Mostrar mensagens com a etiqueta Clube de Leitura de Junho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Clube de Leitura de Junho. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 27 de junho de 2019

CLUBE DE LEITURA - JUNHO

No passado dia 26 de junho, pelas 21 horas, decorreu a sessão mensal do Clube de Leitura da Biblioteca Municipal, para análise e debate da obra "Olhos verdes" de Luísa Costa Gomes.
Trata-se de um romance contemporâneo, com todos os aspetos da corrente pós-modernista, dinâmico, inovador, interessante, irónico, cheio de humor e neologismos. Segundo especialistas na matéria, tanto a construção das personagens como a técnica narrativa está aprimoradíssima nesta obra.
Jorge Listopad escreveu no Jornal de Letras a 24/ 5/ 82: “O que mais surpreende nas páginas da jovem autora (...) é o modo de escrever. Tranquilo, com neutralidade activa, mas neutralidade, o que não exclui um saber linguístico raro e engenhosamente apaixonado. Mas além deste saber da escrita, opcional e tecnicamente perfeita, há outro saber, o de contar".
Luísa Costa Gomes escreve pelo prazer de escrever, sem preocupações em agradar aos seus leitores, preferindo direcionar a sua escrita a leitores inteligentes, reflexivos, exigindo-lhes alguma pesquisa muito para além do que nos oferece o texto.
O romance "Olhos verdes" já foi escrito em 1994, mas mantém uma completa atualidade. As personagens são obcecadas pela imagem, pela aparência, claramente psicóticas, contraditórias, bizarras.
Paulo Levi, hipocondríaco, é modelo de roupa interior; Eva Simeão é "doida varrida" e viciada em TV; o seu ex-marido, Paulo Mateus, deslumbrou-se com a América, que é outro mundo; João Baptista Daniel, perseguido por Eva mas não se interessando por esta, é diretor de marquetingue; Beatriz sua mulher, é revisora gráfica; as irmãs Fonseca, Maria do Céu e Maria das Dores, oscilam entre o esteticismo e o esoterismo; Ísis, amiga de Eva, dedica-se ao desaine; Lourenço é fotógrafo; Anadir é a raínha dos jingles publicitários.
Com este conjunto de personagens,  que se entrecruzam casualmente e se evadem da realidade, a autora apresenta-nos um retrato da sociedade contemporânea, com a nítida ausência de valores, vazias, solitárias, narcisistas, sem ideia de um sentido para a vida,  centradas na cultura de massas, onde a banalização das notícias transmitidas pelos meios de comunicação nos anestesiam e “já nada daquilo que se vê eventualmente poderá fazer-nos sofrer ou fazer-nos felizes”. Mas "as pessoas são capazes de suportar tudo, desde que o possam suportar confortavelmente sentadas" e "o Bem vale mais que o Mal porque há de menos. É a lei da oferta e da procura". 
A formação filosófica da autora transparece claramente no longo capítulo V, dedicado a George Berkeley, filósofo britânico, do século 18, que tentou demonstrar que a realidade material só existe na perceção que temos dela, enquadrando a narrativa numa moldura teórica, no sentido de dar resposta às questões que Eva Simeão coloca a João-Baptista "o que é isto que eu vejo? O que é isto que eu sinto? Deve haver uma ligação entre o que eu vejo e o que eu sinto. Mas o que eu vejo deixa-me perplexa e intrigada, porque não sei ao certo o que vejo. Verei exatamente o que estou a ver? Porque se assim é, então não posso olhar mais. Não estou segura do que devo sentir. Será que devia sentir alguma coisa?"
A autora pertence à geração que frequentava a universidade quando o regime salazarista foi derrubado, dando lugar ao aparecimento de uma nova sociedade, com novas preocupações e novas sensações.  Focando-se nessa nova sociedade emergente, escreveu romances, teatro, contos, argumentos, etc.
Os escritores de que mais a terão marcado foram Kafka e Beckett, em especial Nabokov.
Às suas obras têm sido atribuídos diversos prémios, como o Prémio Eça de Queirós, D. Dinis, Máxima, Associação Portuguesa de Escritores. 



quarta-feira, 30 de maio de 2018

CLUBE DE LEITURA - JUNHO




Com uma periodicidade mensal (à exceção de agosto), o Clube de Leitura destina-se a promover o prazer da leitura partilhada. As reuniões decorrem à volta de um livro previamente escolhido e lido por todos, proporcionando a convivência e a discussão entre quem gosta de ler e explorar os livros lidos, tornando a experiência da leitura ainda mais estimulante. Pontualmente poderá ter um escritor/dinamizador convidado.

