes lugares inóspitos, somos convidados à melancolia, à reflexão e à filosofia.

No entanto, a mensagem final que nos surge é pacificadora. Não é preciso ter medo da morte, porque a passagem pode ser doce e tranquila, sem dores físicas ou psíquicas e não tem que ser solitária. Pode ser sim, um paliativo para as angústias, em que num sussurro nos sugere resignação, apontando o caminho para o despojamento, aceitação e resignação.

Concluindo, trata-se de uma reflexão sobre o significado da vida, Deus e a morte.

 

Já conhecíamos  o autor. 

Ainda nos lembramos da história dramática de Asle e Alida à procura de um teto para uma nova vida, no romance Trilogia e, por isso, em Manhã e Noite, não estranhamos o isolamento, a solidão, a pobreza e a dureza da vida neste território norueguês, aqui revelado.  Por isso, também estávamos já um pouco familiarizados com o estilo pós-moderno do autor, com muitas semelhanças às do romance anterior, embora agora com mais repetições e mais despontuação, que induzem maior dinamismo e fluidez aos diálogos, bem como musicalidade e poesia ao texto.

No entanto, em Manhã e Noite, Fosse surpreende-nos, a poucas páginas do início, toda ela dedicada ao parto bem sucedido, com um salto temporal paradoxal, levando-nos abruptamente para o momento da morte de Johannes, o personagem principal, deixando o leitor temporariamente aturdido pelo hiato criado.

Mas a narrativa segue e o leitor deixa-se levar, acabando por reconhecer a oposição que o autor estabelece ao passar da primeira parte do romance,  a do dizer, do fazer, do concreto…, para a segunda parte, na qual predomina o pensar, a indecisão,  isto é … manhã/noite, como sugere o título, ou o mesmo seria dizer  vida/morte.

De facto, na segunda parte, Fosse revela-nos Johannes, só, muito envelhecido, às portas da morte, como um fantasma que revisita os momentos da sua longa vida de pescador, marcada pela morte da mulher Erne, pelo amor dos filhos, em especial de Signe  e sobretudo pela amizade inabalável de Peter que, por ser o seu melhor amigo, é incumbido de o levar ao último destino.

Os diálogos e os não-ditos finais, de ordem metafísica, em que Johannes questiona Peter sobre quem vão encontrar no lugar para onde vão, em circunstâncias tão más para navegar, são angustiantes mas apenas e só até tudo ser unificado, indiferenciado, desvanecido, até restar apenas o amor de Signe pelo pai.

Gostei muito do livro.

Luísa Correia(proponente da obra) 





 




terça-feira, 30 de janeiro de 2024

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. 

As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

O Clube de Leitura reunirá a 25 de fevereiro, pelas 21h00.

O livro selecionado será "Manhã e noite", de Jon Fosse. 



Sinopse: Um menino está prestes a nascer, chamar-se-á Johannes como o avô e será pescador como o pai. Uma vida boa, é esse o desejo de quem o traz ao mundo, embora este seja um mundo duro, ruim e cruel. Um homem, velho e sozinho, morre chama-se Johannes e foi pescador.

É o seu melhor amigo que o vem buscar rumo a esse destino onde não há corpos nem palavras, apenas tudo aquilo que se ama. Antes do regresso definitivo ao nada, Johannes revisita o museu da sua vida, longa, simples e quotidiana, confrontando-se paulatinamente com a morte num constante entrelaçamento de real e alucinação, passado e presente.

Manhã e Noite é um romance sobre o maravilhoso sonho que é viver e a aceitação do ciclo natural das coisas. Numa linguagem poética e elíptica, inovadora e despojada, Jon Fosse condensa toda uma existência em dois momentos-chave, urdindo uma reflexão encantatória sobre o significado da vida, Deus e a morte.

Quem é Jon Fosse?