 Livro indicado: "Só resta o amor" de

Sinopse: As vidas dos personagens das histórias deste livro estão ligadas por uma teia de fios invisíveis: Diana, Sara, Pablo, Laura, Adrián... Todos se apaixonam e descobrem que o amor é um sentimento de enorme poder, capaz de os transformar por inteiro e de os fazer ver a vida com outros olhos. Mas também experimentam a amargura causada pela falta de amor, ou a ausência, ou o amor fracassado. O amor em todas as suas variantes: do primeiro amor adolescente até àquele que sobrevive à morte. E, sempre, sempre, os livros como companheiros na aventura de amar.
Data: 28 junho 2018

Agustin Fernández Paz, Vilalba, Lugo, 1947.
Licenciado em Ciências da Educação.
Diplomado em Língua Galega.
Adora que lhe contem histórias. De viva voz, através das páginas de um livro, na penumbra das salas de cinema e dos teatros ou no brilho frio de um qualquer ecrã. Afirma que desde a sua infância na Galiza do pós-guerra, os livros tiveram uma presença decisiva no seu percurso. Aplica à sua vida, o que Álvaro Cunqueiro escreveu naquela época: «Como quem bebe água, o homem precisa de beber sonhos.»
Tinha 28 anos quando Franco morreu. Deste modo, grande parte da sua vida foi marcada pela ditadura. Tal como todas as pessoas da sua geração, afirma que chegou sempre tarde a todo o lado: aos livros que deveria ter lido, aos filmes que marcaram muitos daqueles anos... Talvez por isso existam coisas na vida que aprecia de maneira espacial: a liberdade, a memória, os livros, o cinema...
Agustín acredita que as palavras possuem a força necessária para mudar o mundo e pensa que os livros são imprescindíveis para nos ajudar a sonhar e a viver. Prefere ler o que os outros escrevem, mas também gosta de inventar histórias e contá-las através da escrita. Na sua vasta obra, escrita em galego, largamente premiada e em grande parte traduzida para outras línguas, salientam-se títulos como "Corredores de Sombra", "Aire Negro", "Noite de Voraces Sombras", "Cuentos por palavras", "Cartas de Inverno", "O Centro do Labirinto", "O Laboratório do Doutor Nogueira", a novela juvenil "Rapazas", etc. - os quatro últimos já publicados em Portugal.
"Só Resta o Amor" é o seu livro mais recente. Com ele a literatura galega toma lugar nas Edições Nelson de Matos. Uma literatura fascinante numa língua irmã.

Opiniões:
Nos últimos tempos tenho lido vários livros de contos dos quais vos gostaria de falar. Inicialmente, pensei fazer uma espécie de súmula de todos (e foram ainda bastantes) os que li. Uma amiga mais ajuizada aconselhou-me a ir fazendo aos poucos, dando tempo a que haja alguma reacção da parte dos companheiros desta aventura.
Tinha que começar por algum lado e escolhi o Só Resta o Amor do galego Agustín Fernández Paz. Há nestes contos um fio condutor que os une. As vidas dos personagens experimentam as diferentes cambiantes da experiência amorosa. O livro começa muito bem com o conto Um silêncio ardente. Sara, uma executiva de sucesso num grande banco, mas leitora obsessivo-compulsiva como nós, vê abrir defronte ao banco uma livraria que passa a frequentar diariamente fugindo à pausa-café com os colegas. Uma manhã, quando se dirigia á secção de poesia, encontrou encaixado entre dois livros, um pequeno cartão. O cartão conduzia-a a um livro, mas num dos cantos da parte de trás, surgia escrito a lápis o seu nome. Os r vão-se sucedendo. O livro continua formosos e seguro até que me deparo com histórias de fantasmas pueris e perfeitamente previsíveis. Desiludiu-me muito e só me voltou a conseguir reconquistar verdadeiramente ao voltar a um estilo muito a la Paul Auster com o conto Uma fotografia na rua. Daniel encontra uma fotografia de uma mulher em frente do edifício da Reitoria da Universidade em Vigo. O coração acelera-se subitamente e ficou definitivamente atraído. Começa então uma demanda pela mulher da foto, mas nessa demanda infrutífera vai encontrando outras fotos da mesma mulher…Depois deste re-arranque o livro continua seguro e termina com outro muito bom conto, Um rio de palavras. Enfim, eu perdoo-lhe as histórias de palavras.
Uma palavra de apreço para as Edições Nelson de Matos que tem vindo a dar à estampa bons livros.

Abraços,
Publicada por Paulo Ventura


A primeira impressão que tive deste livro foi de que iria ser aborrecido, mesmo tendo o primeiro conto uma boa intriga. À medida que fui lendo o livro verifiquei que tinha vários contos, o que permitia uma rápida e fácil leitura, li as 218 paginas em apenas dois dias, ficando mais intrigada em cada história que ia lendo e curiosa com o que iria acontecer e do que iria tratar a seguinte história.Fiquei assim encatada com este livro, adorei lê-lo.
Fiquei com uma boa impressão de quase todos os contos mas o conto que me fascinou mais foi o "Estranha lucidez". Este conto fascinou-me pela sua maravilhosa intriga e encantou-me pela sua história e personagem.
No inicio deste conto o narrador pareceu-me ser um humano mas há medida que fui lendo, e nas coisas que o narrador ia contando e relembrando fiquei na duvida e depois quando ele disse as palavras " (...) farejo (...) " e " (...) meu Dono (...) " é que conclui que era um canídeo que estava a falar. Não vos quero falar mais desta história porque quero que vocês a leiam, é encantadora esta história, magnifica. Todos os onze contos falam sobre o amor em todas as suas facetas, e histórias. Fala de um amor que sobreviveu á morte, paixonetas de infância, de amor não correspondido etc.
Aconselho a leitura deste livro.
Postado por Soraia Ferreira

sexta-feira, 26 de junho de 2015

CLUBE DE LEITURA - JUNHO

Ontem, pelas 21 horas, decorreu mais uma sessão do Clube de Leitura, desta vez para abordar a obra profética "Admirável mundo novo" de Aldous Huxley (1894-1963).

"Admirável Mundo Novo (Brave New World na versão original em língua inglesa) é um romance distópico escrito por Aldous Huxley e publicado em 1932 que narra um hipotético futuro onde as pessoas são pré-condicionada biologicamente e condicionadas psicologicamente a viverem em harmonia com as leis e regras sociais, dentro de uma sociedade organizada por castas. A sociedade desse "futuro" criado por Huxley não possui a ética religiosa e valores morais que regem a sociedade atual. As pessoas são educadas desde jovens a ignorarem tudo que possa levar a um pensamento crítico, como por exemplo, os bebés são intimidados a sentirem medo de tocar em um livro. Qualquer dúvida e insegurança dos cidadãos era dissipada com o consumo da droga sem efeitos colaterais aparentes chamada "soma". As crianças têm educação sexual desde os mais tenros anos da vida. O conceito de família também não existe."

Trata-se de uma parábola sobre a desumanização dos seres humanos e como refere Nicolas Berdiaeff, as utopias são realizáveis, mas por vezes os resultados dessas utopias são tão ameaçadoras que a humanidade quer regressar a uma sociedade menos utópica, menos perfeita, mas mais livre.

Como esta obra foi publicada em 1932, entre as duas grandes guerras, terá servido de inspiração para muito de desumano que se passou durante a Segunda Guerra Mundial, por isso, o prefácio do autor em 1946, tem como primeiras palavras o "remorso crónico".

O futuro descrito nesta obra, não estaremos a experimentá-lo, de alguma forma, no nosso dia a dia?

Meditemos! É para isso que são feitas as obras primas...