É um dos mais importantes e celebrados autores vivos. Nasceu em 1959, em Strandebarm, no Oeste da Noruega, e vive atualmente numa residência honorária situada nas propriedades do Palácio Real de Oslo, chamada «Grotten», bem como em Hainburg, Áustria, e em Frekhaug, Noruega.
Escritor e dramaturgo prolífero, estreou-se em 1983 com o romance Raudt, svart [Vermelho, preto], tendo recebido vários prémios ao longo da sua carreira, entre os quais o Prémio Internacional Ibsen, o Prémio Europeu de Literatura e o Prémio de Literatura do Conselho Nórdico e Prémio Nobel da Litetratura em 2023.
A sua extensa obra, traduzida em mais de quarenta línguas, inclui romance, teatro, poesia, livros para crianças e ensaio.

Críticas

«Jon Fosse foi comparado a Ibsen e a Beckett, mas a sua obra é muito mais do que isso. Em primeiro lugar, apresenta uma intensa simplicidade poética.»
The New York Times

«Fosse é um místico cuja linguagem dá vida à natureza, um poeta cuja voz faz a prosa cantar.»
Dagbladet


segunda-feira, 2 de maio de 2022

CLUBE DE LEITURA DE ABRIL

Na passada 5ª feira, dia 29, pelas 21 horas decorreu a sessão do Clube de Leitura de abril, com a animada presença de grande parte dos seus elementos.

A obra em análise e discussão foi "Trilogia", a mais recente publicação do norueguês Jon Fosse, nascido em 1959, um dos "dramaturgos europeus vivos mais representados nos palcos de todo o mundo".

Em oposição à sua escrita para teatro, a obra em prosa é referida como "prosa lenta", demorada, com constantes movimentos de avanço e recuo, com repetições, transportando o leitor para um estado quase hipnótico, a pairar entre o silêncio e a palavra. 

A nível estilístico assemelha-se a Saramago por não utilizar quase pontuação, o que faz fluir melhor o pensamento aproximando-se assim da linguagem oral.

Esta obra é um hino ao amor, as personagem são de uma pureza surpreendente, há uma estranha convivência entre vivos e mortos, uma imensa melancolia num ambiente em que está sempre presente a costa marítima, os fiordes, uma natureza agreste e fria mas simultaneamente bela e mística.

Composta por três novelas — Vigília (2007), Os Sonhos de Olav (2012) e Fadiga (2014) —, escritas numa linguagem simples e inspiradora e que se fundem numa única história, Trilogia é uma parábola de inspiração bíblica sobre o amor, o crime, o castigo e a redenção, que valeu a Jon Fosse, um dos escritores mais celebrados da nossa contemporaneidade, o Prémio Literário do Conselho Nórdico. Autor multipremiado, com destaque para o Prémio Internacional Ibsen, o Prémio Europeu de Literatura e o Prémio de Literatura do Conselho Nórdico.

Jon Fosse vive desde 2011 na "Grotten", uma residência honorária propriedade do Estado Norueguês e localizada nas instalações do Palácio Real no centro de Oslo. É um edifício do século XIX e está situado sobre uma gruta. ​ 

O uso da Grotten como residência permanente é uma honra especialmente concedida desde 1920 pelo Rei da Noruega a artistas, pelas suas contribuições para as artes e cultura norueguesas.

 










quarta-feira, 20 de abril de 2022

CLUBE DE LEITURA DE ABRIL

Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. 

As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

O Clube de Leitura reunirá a 28 de abril,  pelas 21h00.


Sinopse: 
Asle e Alida vagueiam exaustos no frio, na chuva e na escuridão pelas ruas de Bjørgvin em busca de um tecto que os abrigue. Alida está grávida, mas todas as portas se fecham perante as súplicas do jovem casal. 

O que terá motivado a sua vinda para esta cidade hostil onde ninguém os conhece? De que passado parecem fugir eles?Inseparáveis desde o dia em que se conheceram, quando Asle era tocador de violino e a sua música era como o canto do pai de Alida, sabem que só se têm um ao outro e que o seu amor vencerá o pecado e a morte.

Composta por três novelas — Vigília (2007), Os Sonhos de Olav (2012) e Fadiga (2014) —, escritas numa linguagem simples e inspiradora e que se fundem numa única história, Trilogia é uma parábola de inspiração bíblica sobre o amor, o crime, o castigo e a redenção, que valeu a Jon Fosse, um dos escritores mais celebrados da nossa contemporaneidade, o Prémio Literário do Conselho Nórdico. Autor multipremiado, com destaque para o Prémio Internacional Ibsen, o Prémio Europeu de Literatura e o Prémio de Literatura do Conselho Nórdico.

Traduzido do norueguês por Liliete Martins.

 

Quem é Jon Fosse?



É um dos mais importantes e celebrados autores vivos. Nasceu em 1959, em Strandebarm, no Oeste da Noruega, e vive atualmente numa residência honorária situada nas propriedades do Palácio Real de Oslo, chamada «Grotten», bem como em Hainburg, Áustria, e em Frekhaug, Noruega.

Escritor e dramaturgo prolífero, estreou-se em 1983 com o romance Raudt, svart [Vermelho, preto], tendo recebido vários prémios ao longo da sua carreira, entre os quais o Prémio Internacional Ibsen, o Prémio Europeu de Literatura e o Prémio de Literatura do Conselho Nórdico. A sua extensa obra, traduzida em mais de quarenta línguas, inclui romance, teatro, poesia, livros para crianças e ensaio.


Link: 

Trilogia, de Jon Fosse - Palavras Sublinhadas

CRÍTICAS

«Jon Fosse é um escritor europeu fundamental.»

Karl Ove Knausgård

 

«Como poucos, Jon Fosse criou uma forma literária que é sua.»

Júri do Prémio de Literatura do Conselho Nórdico

CRÍTICAS DE IMPRENSA

«A escrita de Jon Fosse é poesia pura.»

The Paris Review


Curiosidades (Graça Serra)

Jon Fosse vive desde 2011 na "Grotten", uma residência honorária propriedade do Estado Norueguês e localizada nas instalações do Palácio Real no centro de Oslo. É um edifício do século XIX e está situado sobre uma gruta. 

O uso da Grotten como residência permanente é uma honra especialmente concedida desde 1920 pelo Rei da Noruega a artistas, pelas suas contribuições para as artes e cultura norueguesas.










 A ação decorre em Dylgja e Bjorgvin


Dylgja é uma vila ficcional mas parece ser modelada pela pequena aldeia de Dingja, no oeste da Noruega, onde Fosse passa parte do ano. 

Bjorgvin é o nome histórico de Bergen, a segunda maior cidade da Noruega. 





in Fadiga (pág. 162 - 164)

"Alida vê que Asleik caminha na sua direção com dois pratos cheios de carne fumada e presunto frito com ervilhas e rutabaga e pasteis de batata (...) Eles sabem cozinhar boa comida aqui na Casa de Pasto, melhores pasteis do que estes não se comem em parte alguma, diz ele, enquanto Alida prova a rutabaga, sim, porque no prato também há rutabaga, e as ervilhas, e tudo aquilo tem um sabor igualmente ímpar, nunca algo que ela tivesse comido lhe soubera tão bem".

A rutabaga também é conhecida por couve-nabo, nabo sueco ou nabo amarelo. Resulta do cruzamento entre a couve e o nabo. Cultiva-se especialmente no Norte da Europa e América do Norte. Diferenças entre a rutabaga e o nabo: a pele do nabo é geralmente branca e roxa, a da rutabaga é uma combinação de amarelo sujo e castanho. A diferença visível mais óbvia é o seu tamanho.

A polpa da rutabaga é amarela, ao contrário da do nabo, que é branca. O sabor é ligeiramente mais doce que o nabo. É rica em fibras, vitamina C e ferro.